Defesa & Geopolítica

Afeganistão: dez anos de guerra imperialista

Posted by

http://openanthropology.files.wordpress.com/2010/09/cartoon2.jpg

Trágica a situação do povo que sobrevive na miséria

Correspondente Georges Pezmatzoglu

Istambul – Completaram-se dez anos, no dia 7 deste mês, desde o dia em que forças armadas norte-americanas, levando a tiracolo contingentes militares de alguns dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), decidiram “exportar a democracia” invadindo o Afeganistão para “libertá-lo da tirania do Talibã”.

Os invasores iniciaram a guerra prometendo, também, “democracia tipo ocidental”, ocultando o objetivo de, ao ocupar o Afeganistão, controlariam a região que constitui a encruzilhada da Ásia Central, por onde atravessam oleodutos e gasodutos, além de explorar a riqueza de minérios estratégicos do país e da região.

O Afeganistão entrou no 11º ano de invasão e ocupação de ex e neocolonialistas, registrando dezenas de milhares de mortos e feridos, dramático aumento de pobreza, elevados percentuais de corrupção e vergonhosa exploração de áreas de narcocultura e livre comércio de ópio, enquanto a situação das mulheres tornou-se desesperadora.

O resultado dos conflitos armados de forças norte-americanas e européias (Otan) e forças afegãs “de segurança”, supostamente, contra o Talibã, segundo dados estatísticos oficiais, baseados em avaliações, não refletindo, portanto, a realidade, é de 37.208 mortos civis desarmados, incluindo mulheres e crianças.

Destes, pelo menos, 9 mil mortos são consequência de fogo dos invasores, enquanto os dados oficiais registram aumento de assassinatos de civis desarmados no primeiro semestre deste ano em 15%.

Simultaneamente, provocam revolta as revelações de perversidades cometidas contra a população civil, segundo as quais soldados norte-americanos e europeus da (Otan) matam civis por puro divertimento, com a tolerância de seus superiores.

A tudo isso somam-se, também, as terríveis torturas dos presos, mantidos na famigerada base norte-americana de Bagram. É característico, aliás, que enquanto na maioria dos casos de ataques das forças estrangeiras de ocupação existem vítimas civis desarmadas, os mortos são relacionados sempre como “combatentes do Talibã”, evitando assim que haja reações, fato confirmando de que os mortos são em número superior do que registram as pesquisas oficiais.

Amigos viram inimigos

Vale a pena questionar como o Talibã, inicialmente, aliado dos EUA e dos neocolonialistas europeus contra o governo popular do país e dos países socialistas da região, evoluiu para inimigo e razão de guerra para os até então seus financiadores.

A Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA, o Paquistão, o Irã, assim como a China, desde a década de 1980, organizam bases, campos de treinamento e armam o Talibã, criando as condições para uma guerra não declarada oficialmente. Assassinatos são cometidos tendo como vítimas homens desarmados, mulheres e crianças; grandes extensões de terra cultivada são destruídas; paralelamente, são destruídas as infra-estruturas viárias, elétricas e de transporte, provocando o caos, com objetivo de aproveitá-lo em seu benefício.

Neste jogo participam, também, a Arábia Saudita, o Estado de Israel e a Grã-Bretanha, apoiando os planos dos imperialistas neocolonizadores. São forças que, na realidade, desempenham, mais ou menos hoje o jogo, em nome do combate do suposto “terrorismo” que, na realidade, eles criaram, com objetivo de controlar a região da Ásia Central e de suas ricas fontes de recursos naturais.

Narcóticos e pobreza

O Afeganistão sempre foi um país basicamente agrícola, mas, depois da invasão e de dez anos de ocupação, seu único produto de cultivo e exportação é o ópio. O narcocomércio é apoiado pelas forças de ocupação, cujos componentes – em sua maioria – são consumidores do produto da papoula. O aumento do cultivo de ópio no Afeganistão neste ano atinge 61% em relação com ano passado, enquanto as áreas de cultivo da papoula aumentaram em 7%, totalizando mais de 1.310.000 hectares.

As áreas agrícolas destinadas a outros produtos são mínimas. Todos os itens básicos de alimentação, assim como petróleo e tecidos são importados, principalmente, dos EUA, Paquistão, Alemanha e Rússia. Mas, mesmo assim, de acordo com dados oficiais, cerca de 40% da população sobrevive abaixo do nível de pobreza absoluta, enquanto o mesmo percentual representa a população economicamente ativa desempregada.

Entretanto, maior exploração e especulação em detrimento do povo do Afeganistão espera-se com a denominada “reconstrução” do país, de cujas obras reivindicam generosas fatias, além dos EUA e Grã-Bretanha, os países europeus membros da Otan e “sócios” dos EUA na pilhagem do rico butim que é o Afeganistão. Mas, há também, novos players na região – Rússia e China – os quais, embora não participem da pilhagem, já formalizaram vários contratos de obras da “reconstrução” do país.

Paralelamente, os imperialistas neocolonialistas estão criando o ambiente adequado a fim de garantir sua permanência no país, assim como seu controle total, mesmo depois da eventual retirada das tropas dos EUA e da Otan. Será um ambiente rigorosamente controlado, corrompido em grau elevado e, principalmente, dependente. A presença imperialista será redobrada com sua consolidação, inclusive nas instituições do país.

Pseudodilemas

Neste ambiente, o perfil do Talibã é fortalecido, considerando que surge na consciente do povo como a única saída para livrar-se da ocupação estrangeira. É característico que o povo afegão, que no passado era contrário ao regime do Talibã, hoje proporciona-lhe cobertura ou, premido pelo pseudodilemas, cerra fileiras no Talibã, por considerar que desta forma contribui ao esforço de minar a ocupação.

Ao que tudo indica, neste momento, o Talibã já cortou os “laços de sangue” que mantinha com os EUA, assim como encerrou os cenários do apoio subterrâneo que recebia dos EUA representado por dinheiro em espécie, armas, munições, alimentos e outros equipamentos.

A única grande realidade desta década de guerra é a situação precária do povo que, a cada dia que passa, piora. Tudo que existiu durante a República Popular Socialista do Afeganistão foi destruído. Infra-estrutura, escolas, universidades, hospitais e direitos humanos desapareceram. Hoje, Talibã e os imperialistas neocolonialistas atrasaram o relógio anos, com única realidade aquela que cria e mantém a guerra. A barbárie dos ocidentais neocolonialistas comprova-se com toda a sua trágica magnificência.

Fonte: MonitorMercantil

13 Comments

shared on wplocker.com