Defesa & Geopolítica

Gaddafi assumiu o poder na Líbia em 1969

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Coronel Muammar Gaddafi em foto de 1969 – [ France Presse ]

Os rebeldes oposicionistas na Líbia anunciaram nesta quinta-feira a captura e a morte do ditador Muammar Gaddafi, colocando fim a 42 anos do regime.

O ditador que comandou com braço de ferro –e os obrigatórios óculos escuros– o país africano, estava desaparecido desde meados de agosto, quando os rebeldes chegaram ao coração da capital da Líbia, Trípoli.

Conheça sua trajetória:

Presidente e chefe do Conselho Revolucionário da Líbia, Gaddafi nasceu em Sirte, em 1942, em uma família de beduínos influente nas esferas do poder.

Seu pai, pastor de camelos, garantiu os estudos primários e secundários do filho. A formação de Gaddafi foi completada na Academia Militar.

Em 1º de setembro de 1969, ajudado por um grupo de oficiais, tomou o poder seguindo o modelo egípcio e derrubou o rei Idris quando este visitava Atenas, na Grécia.

Herdeiro do pan-arabismo do ex-presidente egípcio Abdel Nasser, copiou a Constituição egípcia e emulou seu lema nacional: “Liberdade, socialismo e unidade”.

Assumiu a Presidência do Conselho de Comando da Revolução e proclamou a República Árabe Líbia, que a partir de 1977 adotou o nome de Grande Jamahiriya Árabe Popular Socialista da Líbia.

Sua política girou em torno da unidade do mundo árabe. Por isso buscou alianças que o levaram a sonhar com os Estados Unidos do Saara, e fusões efêmeras com o Egito, Tunísia, Argélia e Marrocos. Em 1971, criou a União Socialista Árabe, único partido no país.

GOLPES

Em 15 de abril de 1973, após um fracassado golpe de Estado, anunciou uma revolução cultural com a inclusão dos chamados comitês populares de base (que atuam como pequenos ministérios).

Dois anos depois, ele superou uma tentativa de golpe de estado causado pelo mal-estar social e no ano seguinte publicou o Livro Verde, uma espécie de Constituição onde defendia a “terceira teoria universal” na qual rejeitava o capitalismo e o socialismo, por considerá-los alheios ao contexto social árabe.

Ditador Muammar Gaddafi passeia de carro no complexo Bab Al Azizia em abril; rebeldes cercaram o local – [ Louafi Larbi/Reuters ]

Em 1977, proclamou a República de Massas com a qual daria voz ao povo por meio da criação do Congresso Geral do Povo (fórum legislativo que serve de intermediário entre as massas e a liderança do executivo) e os chamados comitês revolucionários (organizações de base que controlavam a atividade política do país) do novo Estado.

Contrário à paz com Israel, em 1977, se opôs à iniciativa proposta pelo presidente egípcio Anwar Al Sadat.

OPOSIÇÃO

Em 1984, renovou o Congresso Geral do Povo e criou duas novas secretarias, a de Universidades e de Segurança Exterior.

A criação do organismo e a repressão aos dissidentes aumentaram a atividade de grupos opositores, principalmente a Frente Nacional para a Salvação da Líbia –que, segundo Gaddafi, era patrocinada por governos estrangeiros.

Enquadrado por parte dos Estados Unidos na órbita do terrorismo internacional, em abril de 1986 aviões norte-americanos bombardearam Trípoli e Benghazi.

Ao menos 40 pessoas morreram no ataque, entre elas uma das filhas adotivas de Gaddafi. Paradoxalmente, a chegada ao poder de Gaddafi foi bem recebida pelos EUA e a CIA (órgão de inteligência americano) ajudou-o em três ocasiões a sufocar golpes de Estado.

Com relação à política externa, em 1988, reconciliou-se com a Tunísia e a Argélia e em 1989 aderiu à União Árabe Norte Africana. No que diz respeito à política interna, ele voltou a mandar prender fundamentalistas islâmicos.

ATENTADO DE LOCKERBIE

Em 1992, a ONU impôs embargo aéreo pela recusa de entregar aos EUA e ao Reino Unido dois suspeitos do atentado contra um avião de Pan Am na localidade escocesa de Lockerbie em 1988, no qual morreram 270 pessoas. Depois da mediação de Nelson Mandela em 1999, Gaddafi entregou os líbios para que fossem julgados.

Em tentativa de aproximação com o Ocidente, em 2002, ele anunciou a detenção na Líbia de membros da Al Qaeda que eram acusados pelos atentados contra os EUA em 2001, apesar de ter se mostrado contrário ao ataque dos EUA contra o Iraque.

Além disso, em 2004 anunciou a indenização às vítimas (160 ao todo) do atentado contra a discoteca berlinense “La Belle” em 1986, do qual foram acusados os serviços secretos líbios, como parte de seus esforços para retornar à comunidade internacional

Neste mesmo ano, o governo líbio assinou um acordo de indenização de US$ 1 milhão com os familiares das 170 vítimas do atentado contra o avião da companhia UTA em 1989, pelo qual a Líbia também foi culpada.

O acordo melhorou os laços entre Paris e Trípoli. Pouco depois, os EUA levantaram várias sanções.

No final de 2010, relatos de diplomatas americanos divulgados pelo site Wikileaks classificaram o líder como “volúvel e excêntrico”, afetado por graves fobias e de atuar conforme seus caprichos.

PRIMAVERA ÁRABE

Em fevereiro de 2011, por causa dos protestos populares na Tunísia e no Egito que acabaram com seus respectivos regimes, enfrentou uma revolta similar contra si e em menos de duas semanas as forças da oposição assumiram o controle de 85% do país.

Os protestos, que foram violentamente reprimidos pelas forças de segurança, causaram, segundo as organizações humanitárias, ao menos 10 mil mortos, situação que levou em março a intervenção militar de uma força internacional da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Gaddafi continuou negando ter perdido o controle da situação na Líbia, diante da justificativa de que “tinha o amor do povo”, apesar de ter sido isolado pela comunidade internacional e estar entrincheirado no quartel-general de Trípoli ao lado de seus filhos.

Fonte: Folha

Saiba mais sobre os Gaddafi

Comandantes das forças rebeldes da Líbia afirmaram nesta quinta-feira que o ex-ditador líbio, Muammar Gaddafi, foi capturado e morreu, segundo agências de notícias e emissoras de TV.

A rede Al Arabiya que o corpo do ex-ditador –que os rebeldes dizem ter sido morto durante operação militar em Sirte, sua terra natal– chegou à cidade de Misrata.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha


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