Defesa & Geopolítica

Brasil exercita sua influência regional em Cuba

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Por John Lyons

A aproximação da presidente Dilma Rousseff com Cuba é o exemplo mais recente da estratégia brasileira para expandir sua influência regional oferecendo empréstimos subsidiados para países mais pobres.

Rousseff ofereceu ampliar a cooperação econômica com Cuba durante uma visita na terça-feira à ilha comunista que representou a tentativa mais evidente até agora do Brasil de transformar seu poderio econômico crescente em liderança diplomática na América Latina.

O BNDES está financiando uma obra de US$ 680 milhões para recuperar o (vídeo: Fonte-BBC via youtube ) porto cubano de Mariel. A reforma está a cargo da empreiteira baiana Odebrecht SA, que também pode dar suporte à indústria açucareira cubana, disseram autoridades brasileiras.

O Brasil emprestou dezenas de bilhões de dólares a países da América Latina nos últimos anos.

Mas nenhum desses esforços teve a importância simbólica da iniciativa em Cuba, que é inimiga dos Estados Unidos desde a revolução de Fidel Castro, em 1959.

“Isso tem a ver com expandir o ‘poder suave’ do Brasil para uma escala internacional e aumentar a importância do Brasil no mundo”, disse Matthew Taylor, especialista em Brasil na Faculdade de Serviço Diplomático da Universidade American, em Washington. “O Brasil está assumindo um papel mais proeminente [nas Américas] em termos de ajuda e financiamento internacional, e ajudando Cuba ele realmente torna evidente o seu novo papel.”

Embora os EUA continuem sendo a potência predominante na América Latina, os especialistas dizem que o país não é contrário à tentativa brasileira de ganhar mais influência regional. Muitos analistas acreditam que o Brasil pode ser tornar uma força estabilizadora.

Em Cuba, por exemplo, o Brasil pode ser uma alternativa mais moderada ao principal guardião econômico da empobrecida ilha, o presidente venezuelano Hugo Chávez. O presidente, que se descreve como inimigo dos EUA, envia cerca de 100.000 barris de petróleo e refinados para Cuba diariamente em troca de serviços de médicos cubanos para moradores de bairros pobres venezuelanos, juntamente com outros acordos de permuta.

E Cuba, ao mesmo tempo, está desesperada por qualquer oportunidade econômica. Raúl Castro, que assumiu a presidência desde que Fidel adoeceu, tem experimentado com reformas econômicas limitadas.

“Quanto mais normalizadas forem as relações econômicas cubanas, mais fácil será normalizar as relações com os EUA”, disse Archibald Ritter, especialista em economia cubana da Universidade Carleton, do Canadá.

“Imagino que os EUA secretamente esperam que o Brasil tenha um papel de mediação nas questões que nos preocupam, como direitos humanos”, disse Cynthia Arnson, diretora de estudos latino-americanos do Centro Internacional de Pesquisa Woodrow Wilson, em Washington.

Mesmo assim, durante a visita de terça-feira, Rousseff criticou a existência da base americana na Baía de Guantánamo, centro de detenção de suspeitos de terrorismo, e o embargo comercial americano, que ela afirma contribuir para a pobreza na ilha.

 

Ela recusou convites para se reunir com dissidentes cubanos e já tinha dito que não iria questionar os irmãos Castro sobre os direitos humanos da ilha.

“Direitos humanos não são uma pedra que você joga só de um lado para o outro”, disse ela em Havana na terça-feira. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse também esta semana que os direitos humanos não são uma questão “emergencial” em Cuba.

Observadores dizem que o caso de Yoani Sánchez, blogueira que critica o regime castrista, pode oferecer pistas para mudanças na política de direitos humanos do Brasil. O país deu visto a Sánchez e observadores disseram que se Cuba permitir a saída dela, Rousseff terá conseguido usar a aproximação para obter alguns avanços nos direitos humanos.

Sánchez escreveu em seu blog terça-feira que esperava que Rousseff se reunisse com ativistas dos direitos humanos em Cuba, e que fosse “consequente com a fala democrática, em vez de optar pelo silêncio cúmplice ante uma ditadura”.

Fonte: The Wall Street Journal

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