Defesa & Geopolítica

Síria diz que aceitou plano para por fim à repressão

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Presidente da Síria, Bashar al-Assad

Nada Bakri
Em Beirute (Líbano)
The New York Times

A Síria disse na terça-feira que chegou a um acordo com uma delegação da Liga Árabe a respeito de um roteiro para colocar um fim a mais de sete meses de derramamento de sangue, e dar início a um diálogo entre a oposição e o governo do presidente Bashar Assad.

Detalhes a respeito do acordo eram escassos, mas a televisão estatal síria noticiou que ele seria anunciado na quarta-feira na sede da Liga Árabe, no Cairo.

“A Síria e a Liga Árabe estão de acordo a respeito do documento final sobre a situação na Síria”, disseram a televisão estatal síria e a agência de notícias oficial “Sana” na noite de terça-feira.

Apesar da Síria ter dito que aceitou o roteiro para a paz, o vice-secretário-geral da liga, Ahmed Ben Heli, disse ao canal de notícias “Al Arabiya” que o grupo ainda estava aguardando pela resposta da Síria.

Com a Síria profundamente isolada, a mediação da Liga Árabe era vista como uma das últimas iniciativas diplomáticas em andamento para colocar um fim ao levante e à repressão, que resultaram em mais de 3 mil pessoas mortas.

Figuras da oposição acusaram a Síria de abraçar a mediação da liga para ganhar tempo, mas a proposta atraiu a atenção dos diplomatas da região.

A Liga Árabe pediu a Assad para retirar as forças de segurança das ruas, libertar os prisioneiros que foram detidos desde fevereiro e permitir a entrada de monitores árabes no país. A iniciativa também pede à Síria que negocie com a oposição, apesar dos termos da negociação não terem ficado claros. A Síria resistiu a negociar fora de Damasco, sua capital, por temor de que um local estrangeiro daria mais credibilidade à oposição.

E ainda existem perguntas sobre que oposição ela reconheceria –as figuras que cultivou dentro do país, que não chegaram a pedir a queda de Assad, ou uma oposição exilada que alega falar em nome do levante.

“Os comentários de Bashar Assad sugerem que ele é contra a proposta árabe”, disse Samir Nachar, uma figura proeminente da oposição exilada. “Até agora, todas as indicações são negativas. Eu acho que essa é uma tentativa de ganhar tempo em prol do regime.”

A maioria das figuras da oposição síria rejeita o diálogo com o governo enquanto prosseguir sua repressão brutal aos ativistas e manifestantes.

A reação no exterior às notícias de um acordo seguiram as linhas previsíveis.

A Rússia, responsável por um veto crucial no mês passado à resolução de sanções da ONU, expressou esperança de que a mediação coloque um fim a uma das revoltas árabes mais sangrentas. O ministro das Relações Exteriores, Sergei V. Lavrov, disse que a proposta da Liga Árabe ofereceu a ambos os lados na Síria a chance de “decidir seu próprio futuro por meio do diálogo nacional, da reconciliação nacional, pacificamente, sem recorrer à violência”.

Os Estados Unidos reagiram friamente aos relatos de um acordo.

“Nós tivemos muitas promessas de reforma, mas vimos apenas violência em termos de ação por parte do regime Assad”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, em uma coletiva de imprensa em Washington. “Então vamos esperar e ver a) se realmente temos um acordo aqui, e b) se o acordo será implantado.”

O suposto acordo surge em meio à persistência da violência no país. Ativistas de oposição relataram na terça-feira que as forças de segurança mataram pelo menos nove pessoas por toda a Síria.

A Síria se tornou mais assertiva nas últimas semanas em tentar expor seu ponto de vista ao mundo, refletindo o que muitos diplomatas veem como uma crescente confiança por parte do governo de Assad de que pode deter e talvez subjugar o levante.

Assad disse à televisão russa no domingo que cooperaria com a oposição. Em outra entrevista, para “The Sunday Telegraph” de Londres, ele alertou as potências ocidentais de que causariam um “terremoto” se interviessem na Síria.

“É uma falha geológica, e se interferirem no solo, causarão um terremoto”, disse Assad. “Vocês querem ver outro Afeganistão, ou dezenas de Afeganistãos?”

Fonte: UOL

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