Defesa & Geopolítica

FX-2 Algumas possibilidades futuras

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Autor: Cláudio Marcos Queiróz

Edição de imagens: E.M.Pinto

Plano Brasil


Prefácio

Há um tempo atrás escrevi uma análise crítica a respeito do programa FX-2, no artigo FX-2 – Uma visão crítica a respeito dos bastidores na LAAD-2011 baseando-me em informações colhidas na feira internacional de defesa LAAD-2011, ocorrida no Rio Centro, Rio de Janeiro em Abril passado.

Este artigo que agora escrevo, foi formulado de forma a completar a minha análise inicial, porém desta vez me baseio nas minhas observações acerca do modelo o qual apresentarei como uma proposta viável, enquadrando-o no que considero a proposta mais adequada para o modelo, o Gripen NG.

C.M. Queiróz

FAB ontem hoje e Amanhã.

Não posso porém iniciar minha análise sem antes fazer algumas considerações a respeito do que pode vir acontecer numa eventual escolha do novo caça para a FAB, antes de abordarmos os potenciais vencedores do programa, farei uma breve abordagem sobre a atual “Ordem de Batalha” da FAB na atualidade. E para tanto, descreverei o que temos hoje em operação em uma lista de capacidades resumidas (equação através da capacidade de combate e letalidade).

Basicamente nos dias de hoje a capacidade de combate da FAB se resume ao seguinte:

  • F-2000 (Mirage 2000 C- B), com grande capacidade de ascensão e velocidade máxima superior a Mach 2.2, armados com mísseis ar- ar é o melhor vetor de que dispomos para a interdição/interceptação.
  • A-1 M, boa capacidade de reconhecimento e ataque em profundidade*, boa carga de armas e razoável capacidade de se defender.
  • F-5 M, razoável capacidade de combate aéreo, interdição e ataque a superfícies e reconhecimento, apesar da eletrônica embarcada a célula não permite maiores capacidades bélicas.
  • http://www.epicos.com/epicos/extended/brazil/AEL/imgs/06.gifA-29, excelente turbo-hélice de ataque ao solo indicado a contra-guerrilha e ataques de precisão em teatros operacionais de conflitos leves e reconhecimento, boa capacidade de servir de aeronave anti-helicóptero e de defesa aérea contra vetores de baixo desempenho.http://www.aereo.jor.br/wp-content/uploads/2010/03/Cruzex-14nov08-035.jpg
  • AT-26, em final de carreira, praticamente já retirado de serviço, razoável treinador com limitadas capacidades de ataque e de reconhecimento.

* Referente ao modelo A1 M modernizado

A Proposta FX 2 + LIFT

Partindo do que foi descrito, podemos concluir que dos 05 vetores atualmente em serviço nos grupos de caça, quatro serão fatalmente substituídos pelo futuro F-X2, que terá a árdua tarefa de num espaço de tempo de no máximo 10 anos simplesmente substituir a todos estes aviões por vetores de primeira linha, concebidos para um leque de funções bem variado, o que acaba por gerar um aumento vertiginoso nos custos de aquisição e operacional dos caças, especialmente nos bi-turbina.

Porém um fato que passa desapercebido pelo leitor, é o de que continuaremos com a carência de uma aeronave treinadora avançada à jato, uma vez que o AT-29 apesar de ser um excelente treinador avançado, não está apto a substituir os jatos nas missões de treinamento específicas.

Partindo desta análise, percebemos que em breve as necessidades da FAB serão muitas, com excepção dos A 29 a FAB terá de substituir completamente o seu inventário de vetores de caça em menos de 10 anos.

Partindo-se do princípio de que o FX 2 fará plenamente a contento a substituição dos caças, ainda sim acreditamos existir a necessidade de um segundo vetor à jato que complementaria esta frota de caças, atuando como treinador avançado para conversão de pilotos a jato, mas que também poderia atuar como caça leve, aeronave de ataque e reconhecimento, ou seja, uma LIFT (Lead-in Fighter Trainer ).

Este LIFT teria a função de complementar os AT 29 e substituir os AT 26 no treinamento e seleção de pilotos, como os lideres de esquadrão. Alguns críticos desta proposta poderão sugerir que esta conversão para caças à jato poderia ser feita no próprio FX2, na sua variante bi-posta, porém, como já se demonstrou mesmo por aqui no Brasil  e em outros países, o uso de vetores de primeira linha para esta função não é economicamente viável, por diversas razões, inclusive pelo inevitável desgaste desnecessário o qual será submetido a frota de treinadores que poderiam ser destacados para as suas funções primordiais.


Opções de LIFT

Há hoje no mercado mundial de LIFT, vários modelos disponíveis, com capacidades e custos bem distintos, a  nossa análise foi focada em dois modelos pelo simples fato dos mesmos terem configurações e pesos semelhantes e serem demasiados parecidos com a ideia central desta matéria, ambos os escolhidos são ocidentais, seriam eles:

Alenia M-346 Master

KAI-T-50 Golden Eagle.

http://images.rcuniverse.com/forum/upfiles/24575/1498_2349.jpg


Na tabela que segue apresentamos as fichas técnicas de ambos os modelos e por elas podemos ter uma ideia das suas capacidades.

ALENIA M-346 MASTER KAI T-50 Golden Eagle
Velocidade de cruzeiro: mach 0,80Velocidade máxima: 1250 km/h

Razão de subida: 7620 m/min

Fator de carga: +8, -3 Gs

Potência: 0.85

Taxa de giro: 14.5º/s (sustentada)

Razão de rolamento: *240º/s

Raio de ação/ alcance: *1295km/ 2590km

Empuxo: 2 Fiat Avio F-124. GA-200 com 2780 kgf de potencia máxima.

Comprimento: 11,49m

Envergadura: 9,72 m

Altura: 4,98 m

Peso: 4.610 kg (vazio).

ARMAMENTO

Ar Ar: Míssil AIM 9 Sidewinder, Íris-T, Mica.

Ar Terra: Míssil Maverick, Bombas MK-82, MK-83, OPHER, Míssil antinavio MBDA Marte MK-2, canhão DEFA de 30 mm em casulo.Total de cargas externas: 3500 kg.

Velocidade máxima: 1550 Km/h
Velocidade de cruzeiro: 900 Km/h
Razão de subida: 10056 m/minFator de carga: 8, -3 Gs
Potência: 0.88
Taxa de giro: 19º/seg
Teto de serviço: 14800 m
Alcance: 1120 Km/ 2240 Km
Comprimento: 12,80 m
Envergadura: 9,10 m
Altura: 4 m
Peso: 6.263 Kg (vazio)
ARMAMENTO
Ar Ar: Mísseis AIM 9 Sidewinder, AIM-120 Amraam.
Ar Terra: Mísseis AGM-65 maverick, Bombas guiadas a IR e a laser (versão A-50), Bombas Mk82/83/84, e lançadores de foguetes.
Interno: 1 canhão M61 de seis canos calibre 20 mm

Como comparação para o que vamos propor, analisemos agora a o caça que apresenta-se em maior número na FAB, o F5 Tiger II que recentemente vem sendo convertido para o padrão F 5M, com um dos modelos concorrentes do programa FX 2 o postulante SAAB Gripen NG:

NORTHROP F-5 E/F M Tiger SAAB JAS-39 E/F Gripen NG

Velocidade máxima: 1743 Km/h

Velocidade de cruzeiro: 800 Km/h

Razão de subida: 10500 m/min

Potência: 0.69
Fator de carga: 7,33, -3,5 Gs

Taxa de giro: 20º/seg

Teto de serviço: 15790 m

Alcance: 445 Km(Hi lo Hi)/ 2483 km (Translado)

Empuxo: Dois motores General Eléctric J-85 GE-21B com 2200 Kgf de empuxo maximo

Comprimento: 14,45 m

Envergadura: 8,13 m

Altura: 4,08m

Peso: (vazio): 4392 Kg

ARMAMENTO

Ar Ar: Curto alcance: Míssil piranha, Míssil Python 3, Míssil A-Darter, Míssil Python IV, Médio alcance: Míssil MICA, Missil AIM-120 Amraam, Míssil R-darter, Míssil Derby, Míssil Python IV

Ar Terra: Mísseis AGM-65 maverick, Bombas Mk82/83/84, e lançadores de foguetes.

Interno: 1 canhão Pontiac M39 A2, calibre 20 mm

Carga externa máxima: 3175 KgVelocidade de cruzeiro: mach 1,2
Velocidade máxima: mach 2.0
Razão de subida: *15240 m/min
Potência: 0,93
Fator de carga: 9 Gs
Taxa de giro: 30º/s
Razão de rolamento: 220º/s
Teto de serviço: 16000 m.

Raio de ação/ alcance: 1300 km/ 4070km
Alcance do radar: Selex ES-05 Raven 120 Km
Empuxo: Um motor General Eléctric F-404G com 9790 kgf de empuxo máximo.

Comprimento: 14,1 m
Envergadura: 8,4 m
Altura: 4,5 m
Peso: 7100 kg.

ARMAMENTO

Ar Ar: Míssil AIM-120 Amraam, Meteor, Sidewinder, Iris-T, Python 4, Python V, A-Darter, AIM-132 Asraam, Míssil Derby

Ar Terra: Míssil AGM-65 Maverick, RBS-15F antinavio, Bombas guiadas a laser da família Paveway (GBU-10, 12 e 16), Bomba dispensadora de submunições DWS-39 planadora, Bombas da família JDAM, guiadas por GPS (GBU-31, 32, 38), míssil antinavio RBS-15, míssil Taurus KEPD 350, Bomba guiada por GPS Spice, Bombas de queda livre da série MK-80.
Interno: Canhão Mauser BK-27 de 27 mm com 120 munições.

Uma olhada atenta dos dados acima percebemos que alguns valores são próximos e outros até mesmo bem parecidos, isto é consequência de uma soma de fatores, onde por exemplo o F-5 foi originado de uma aeronave de treinamento supersônico(T-38 Talon que originou o F-5A e depois o F-5E), enquanto o KAI T-50 foi baseado em um motor conhecido e muito usado, sendo praticamente o motor que originou o F-414 do JAS-39 E/F NG, quanto ao M-346 ele foi concebido a partir da parceria da Alenia com a Yakovlev onde cada uma lançou o seu modelo(praticamente idênticos e com capacidades similares), estando aqui para questão de comparação.

A simples análise dos números e características técnicas das quatro aeronaves demonstra que o SAAB Gripen NG se encaixaria perfeitamente na categoria de LIFT. O que pode ter passado desapercebido pela fabricante sueca que teria já em suas mãos um poderoso LIFT que com pequenas modificações atenderia uma grande parte das forças aéreas do mundo com um vetor extremamente capaz e com características superiores aos modelos comparativos.

Quando pensei em escrever este artigo, há algum tempo, a tónica do FX 2 dava como certa a vitória ou do Dassault Rafale, ou FA 18 EF Super Hornet, naquela altura pensei neste artigo tendo como base o grande número de acordos de desenvolvimentos inclusive alguns já em franca operação assinados entre os grupos suecos e as contra partes brasileiras. E focando nisso acreditamos que a proposta da SAAB teria uma possibilidade de inserção no inventário da FAB, não como um caça FX 2 mas sim como um LIFT, o que seria uma saída perfeita para o SAAB JAS 39 E/F segundo a nossa ótica.

Nesta possibilidade aqui apresentada, este novo vetor poderia ser desenvolvido sem os compromissos dos prazos apertados e riscos de valores extrapolados para um caça de primeira linha. A ideia inicial seria partir da versão biplace do Gripen, equipada com os instrumentos necessários ao instrutor que poderia assumir os comandos de voo da aeronave quando necessário, mas que poderia converter este posto na posição do operador de armas, transformando o treinador em um caça com o simples acionamento de comandos digitais.

Desta forma, conceberíamos uma versão do Gripen LIFT como será denominado a partir de agora, poderia juntamente com um caça mais dimensionado servir de vetor LOW, e operar com o seu par num mix Hi-Low .

Gripen LIFT

Velocidade de cruzeiro: mach 1,2
Velocidade máxima: mach 1.2, tendo um bloqueio eletrônico ou simplesmente mecânico do After-bunner, caso ocorra necessidades operacionais o mesmo pode ser suprimido permitindo que se chegue a mach 2.0, isto proporcionará uma grande economia em combustível, motores e assim como na própria célula do vetor.
Razão de subida: *15240 m/min com after bunner, sem o mesmo algo próximo a uns 70% deste valor.
Potência: 0,93 com after bunner
Fator de carga: 9 Gs
Taxa de giro: 30º/s
Razão de rolamento: 220º/s
Teto de serviço: 16000 m.Raio de ação/ alcance: 1300 km/ 4070km
Alcance do radar: Apenas simulado ou algum outro de menor custo, mas com toda a capacidade de integração de um modelo AESA, podendo ser o SELEX ES-05 Raven de origem italiana ou outro que o usuário assim o solicitar.
Empuxo: Um motor General Eléctric F-414G com 9790 kgf de empuxo máximo.

Comprimento: 14,1 m
Envergadura: 8,4 m
Altura: 4,5 m
Peso: 7100 kg vazio aproximado.

ARMAMENTO

Ar Ar: Míssil AIM-120 Amraam, Meteor, Sidewinder, Iris-T, Python 4, Python V, A-Darter, AIM-132 Asraam, Míssil Derby, todos integrados e passiveis de serem utilizados, mas em função LIFT o mesmo sempre será usado limpo ou no máximo com 02 MAA WVR nos trilhos de ponta de asa.

Ar Terra: Míssil AGM-65 Maverick, RBS-15F antinavio, Bombas guiadas a laser da família Paveway (GBU-10, 12 e 16), Bomba dispensadora de submunições DWS-39 planadora, Bombas da família JDAM, guiadas por GPS (GBU-31, 32, 38), míssil antinavio RBS-15, míssil Taurus KEPD 350, Bomba guiada por GPS Spice, Bombas de queda livre da série MK-80. todos integrados e passiveis de serem utilizados, mas em função LIFT o mesmo sempre será usado limpo ou no máximo com 02 BRD (Bombs/Rockets Dispenser) SUU-20 nos cabides internos das asas.

Interno: Canhão Mauser BK-27 de 27 mm com 120 munições ou outro podendo ser o canhão Nexter M-791 de 30 mm caso o usuário assim o preferir.

A Eletrônica


Aviônica, podria ser baseada nos sistemas Elbit / AEL e que poderia ser composto por um cockpit NG composto de uma única Tela de LCD possuindo a capacidade de gerar várias janelas sobrepostas o que permitiria simular e reproduzir o cockpit dos demais vetores como o do caça principal o FX 2.

Ressalta-se que como todo o projeto 4 e 4.5 G o Gripen LIFT baseando-se no Gripen NG seria uma aeronave instável por projeto, e portanto teria a capacidade de ser programado para simular as características de vôo da aeronave treinada, como por exemplo as características de pilotagem, rolagem, arfagem, ângulos de pouso e outros.

Tendo este projeto a grande vantagem de se utilizar um bom caça para o desenvolvimento de um LIFT, ele reverteria o histórico de projetos não sucedidos de baixo custo com desempenho limitados. Neste caso o que aconteceria é justamente o contrário, pois a versão operacional seria um caça com grandes capacidades, perfeitamente dimensionados à sua categoria, sendo um vetor muito interessante para substituir os caças leves de gerações anteriores na FAB assim como de outras forças.

A FAB estaria também dotada de um LIFT com extraordinário raio de operação, superior aos demais concorrentes.

A outra vantagem é que este projeto do LIFT, poderia ser modificado para a versão operacional com a inclusão do Radar selecionado, desbloqueio do After-Bunner, inclusão dos pilones de armas assim como a reprogramação prévia do software de controle de voo para novas cargas.

Quanto ao radar, o mesmo poderia inclusive não necessariamente precisaria ser um modleo AESA de topo de linha, uma vez que, através do data link esta aeronave poderia receber os dados e parâmetros de voo e alvos a partir d eoutras plataformas, tal como o é feito nas operações ntre os E e R99 e AT-20.

As perspectivas para o programa FX-2, indicam que o escolhido seja realmente o Dassault Rafale F-3, o qual pude explicar na matéria anterior as razões para a tal decisão, quando falei dos motivos e vantagens (FX-2 – Uma visão crítica a respeito dos bastidores na LAAD-2011). Tendo em consideração esta decisão, presumo que, mesmo com toda a capacidade o caça da Dassault possui, este não irá conseguir substituir todos os vetores do inventário da FAB, pois o mesmo possui um custo alto e a demanda para a substituição total dos vetores exigiria mais de uma centena de aeronaves. Isto sem contar na quantidade de treinadores que presumivelmente seriam necessários para subistituir os Embraer AT-26 Xavante e AT 29 Super Tucano.

Conclusões

Partindo destes números e projetando um conceito HI-LOW na FAB, onde o modelo HI seria o FX2 e o LOW seria o Gripen LIFT, tendo o vazio deixado pelos Xavante preenchidos pelos novos Gripen LIFT ou se preferir, Grifo-T, poderíamos estimar em 2020 um total de LIFT, girando em algo em torno de umas 120 células espalhadas por vários pontos do território.

Quem sabe, outras 72 células do FX 2 nos esquadrões usuários do M-2000 e nos outros novos GDA, espalhados pelo Brasil.

Um detalhe que não devemos esquecer, que a compra destes vetores através deste projeto, faria que os acordos por hora assinados sejam cumpridos. Desta forma na eventual vitória do Rafale no FX2 e concepção do Gripen LIFT, dois dos atuais concorrentes seriam contemplados com contratos de desenvolvimento e parceiras de defesa com o Brasil, e no caso específico da Boeing, as opções poderiam ser muitas inclusive através de parcerias no desenvolvimento do KC 390 da Embraer.

Outro detalhe importante é que a compra destes caças não inviabiliza a participação do Brasil em um caça de 5ª geração como o noticiado com a Turquia ou até mesmo algo de 6ª geração o que poderia ser feito em parceria coma Boeing, pois com o ganho de conhecimentos adquiridos nestes dois projetos, a indústria nacional teria certamente o expertise necessário para entrar como parceira num programa mais ambicioso.

Fora isto a duplicidade do programa certamente acarretaria num maior comprometimento de ambos parceiros no que se refere ao ToT, pois querendo ou não dois caças ainda que de perfis distintos tal como o FX 2 o Gripen LIFT propostos, dariam ao Brasil e a FAB o poder de negociar mais profundamente a tão falada transferência de tecnologia.

NOTA:  As opiniões contidas neste artigo não necessariamente reflentem a opinão do site  PLANO BRASIL, mas sim, a do seu autor.

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