Defesa & Geopolítica

Rapidinhas: Euro

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Linha de resgate europeia já considera o fim do euro

Por Sílvio Guedes Crespo

A Linha Europeia de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês), que tenta garantir que os países com problemas de dívida não deem calote, cogita alertar investidores de que o euro pode acabar, segundo o “Financial Times”.

O jornal britânico disse ter tido acesso ao rascunho de um prospecto que será entregue aos investidores. Esse rascunho alerta para os perigos que o mercado corre, entre os quais o risco da interrupção do uso do euro por parte de países.

Na opinião do “FT”, é surpreendente que a Linha de Estabilidade cogite fazer esse tipo de alerta oficialmente, uma vez que, apesar de os economistas saberem que o euro está em risco, os líderes políticos têm preferido não falar sobre essa possibilidade, possivelmente para não piorar as coisas.

“Se você coloca algo desse tipo no prospecto (que o EFSF vai entregar aos investidores), você deve ter em mente o efeito que isso tem”, disse ao “FT” uma pessoa ligada ao assunto, sob anonimato.

Fonte: Estadão


Banco da Inglaterra prepara-se para eventual ruptura do euro

O Banco da Inglaterra está tomando medidas para apoiar os bancos britânicos caso haja uma ruptura na zona do euro, segundo confirmou nesta terça-feira seu vice-governador, Charlie Bean, que qualificou a situação da moeda única como “preocupante”.

Como medida de precaução diante dessa eventualidade, a instituição colocou em funcionamento mecanismos de contingência aos quais poderá recorrer no caso de o contágio pôr em perigo instituições financeiras do país, explicou Bean.

“Não quero falar de probabilidades a respeito de uma ruptura, mas está claro que a situação é preocupante. Em algum momento, algum país pode concluir que estaria melhor fora da zona do euro do que dentro”, declarou Bean à emissora britânica “BBC”.

O “número dois” do Banco da Inglaterra advertiu, no entanto, que essa opção seria “muito complicada” para quem a escolhesse e lembrou que o Reino Unido também não ficaria “imune” aos efeitos de uma redução dos integrantes da zona do euro.

Em um cenário negativo como esse, Bean indicou que os bancos britânicos ficariam “seriamente expostos” às perdas das entidades financeiras francesas e alemãs.

“Nessas circunstâncias, ofereceríamos empréstimos temporários aos bancos que sofressem dificuldades. Temos vários mecanismos e acabamos de introduzir um novo há duas semanas como medida de precaução. Ele não é necessário por enquanto, mas se tivermos problemas, estará lá”, explicou.

Bean indicou ainda que foi recomendado às instituições financeiras que acumulem capital reduzindo uma parte dos benefícios distribuídos em forma de dividendos ou incentivos para que tenham ao que recorrer para enfrentar situações de crise.

Durante a entrevista à “BBC”, Bean também previu que o crescimento da economia britânica para os próximos seis meses será quase inexistente, razão pela qual não descartou que o país possa entrar em recessão.

No entanto, afirmou confiar que uma possível e aguda queda da inflação poderá estimular o consumo e, consequentemente, marcar o início de um novo crescimento em meados de 2012, coincidindo com os Jogos Olímpicos de Londres.

Fonte: UOL Econômia

Titanic europeu

Para quem está acostumado ao subdesenvolvimento visualmente feio, sujo e malvado de cidades brasileiras como São Paulo, é difícil perceber o tamanho da crise nas principais capitais europeias.Mas ela está presente. Latente no cotidiano, nas manchetes dos jornais, na TV, nas conversas, em dezenas de lojas fechadas no centro e em inúmeros cartazes de imóveis à venda.

Ou mais presente ainda, como em um acampamento de “indignados” montado a poucos metros do Coliseu. Ou em cartazes chamando para manifestações em Roma ou Madri.

Mas não seria exagero dizer que o pior, do ponto de vista europeu, ainda está por vir.

O desemprego médio entre os 17 países que usam o euro é de 10,2%. Mas entre os mais jovens ele sobe a 29% na Itália e a 45% na Espanha.

Mesmo na Alemanha (média de 6,9%) a crise entre os jovens só não é explosiva devido aos “minijobs”, que permitem a criação de vagas precárias que pagam hoje uma média de 230 euros (R$ 550) por mês. Há 7 milhões de alemães nisso.

Neste exato momento várias economias europeias já entraram ou estão entrando novamente em recessão. E elas nem sentiram ainda todo o custo dos programas de ajuste adotados pelos quatro cantos do continente.

Na Itália, quando totalmente implementado, o ajuste vai tirar 3.160 euros (R$ 7.600) por ano do bolso de uma família média via impostos sobre o consumo e residências.

O governo de Mario Monti persegue uma economia de 33 bilhões de euros (R$ 80 bilhões) para pagar as dívidas estatais. Isso deve custar à Itália, segundo o FMI, cinco pontos a menos de crescimento em três anos.

Visto por alto, o problema central da Europa pode até parecer esse: excesso de dívidas. Logo, a solução é apertar os cintos, atravessar o deserto, e voltar a crescer daqui a alguns anos.

Haveria gordura para queimar, especialmente para quem vê a região, seu Estado de bem estar social, renda e infraestrutura com olhos de subdesenvolvido.

Mas o buraco é mais embaixo. Daí o nervosismo nos mercados e o desconforto da população.

Um breve retrospecto:

1) Já chegou-se à conclusão de que alguns países têm dívidas muito altas; e o mercado passou a exigir juros insustentáveis para rolá-las;

2) Alemanha e França, os dois mais fortes do euro, impuseram ajustes nos gastos dos demais e agora trabalham por um compromisso que leve a punições para quem não andar na linha;

3) Enquanto isso, a Alemanha se recusa a permitir que o BCE (Banco Central Europeu) garanta a rolagem das dívidas dos mais endividados. Por dois motivos: porque os alemães teriam de pagar parte da conta dos demais e porque, assim fazendo (e também se endividando), a Alemanha seria obrigada a pagar juros maiores para ela mesma se financiar (hoje o faz a custo quase zero).

Em resumo, esse é o plano europeu: ajustar os endividados sob a batuta alemã.

Dois problemas: recessões pioram rapidamente o endividamento de qualquer país, pois dívidas são examinadas como proporção do PIB; e a Europa só chegou a isso porque não criou nenhuma outra alternativa.

A Alemanha é o país que mais se beneficiou com a criação do euro e o endividamento dos demais. Ela não só pagou com isso o pesado custo de integrar a ex-Alemanha Oriental nos anos 1990 como se tornou o motor da região, com o grosso de suas exportações voltadas para a Europa.

Com a região embarcando em um pesado ajuste de longo prazo, a Alemanha certamente sofrerá consequências difíceis de manejar.

O pano de fundo de tudo é que o arranjo da chamada Eurolândia dependia do endividamento de alguns para que outros prosperassem, e dessem respaldo aos demais pela via de uma moeda única, o euro.

Funcionou por um tempo, até que as dívidas de alguns começaram a chamar demais a atenção. Daí a ameaça de terem de deixar o euro e a proteção que a moeda oferece.

A alternativa 2.0 (além do euro) seria a Alemanha finalmente concordar com a união fiscal plena na região. Significa que ela compartilharia com os demais o custo da rolagem das dívidas, por meio de eurobônus garantidos pelas 17 economias do euro.

Há quem aposte que a Alemanha esteja primeiro exigindo austeridade dos demais para só depois entrar com seu lastro e passar a garantir as dívidas europeias, aliviando a pressão.

“Frau Nein”, como Angela Merkel é chamada, não dá nenhuma indicação de que tomará esse caminho.

Mesmo isso não resolveria o grande problema subterrâneo: há uma disparidade enorme de industrialização, produtividade, benefícios sociais e, em última instância, “filosofias de vida” entre os 17 países da Eurolândia.

O euro foi uma tentativa quase abstrata de aplainar isso. Não está funcionando.

Fonte: Folha S.Paulo

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