Defesa & Geopolítica

Berlusconi renuncia ao poder na Itália

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Primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi

O magnata das comunicações Silvio Berlusconi, 75 –considerado uma das figuras mais polêmicas e, ao mesmo tempo, carismáticas da Itália, concentrando durante um longo período enorme poder econômico e político– foi durante 17 anos o líder da direita do país, apesar do envolvimento em vários escândalos sexuais e judiciais.

O ex-primeiro-ministro conservador, que esteve no poder desde 2001, com uma interrupção de dois anos –de 2006 a 2008– lançou-se na política em 1993, depois dos casos de corrupção “Tangentopoli” ou “Mãos Limpas”, que desmoralizaram a classe política de então.

O multimilionário italiano — dono de uma das maiores da Europa, e que manteve um estilo caracterizado por ataques e provocações a seus inimigos– chega ao ocaso político com a popularidade em apenas 22%, a menor da história.

A desastrosa administração da grave crise econômica na Itália, em uma Europa em crise, afetou negativamente a imagem de Berlusconi, que vem sofrendo nas últimas semanas várias derrotas.

Nascido em 29 de setembro de 1936, em uma família pequeno-burguesa de Milão, Berlusconi demonstrou a vocação para os negócios desde a adolescência, quando estudava no colégio dos Salesianos.

Inteligente, perspicaz, e vaidoso, ficou conhecido pela personalidade forte.

PASSADO ANTES DA FORTUNA

Animador de casas noturnas no balneário de Rimini, Berlusconi sempre contou com um grupo de amigos íntimos, como Fedele Confalonieri, a quem confiou mais tarde a direção da Mediaset, a empresa de televisão de seu império industrial Fininvest, que compreende 500 sociedades, entre elas a Editora Mondadori.

Vendedor de aspiradores de pó nos anos 50, ele formou-se em direito, em 1961, dedicando-se ao setor de construção e dando início a uma carreira ímpar.

Condecorado como “Cavaleiro do Trabalho” aos 41 anos, “Il Cavaliere” Berlusconi decidiu lançar-se na política em 1993, ganhando as eleições gerais de 1994.

Em poucas semanas criou um partido, o ‘Forza Italia’, composto em maioria por executivos da Fininvest que pouco sabiam de política. Aliou-se aos neofascistas do Movimento Social Italiano, transformado num novo agrupamento da direita Aliança Nacional, liderada por Gianfranco Fini, e à controvertida Liga Norte de Umberto Bossi, com os quais ganhou as eleições.

Depois da queda, sete meses depois de chegar ao poder, abandonado pelos aliados da Liga, o visceral anticomunista Silvio Berlusconi foi para o purgatório da política, com o prestígio diminuindo até perder as eleições de 1996 para o adversário Romano Prodi, vencedor do pleito de 2006.

CORRUPÇÃO

Hábil para apresentar-se como “vítima”, sempre investigado pela Justiça por denúncias de corrupção, Berlusconi foi construindo com paciência a imagem de um “presidente trabalhador”, com a qual ganhou as eleições de 2001, apoiado pela mesma coalizão que, em 1994, levou-o ao poder e que rebatizou como “A Casa das Liberdades”.

Apesar das críticas e controvérsias despertadas por seu mandato entre 2001 e 2006 e das divisões internas dentro da própria coalizão, que quase se desintegrou, Berlusconi tornou-se o ‘líder máximo’ da direita italiana.

Com um golpe estratégico, reunificou suas hostes sob uma só bandeira e um partido único, o “Povo das Liberdades”, fruto da fusão entre a direita Aliança Nacional (AN) e sua própria chapa, “Forza Italia (FI)” – uma jogada surpreendente que permitiu a ele, em 2008, chegar novamente ao poder.

A ruptura ano passado com seu aliado Fini, atual presidente da Câmara de Deputados, ocorreu em um momento particularmente delicado, em meio a picantes revelações sobre suas proezas sexuais e desprestígio moral.

ESCÂNDALOS

Os excessos e abusos do magnata das comunicações no exercício do poder motivaram críticas e protestos nos meios de comunicação, entre os industriais e inclusive na igreja italiana.

Sua vida dissipada e a atração por mulheres jovens levaram, em 2009, a um pedido público de divórcio por parte de sua segunda esposa.

Julgado pelos tribunais de Milão (norte) por prostituição de menores e abuso, como no caso da jovem marroquina chamada Ruby –uma das protagonistas de suas célebres festas privadas ao ritmo do “bunga-bunga”– Berlusconi deve responder à Justiça também por suborno e fraude fiscal.

Sempre bronzeado e com vários “liftings” e implantes capilares, Berlusconi foi casado duas vezes, é pai de cinco filhos e foi avô várias vezes.

Fonte: Folha

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