Defesa & Geopolítica

Rússia e EUA condenam decisão do Irã de iniciar enriquecimento de urânio

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Por Andrêi Iliachênko, especial para Gazeta Russa

Os governos da Rússia e dos Estados Unidos condenaram por unanimidade a decisão do Irã de iniciar processos de enriquecimento de urânio. “Devemos constatar que o Irã continua desrespeitando as exigências da comunidade internacional a respeito de seu programa nuclear”, declarou em um comunicado o ministério do Comércio Exterior da Rússia.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton disse na última terça-feira que o país “instou o Irã a suspender o enriquecimento de urânio e a começar a cumprir suas obrigações internacionais”.

Mesmo assim, a Rússia e os EUA continuam divergindo quanto aos métodos de solução do problema iraniano, capaz de provocar uma outra guerra no Oriente Médio.

As preocupações das diplomacias russa e americana foram causadas pela notícia de que o Irã iniciou o enriquecimento de urânio a 20% em sua empresa Fordu.

“O Irã havia enriquecido o urânio a 20% em seu reator de pesquisa. Agora ele é capaz de produzir o urânio enriquecido em uma quantidade maior”, disse o general aposentado Vladímir Dvórkin, especialista em armas nucleares.

“O urânio enriquecido a 20 % não serve para a construção de uma bomba atômica, mas o Irã está perto de iniciar a produção de urânio enriquecido a 80% ou 90% no isótopo 235, o que é suficiente para a construção de um explosivo ou uma carga nucleares”, diz Dvórkin.

A questão é saber porque o Irã começou, precisamente agora, a intensificar os trabalhos no âmbito de seu programa nuclear.

Desde a queda, em 1979, do regime de Mohammad Reza Pahlavi, os governos clericais do Irã têm seguido coerentemente uma política antiamericana. Provas disso são a captura humilhante da embaixada americana em Teerã e as atividades desenvolvidas pelo Irã no Afeganistão, Iraque e Síria, onde o Irã apoia o regime de Bashar Assad, visto pelos EUA e seus aliados como próximo pária internacional. Além disso, o petróleo e a posição geopolítica do Irã, banhado pelo Golfo Pérsico, fazem dele um grande ator global com pretensões de liderança pelo menos regional.

Aumentando a pressão sobre Teerã como reação a suas ambições estratégicas internacionais, os EUA anunciaram, no início deste ano, a possibilidade de impor um embargo na compra de petróleo do país. Em contrapartida, os iranianos ameaçaram bloquear o estreito de Ormuz, rota de 40% dos carregamentos de petróleo mundial, e não tardaram a confirmar a seriedade de suas intenções com exercícios navais. A resposta dos EUA não se fez esperar: dois grupos tarefa de porta-aviões americanos foram transferidos com urgência para a região do Golfo Pérsico. Em resposta, o Irã iniciou o enriquecimento de urânio. No dia 11 de janeiro, na região do Golfo apareceu a terceira força-tarefa americana de porta-aviões.

“Os EUA procuram transformar o Irã de um país inimigo em um país parceiro leal, desejando mudar a todo o custo seu governo. Para tanto, utilizam todos os meios a seu alcance, inclusive sanções econômicas e ajuda maciça à oposição iraniana que é, em seu entender, capaz de realizar uma ‘revolução colorida’”, comenta o secretário do Conselho de Segurança da Rúsisa, Nikolai Pátruchev.

Sua opinião foi confirmada nos EUA. O jornal “Washington Post” escreveu em 11 de janeiro que “a administração Obama considera as sanções econômicas contra o Irã como estímulo ao descontentamento social no país”. “Essas sanções ajudarão a obrigar o governo iraniano a abandonar seu suposto programa de armas nucleares”, disse um alto oficial da inteligência americana. O responsável não excluiu que o “descontentamento com a situação causada pelas sanções econômicas alcance as ruas e leve os líderes iranianos a repensar sua conduta”. Mas se o Irã obtiver uma arma nuclear, poderá ficar muito menos maleável.

“A operação militar efetuada contra a Líbia levou alguns países, inclusive o Irã, a pensar que, se Kadafi não tivesse voluntariamente abandonado, há alguns anos, seu programa nuclear, ninguém teria tido a idéia de ameaçá-lo com uma intervenção militar”, afirma o diretor do centro segurança internacional da Academia de Ciências da Rússia, Aleksêi Arbatov.

A operação da OTAN contra a Líbia levou o Irã a intensificar os trabalhos no âmbito de seu programa nuclear, e seus oponentes a intensificar seus esforços para a busca de uma solução para o problema iraniano. Como resultado, o que está havendo é uma escalada de tensão, onde as partes envolvidas se provocam mutuamente.

Ao expressar a posição oficial do Kremlin, Nikolai Pátruchev, observa: “Rússia, China, Índia e vários outros países têm feito grandes esforços para resolver esse problema pela via pacífica e negociada. O resultado de seus esforços é, por enquanto, pequeno, pois os EUA e o Irã, movidos por razões diferentes, não estão interessados nisso”.

O ministério do Comércio Exterior da Rússia exortou à retomada das negociações entre o Irã e o chamado G-6 e se ofereceu para atuar como intermediário. Mas a tensão só vem aumentando.

“Existe a probabilidade de escalada militar do conflito, ao que os EUA são incitados por Israel”, diz Pátruchev. Em outras palavras, há a ameaça de uma nova guerra no Oriente Médio.

Fonte: GazetaRussa

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