Defesa & Geopolítica

Retirada se dá após fracasso de acordo com Bagdá

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Parte do governo iraquiano gostaria que soldados dos EUA ficassem no país para ensinar policiais locais a conter insurgência

SCOTT WILSON , KAREN DEYOUNG , THE WASHINGTON POST

O fracasso de um acordo que mantivesse no Iraque uma quantidade significativa de militares americanos além de 2011 pode causar problemas de segurança tanto para o governo de Bagdá – ainda amplamente dividido por questões sectárias e étnicas – como para a administração de Barack Obama, que herdou a guerra, mas optou por uma retirada ordenada do país do Oriente Médio.

Se, após a saída das tropas americanas, lutas sectárias ou qualquer outro tipo de violência irromper no Iraque, Obama poderia ser responsabilizado, particularmente por seus críticos conservadores, por ter abandonado o país antes que ele tivesse capacidade de se proteger após quase nove anos de guerra.

A retirada dos EUA, porém, possibilita uma conclusão mais definitiva para a questionável operação militar no Iraque, que já custou aproximadamente US$ 1 trilhão e matou mais de 4.400 americanos. Obama, que em 2008 divergiu dos democratas em parte por causa de sua clara oposição à guerra do Iraque, poderá dizer a seus eleitores que garantiu o prometido fim do conflito enquanto enfrenta uma difícil campanha de reeleição.

O plano de saída segue o acordo negociado pelo governo de George W. Bush para a retirada das tropas americanas até o fim de 2011. Mas negociações sobre quantos militares dos EUA deveriam permanecer para treinar as nascentes forças de segurança iraquianas e monitorar pontos de possível tensão – como o limite entre o norte curdo e o resto do país – ocorrem há meses entre a administração de Obama e o governo do primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki.

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Finalmente, um acordo para a permanência de tropas se tornou uma possibilidade remota, pois Maliki foi incapaz de persuadir integrantes de sua própria coalizão a apoiar a medida e os EUA se recusaram a fazer concessões que poderiam tornar a presença americana mais palatável.

Os meses de discussão começaram a se desdobrar rapidamente nas últimas duas semanas, quando os líderes do Iraque concordaram que não concederiam imunidade a militares americanos que permaneçam no país após 31 de dezembro, quando termina o prazo para a retirada. Enquanto o governo iraquiano continuou manifestando o desejo de que militares dos EUA que treinam as forças de segurança locais ficassem no país, ficou claro que Maliki não convenceria o Parlamento a concordar com essa medida.

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O secretário de Defesa americano, Leon Panetta, respondeu que a imunidade aos militares dos EUA era inegociável. Funcionários do governo de Washington afirmaram estar trabalhando com outras opções, incluindo possíveis treinamentos de iraquianos em território estrangeiro. Num comunicado, o líder xiita Muqtada al-Sadr – opositor da permanência dos EUA em solo iraquiano – afirmou que os treinamentos seriam permitidos “apenas se um novo acordo fosse concluído, após uma completa retirada (americana) e a compensação financeira ao povo oprimido do Iraque”.

Fonte: Estadão

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