Defesa & Geopolítica

Rapidinhas : Iraque

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Atentado em Bagdá deixa pelo menos sete pessoas mortas

Pelo menos sete pessoas foram mortas em um atentado suicida nesta segunda-feira na capital do Iraque, Bagdá, depois que um homem explodiu um carro-bomba diante do prédio do Ministério do Interior. Os ataques se intensificaram no país desde o início de uma crise, na semana passada, entre o governo liderado por muçulmanos xiitas e líderes da minoria sunita.O primeiro-ministro Nuri al-Maliki, um xiita, tentou na segunda-feira passada conseguir a prisão do vice-presidente sunita Tareq al-Hashemi e pediu que o Parlamento demitisse um assessor dele, também sunita, o que mergulhou o país em uma crise política que ameaça desencadear novas lutas sectárias, pouco dias depois de os Estados Unidos terem retirado seus últimos soldados do Iraque.O militante suicida lançou o carro contra estruturas de proteção colocadas diante do ministério, situado no centro de Bagdá, provocando uma explosão que deixou mortos e feridos espalhados pela área e incendiou veículos nas imediações, disse a polícia.

Segundo uma fonte policial, as autoridades acreditam que os insurgentes atacaram o ministério por causa da ordem de prisão contra Hashemi, acusado de comandar esquadrões da morte.

A TV estatal Iraqiya e outros órgãos da mídia local divulgaram nesta segunda-feira gravações de confissões de suspeitos que o ministério diz terem sido guarda-costas de Hashemi, os quais ligaram o vice-presidente a matanças e ataques contra autoridades iraquianas.

Na quinta-feira, uma onda de atentados, principalmente em áreas xiitas da capital, deixou pelo menos 72 mortos.

Hashemi deixou Bagdá na semana passada e se refugiou na região curda, no norte do Iraque, onde é pouco provável que as autoridades o entreguem ao governo central.

A turbulência política vem abalando a coalizão de governo, que divide os principais cargos entre xiitas, curdos e sunitas.

Fonte: Terra

Ataques à bomba mostram o Iraque mergulhado na guerra civil

No Brasil, existem muitos especialistas em política internacional. Eles, como a maior parte da imprensa, alimentam-se no cocho das agências internacionais de notícias. O problema com essas agências é que todas elas cantam em uníssono. Suas opiniões são as mesmas e acabam por cumprir o papel de porta-vozes do capitalismo mundial.

E os nossos especialistas em política internacional, ao cantarem a mesma canção que cantam as agências, repetem um erro que um pouquinho de esforço mental evitaria.

Dizem esses analistas que os Estados Unidos estão prontos para deixar o Iraque, pois o povo iraquiano já aprendeu o que é democracia. Fazem, contudo, a ressalva de que se os ianques deixarem o Afeganistão, deixarão o país em meio a uma guerra civil. Ingenuamente, não percebem que os Estados Unidos deixarão também o Iraque em meio a uma guerra civil.

Ocorre que democracia não é algo que se aprenda, é algo que se conquista. Não se pode impor democracia a um povo; ela tem de ser desejo do próprio povo. A situação política no Iraque, durante décadas foi a de uma classe abastada, composta principalmente por sunitas, dominando outra, composta sobretudo por xiitas, os quais perfazem a maioria absoluta da população.

Durante essas décadas de domínio sunita, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha impuseram um governo sunita ao país, por meio de um aliado que não existe mais, Saddam Hussein. Temiam as petrolíferas que um governo xiita negasse a elas o acesso ao petróleo como aconteceu com o Irã (xiita). Em virtude disso, xiita passou a ser, no Ocidente, sinônimo de radicalismo, até mesmo de terrorismo. Quer dizer, os povos oprimidos que se recusam a ser pilhados se tornam bandidos e os opressores são tidos como “mocinhos”.

A invasão ao Iraque foi consequência, como todos sabemos, de uma falsa acusação, a de que o país estava envolvido com a fabricação de armas de destruição em massa. E, segundo as agências de notícias, estava mesmo. A sequência dos eventos mostrou que era tudo uma farsa. As agências foram obrigadas a se retratar, mas continuaram insistindo na deposição de Saddam Hussein e na ilusão de que a democracia seria o melhor para o Iraque.

O Iraque, na época de Saddam Hussein, para o bem ou para o mal, era um país razoavelmente desenvolvido, com bons índices de educação, de saúde e de qualidade de vida. Não é preciso alongar-se muito nessa questão; isso foi reconhecido pelas mesmas agências de notícias, as quais, de certa forma, ajudaram a patrocinar a invasão.

Depois da invasão norte-americana, o país virou um caos. Sua infraestrutura (escolas, hospitais, estradas e aeroportos) foi destruída, duzentos mil iraquianos foram mortos (graças aos “ataques cirúrgicos”) e impôs-se ao país um governo de intervenção. A partir daí, não houve um dia no país em que não houvesse um atentado a bomba.

Afora isso, os Estados Unidos financiaram a Guerra com dinheiro de outros países. O mundo inteiro pagou por ela. Com a crise de 2008, a verba que de todas as partes do mundo escoava para os Estados Unidos, começou a minguar. A fonte começava a secar. Então, os Estados Unidos, em um gesto de benevolência de seu Presidente, Obama, anunciou que retiraria suas tropas do Iraque. Não foi excesso de bondade, mas falta de dinheiro.

A Odisseia norte-americana

Um dia, Ulisses terá de voltar para casa. Esse dia chegou. Segunda-feira, dia 18 de dezembro de 2011. Depois de nove anos de ocupação militar, antecipando o prazo dado por Obama, que se esgotaria no dia 31 de dezembro, as tropas invasoras dos Estados Unidos — pretensos defensores da “democracia” e da “liberdade dos povos” — deixaram o Iraque. Essa data marca a saída do último pelotão.

A partir daí, espera-se que, com a paz e a liberdade restabelecidas no país, os iraquianos sigam suas vidas na tranquilidade e na prosperidade proporcionadas pela democracia. No entanto, a realidade não se confunde com ideologias toscas. Mal as tropas ianques deixaram o país, os atentados começaram. Começaram? Não. Continuaram.

A manchete do El País (Espanha) da sexta-feira (23/12) é a seguinte: “A violência sectária no Iraque pode levar o país a uma guerra civil?” E a do New York Times: “Ataques chacoalham Bagdá, à medida que a crise política se aprofunda no Iraque.” É o que se esperava que acontecesse. Só a imprensa não viu. Apesar de tudo, o próprio El País noticia: “É curioso comparar o imediatismo jornalístico com o longo percurso da memória histórica”. E conclui: “Quase uma década depois daquela invasão, o panorama não poderia ser mais desolador… O Iraque aguarda tempos bastante difíceis. Não apenas de conflitos, mas de falta de luz e de água potável em muitas casas. Nove anos de ocupação e de governos iraquianos amigos não serviram sequer  para garantir os serviços mínimos”. É o que acontece com toda a invasão de pilhagem. Invadem um país, tiraram-lhe tudo e depois vão embora dizendo que a missão estava cumprida. Alegam, no entanto, que a missão era devolver a liberdade ao país.

<i1>Mas a guerra continua em Tróia

<t1>O primeiro-ministro iraquiano (o país virou não apenas uma democracia, mas uma democracia parlamentarista; forma de governo alienígena para os povos orientais), Nuri al Maliqi, da maioria xiita, resolveu acusar o vice sunita, Tareq Haxemi, de comandar uma milícia de extermínio. Era vontade dos norte-americanos que o governante do país fosse um xiita, representante da maioria, mas que o vice fosse sunita, para que houvesse uma aliança (demagógica) entre as duas facções. Mal os norte-americanos deixaram o país e as duas facções voltaram a se enfrentar. As acusações do Premiê contra seu vice fizeram estourar uma série de atentados que resultaram na morte de 72 pessoas e deixaram 217 feridos. No maior deles, um atentado suicida a bomba, feito com uma ambulância, dezoito pessoas morreram.

Não se sabe, porém, se esses atentados têm relação direta com o desentendimento entre o Premiê e o vice. As informações estão desencontradas: um oficial norte-americano chegou a dizer, em Washington, que a organização Al Qaeda estaria por trás dos atentados. O curioso não foi tanto a opinião apressada do oficial, mas a conclusão a que chegou. Para ele, as tropas iraquianas já têm condições de controlar a situação interna no país. Não sabemos se a opinião dele foi a de uma pessoa mal-intencionada ou ignorante. Mas a conclusão, sem dúvida alguma, reflete a do próprio Estado americano. Os iraquianos não têm condições de controlar a segurança interna pelo simples fato de que não têm condições de controlar nem os serviços mais básicos do país. Uma país que mal tem água potável, eletricidade, telefonia; um país cujos serviços de saúde mal conseguem atender à população; um país cujo sistema educacional foi destruído; num país assim, que não consegue fazer o básico, como conseguirá controlar a violência? Além do mais, a falta desses serviços representa, por si só, uma violência grave contra a população.

É preciso questionar, portanto, se a violência é produto de um desentendimento entre duas facções ou se é uma reação do povo à condição de vida a eles imposta justamente por esse governo. É preciso também esclarecer que a retirada das tropas norte-americanas nada tem que ver com a violência que ora se vê. A violência sempre existiu e sempre foi resultado direto da ocupação, pois foi a ocupação que produziu a desagregação das condições de vida do povo. (Causa Operária Online).

Fonte: Portogente

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