Defesa & Geopolítica

USAAF, um poderio com dias contados?

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Sugestão do Autor para o Plano Brasil

No dia 19 de setembro, a Força Aérea dos EUA disparou o que provavelmente seja o inicio de uma “guerra” prolongada e intensa pela modernização de suas capacidades, plataformas de combate e seus respectivos orçamentos futuros.

É preciso entender que mesmo sob um cenário econõmico mais otimista, os gastos com defesa vão diminuir significativamente ao longo da próxima década. Todos os programas e planos de modernização vão enfrentar sérios obstáculos orçamentários, o que em muitos casos determinará o fim de um em prol da continuação de outro de maior importância, pois os orçamentos projetados para a Defesa não irão comportar todos os programas necessários às forças norte-americanas. Resumindo, os tempos de recursos ilimitados para o desenvolvimento de sistemas e plataformas chegou ao fim, dando inicio à uma nova postura limitada no investimento em defesa imposta pelas atuais condições econômicas pelas quais passa a economia americana .

Em seu discurso em 19 de setembro o secretário da USAAF Michael Donley citou a necessidade de modernização de praticamente todos principais sistemas de armas e aeronaves. Tendo em vista o fato de que durante quase 30 anos a USAAF mantém as mesmas plataformas, no caso dos bombardeiros esse GAP atinge cerca de cinquenta anos, se limitando em muitos casos apenas na modernização das plataformas já operacionais ou na complementação dos meios já existentes por outros de mesma capacidade ou modernizados.

A força aérea possui um forte argumento em seu favor, mesmo que possua preeminência em áreas vitais como superioridade aérea, ataque de longo alcance, alcance global, domínio espacial e  dissuasão nuclear, exige uma revisão em praticamente todo seu inventário. Para termos uma noção desta necessidade, basta olhar atentamente para as capacidades deterioradas da força aérea em manter missões de reabastecimento aéreo, exibindo um inventário com aeronaves no fim de sua vida útil e sem apresentar uma solução adequada de curto prazo que não comprometa a capacidade de manter suas aeronaves no ar através de missões de REVO.

Outra lacuna que se mostra cada vez mais preocupante, diz respeito ao envelhecimento de seus caças de primeira linha. Não é surpreendente, a prioridade com que  é visto o programa F-35. Simplesmente, não há alternativa viável a curto ou médio prazo para o programa JSF, o que impõe uma enorme pressão para que haja sucesso neste programa que vem se arrastando por anos e consumindo vastos recursos.Outra prioridade é o novo bombardeiro de longo alcance. Segundo o secretário Donley, a Força Aérea deve investir em novas capacidades ISR ( Inteligency, Surveilance and Reconnaince). Então, ele acrescentou à lista novas aeronaves de reabastecimento e um upgrade nas capacidade ICBM.

Há uma questão predominante,  não se fala em oferecer apenas o melhor para a USAAF, mas sim em manter os EUA como uma superpotência militar global. Sendo necessário ter capacidade de dominar o espaço aéreo e impor a interdição aérea com uma capacidade de pronta resposta. Isso exige ser capaz de dominar  o  espaço aéreo hostil e limitar a capacidade de combate inimiga através da interdição aérea e terrestre proporcionada pelo poderio aéreo, prevalecendo hoje no campo de batalha a necessidade de uma alta capacidade ISR e o respaldo representado por uma capacidade de dissuasão nuclear capaz de impor respeito frente as ameaças modernas. A Marinha pode contribuir para a consecução desses objetivos com os seus porta-aviões e capacidades de ataque com mísseis de cruzeiro. Porém, vale lembrar que o dominio do espaço aéreo é indispensável para que esses meios navais possam atuar impunemente.

Assim, se os EUA pretendem manter sua vantagem militar diante do mundo terá de investir pesado em seu poder aéreo. Isto significa que, com a atual crise econômica que aflige os EUA e os cortes severos no orçamento de defesa daquela nação, é bem provável que venhamos a assistir uma redução na dissimetria hoje existente entre o poderio militar americano e o das demais potências mundiais.
Angelo D. Nicolaci
Editor GeoPolítica Brasil

Fonte: Geopolítica Brasil

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