Defesa & Geopolítica

Sargento acusado de matar civis no Iraque fica em liberdade nos EUA

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O sargento americano acusado do assassinato de 24 civis iraquianos em 2005 foi sentenciado nesta terça-feira (24) ao rebaixamento de sua patente para soldado, mas não irá à prisão porque já cumpriu a pena durante o processo, disseram fontes militares.

O sargento Frank Wuterich, o último membro de um esquadrão a enfrentar a Justiça depois que os demais foram absolvidos por este caso, foi sentenciado também a 90 dias de prisão, mas ficará em liberdade porque já cumpriu esse prazo durante o processo marcial.

“Wuterich foi sentenciado a 90 dias de confinamento e à redução (de sua patente) para soldado”, informou um comunicado militar.

No entanto, “a autoridade convocada esteve de acordo que não se cumpriria (mais) tempo (de confinamento)”, porque Wuterich já o cumpriu durante o processo, explicou à AFP Chad McMeen, porta-voz da base militar de Camp Pendleton na Califórnia, onde ocorre o julgamento marcial.

Na segunda-feira, Wuterich declarou-se culpado de negligência no cumprimento de seu dever, mas graças a um acordo com a promotoria foram desconsideradas as demais acusações – entre elas nove acusações de homicídio – que pesavam sobre ele.

O ex-sargento de 31 anos é responsabilizado pelo que é considerado o pior crime de guerra cometido no Iraque pelos Estados Unidos, com 24 mortos, muitos deles mulheres e crianças.

Os fatos remontam a 19 de novembro de 2005, quando um militar americano morreu devido a uma bomba artesanal colocada em uma estrada na cidade de Haditha, 260 km a oeste de Bagdá.

Depois desse bombardeio, Wuterich, que não tinha experiência prévia de combate, enviou seus homens à caça de insurgentes em uma ação que a promotoria considerou uma vingança e que resultou no massacre.

Quando souberam na notícia, familiares das vítimas e residentes de Haditha expressaram seu desgosto com a sentença.

“Isso é uma agressão ao sangue dos iraquianos”, lamentou o advogado Khalid Salman, que também é vereador da cidade.

“Isso é um castigo para crimes menores. Mas matar 24 pessoas inocentes e receber uma pena de três meses? É uma agressão à humanidade”.

Antes de escutar sua sentença no tribunal nesta terça-feira, Wuterich disse que sentia muito e insistiu que ele não é “um assassino sanguinário de bebês”.

Dirigindo-se a três sobreviventes do massacre, disse, lendo um texto: “não tenho palavras para expressar meus sentimentos pela perda de seus entes queridos. Sei que nada que eu possa dizer será capaz de mitigar a dor”.

Wuterich insistiu que apenas estava cumprindo seu dever.

“A verdade é que não acredito que ninguém do meu pelotão (…) tenha atuado de forma desonrosa e oposta aos altos ideais nos quais vivemos como fuzileiros navais”.

Outros sete fuzileiros sob o comando de Wuterich foram acusados neste caso e já foram inocentados. (AFP)

Fonte: G1-O Globo

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