Defesa & Geopolítica

Rússia e China vetam resolução contra Síria; Brasil se abstém

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Por Louis Charbonneau

A Rússia e a China uniram forças nesta terça-feira para vetar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU elaborada por nações europeias que condenava a Síria e indicava que o país poderia enfrentar sanções se a repressão contra manifestantes continuasse.

A resolução recebeu nove votos a favor e quatro abstenções, do Brasil, Índia, Líbano e África do Sul. Os votos de Rússia e China foram os únicos contra a resolução, que foi feita pela França, com a cooperação de Grã-Bretanha, Alemanha e Portugal.

“Hoje não podemos duvidar do significado deste veto a esse texto”, disse o embaixador francês na ONU, Gérard Araud, ao conselho formado por 15 países. “Esta não é uma questão de redação. É uma escolha política. É uma recusa de todas as resoluções do conselho contra a Síria.”

“Esse veto não vai nos parar”, acrescentou. “Nenhum veto pode dar carta branca para as autoridades sírias”.

O embaixador russo, Vitaly Churkin, afirmou ao conselho que o veto de Moscou reflete “um conflito de enfoques políticos” entre a Rússia e os membros europeus do conselho.

Churkin disse que Moscou estava firmemente contra a ameaça de sanções contra Damasco e reiterou sua preocupação de que se a resolução europeia sobre a Síria passasse, poderia ter aberto a porta para uma intervenção militar ao estilo da Líbia.

Churkin acrescentou, no entanto, que Moscou preferia que a Síria fosse “mais rápida com a implementação das mudanças prometidas”. Ele estava se referindo ao presidente sírio, Bashar al-Assad, que prometeu reformas democráticas.

O embaixador chinês, Li Baodong, disse que Pequim se opôs à ideia de “interferência nos assuntos internos (da Síria)”.

A decisão da Rússia e da China de usar seu poder de veto indica que o Conselho de Segurança pode ficar preso a um impasse de longo prazo sobre questões relacionadas ao Oriente Médio e aos movimentos pró-democracia da Primavera Árabe na região, disseram diplomatas ocidentais à Reuters.

Durante meses, Rússia, China, Brasil, Índia e África do Sul — os “Brics” – têm criticado os Estados Unidos e os membros europeus do conselho por supostamente permitir que a Otan ultrapassasse o seu mandato do Conselho de Segurança para proteger os civis na Líbia.

Nenhum país dos Brics apoiou a resolução contra a Síria.

Fonte: ReutersBrasil

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