Defesa & Geopolítica

Do Brasil a Angola, internet sem escalas

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Por Clarissa Vasconcellos

Cabo submarino de seis mil quilômetros que ligará diretamente Fortaleza a Luanda melhorará a performance da internet em até 80%. Atualmente, esse tráfego tem que passar pelos EUA e Europa.

No fim de 2011, a Telebras e o consórcio angolano Angola Cable anunciaram um acordo que irá implementar até 2014 um cabo submarino de fibra óptica ligando Fortaleza a Luanda. Com seis mil quilômetros de extensão, o cabo tem como principal objetivo encurtar o tráfego de informações entre os dois países, o que, consequentemente, beneficiará também o resto da África, América do Sul e da Ásia. Isso porque hoje os dados transmitidos entre esses continentes têm que passar pelos Estados Unidos e Europa.

 

“Angola, de uns anos pra cá, conquistou uma estabilidade política bem visível e está investindo em infraestrutura, tem bastante empresa brasileira lá. Há muito interesse entre os dois países”, lembra Paulo Kapp, gerente de tecnologia e inovação da Telebras. A Angola Cable é formada pela da empresa pública Angola Telecom e quatro empresas privadas do setor de telecomunicações e o cabo será o primeiro entre o Brasil e a África Subsaariana.

 

Kapp explica que a estrutura poderá melhorar a performance da internet entre África, Ásia e América do Sul em até 80%, dependendo da região. “Indiretamente, os EUA também vão se beneficiar, pois terão um caminho mais rápido para a África, que também terá um caminho mais rápido para EUA e América do Sul”, acrescenta.

 

Menos milissegundos – O gerente de tecnologia e inovação da Telebras dá como exemplo de melhoria no serviço a diminuição da latência (tempo entre o envio de um pacote de dados e o recebimento da resposta dada pelos servidores). Medida em milissegundos (ms), ela serve como referência do tempo que se leva entre a requisição de informações e a chegada delas.

 

“Hoje, um pacote de dados que sai daqui e vai pra África demora 180 milissegundos pra chegar, numa rede boa. Com esse cabo, isso vai passar para 18 ou 19 milissegundos, talvez um pouco mais ou um pouco menos dependendo da região do Brasil”, detalha. Kapp acrescenta que, com a melhoria do serviço e com a eliminação da necessidade de pagar pela passagem desse tráfego pelos Estados Unidos, se espera também uma redução de custo da saída da internet.

 

As primeiras notícias a respeito do cabo surgiram há um ano, em janeiro de 2011, quando a parceira da Angola Cable no Brasil ainda seria a Oi, com apoio dos governos de ambos os países. À época, o investimento anunciado era de 200 milhões de dólares. No entanto, a Telebras prefere não confirmar números.

 

“Não posso dizer que são 200 milhões porque estamos avaliando custos prévios que Angola tinha e que nós estávamos tendo. Como mudou a ideia inicial, estamos reavaliando tudo isso”, justifica Kapp, acrescentando que o aporte financeiro do Brasil seria proporcional ao interesse de tráfico do País com a África e Ásia. “Como a gente não tem esse tráfico embasado ainda e o estudo envolve certa confidencialidade, não posso passar esses dados”, explica.

 

A Telebras anunciou para março a contratação da empresa responsável pela construção. Kapp lembra que, em vez de fazer uma sociedade, também há a possibilidade de se criar um consórcio em que se possa trocar infraestrutura com outra empresa brasileira, angolana ou estrangeira. “Estamos no estágio de estudar bem [o projeto] para ter um modelo de negócio bem executado e assim poder apresentar aos possíveis parceiros”, conclui.

 

Fonte: Jornal da Ciência 

 

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