Defesa & Geopolítica

Rússia: potencialidades de projeção da força

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A marcha de um grupo de porta-aviões da Força Naval da Rússia para o Mediterrâneo coincidiu com a redução da presença russa no Sudão. Os dois acontecimentos dão motivos para avaliar as possibilidades russas de garantir uma presença militar estável no estrangeiro.

A projeção da força é a capacidade das Forças Armadas de reagir rápida e decididamente às mudanças da situação, deslocando operacionalmente as tropas para um ponto necessário e mantendo a presença militar nesta região tanto tempo, quanto for preciso. Muitos fatores influem na capacidade de projeção da força: potencialidades da marinha militar e mercante, da aviação militar e civil, existência das forças expedicionárias, capazes de desdobrar-se operacionalmente em teatros de ações militares afastados e de entrar imediatamente em combate. O núcleo de tais forças é constituído de destacamentos aeromóveis de diferentes armas, de praticamente todas as forças aéreas, sobretudo a aviação de longo alcance e de transporte, de destacamentos da Força Naval, em primeiro lugar a sua aviação e as unidades de desembarque. Finalmente, são muito importantes bases no estrangeiro, que facilitam o desdobramento de novas forças.

Atualmente, as Forças Armadas da Rússia são praticamente privadas da possibilidade de manter uma presença militar duradoura no estrangeiro, que se limita apenas à participação reduzida em missões de paz da ONU e nos países da CEI. As potencialidades da Rússia de intensificar operacionalmente forças militares nas principais regiões do mundo são muito restringidas.

Ao mesmo tempo, não se pode afirmar que a Rússia não teve tais interesses. Para além do Corno Africano, centro da campanha internacional de luta contra piratas, há no mundo várias zonas em que a presença militar russa pode ser necessária para a proteção da vida de seus cidadãos ou defesa de seus interesses econômicos. Por enquanto há apenas uma região afastada da Rússia, em que, no caso da necessidade, os militares russos podem desdobrar rapidamente grandes forças – o Tajiquistão e o Quirguistão.

Contudo, os recentes acontecimentos na Líbia e aquilo que acontece hoje na Síria demonstraram que a Rússia precisa de forças expedicionárias mais sérias. Hoje a FR é obrigada a limitar-se à demonstração de bandeira, não tendo potencialidades de desdobrar no Mediterrâneo uma esquadra de ação permanente, nem podendo intensificar consideravelmente a presença militar na Síria. Para cumprir a primeira tarefa, faltam navios para garantir rotação uma vez em seis meses, no mínimo, e a segunda – são insuficientes as potencialidades da aviação de transporte.

Enquanto o número de navios que se constroem na Rússia começou a crescer, a aviação de transporte não se renova. Atualmente, é claro mais ou menos apenas o destino do Il-476: em Ulianovsk foi construído o primeiro avião de transporte modernizado deste projeto. São confusas as perspetivas do An-70 e do An-124, está atrasada a elaboração dos projetos Il-112 e Il-214. Não está clara também a possível alternativa ao Il-112: as compras de sete unidades de An-140 em vários anos não podem ser consideradas como alternativa.

Ao mesmo tempo, o parque de aviões de transporte militares está a envelhecer. Se nos próximos um-dois anos no forem tomadas medidas decididas, a Rússia irá deparar no fim dos anos 10 deste século com uma falta grave de aviões de transporte e, possivelmente, enfrentará a necessidade de comprar tais máquinas ao estrangeiro.

Fonte: Voz da Rússia

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