Defesa & Geopolítica

EADS investe R$ 250 mi e quer dobrar receita no país

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Dinheiro será usado na construção de centro de excelência em sistemas de engenharia em segurança e defesa. Projeto é parte da estratégia para faturar acima de R$ 5 bi, até 2020.

Dubes Sônego

A crise econômica mundial de 2008 e as perspectivas de estagnação econômica de grandes mercados, como a Europa e os Estados Unidos, alçaram o Brasil ao topo da lista de prioridades da gigante aeroespacial e de defesa europeia EADS. Ao lado da Índia, o país é visto como uma das principais fronteiras de crescimento para os próximos anos, na medida em que outros mercados emergentes, como Rússia e China, oferecem restrições em algumas áreas. “No Brasil, podemos desenvolver todas as nossas atividades”, diz Louis Galois, presidente mundial do grupo. “Não há como escapar”.

Em 2010, o Brasil foi a origem de cerca de  1 bilhão (R$ 2,5 bi) dos  45,8 bilhões (R$ 115 bi) que o grupo faturou no mundo. Mas a expectativa é de que, até 2020, o número pelo menos dobre, dentro de uma receita global que deverá atingir então os  80 bilhões (R$ 200 bi).

O volume de negócios não é o único atrativo brasileiro. De acordo com Galois, o Brasil é visto como ideal também para o desenvolvimento de parcerias estratégicas e tecnológicas, como a firmada em 2010 com a Odebrecht, já que é estável politicamente, tem tradição em engenharia e dá segurança jurídica em propriedade intelectual.

Existe a possibilidade de aquisições e associações com novas empresas. E nem parcerias para projetos específicos com rivais como a Embraer, no mercado de aviação, são descartadas.

Por ora, porém, a estratégia para que asmetas de crescimento sejam alcançadas passa por projetos já em andamento, como a implantação de um centro de excelência em sistemas de engenharia para a área de segurança e defesa, em Itajubá (MG), junto à fábrica da Helibras, que pertence ao grupo. O projeto permitirá a adaptação de tecnologias desenvolvidas lá fora às necessidades do Brasil, diz Bruno Gallard, diretor presidente da companhia no Brasil.

Com orçamento de 50 milhões a 100 milhões (R$ 250 milhões), o centro de excelência ficará sob o guarda-chuva da Cassadian, braço de sistemas de segurança, e empregará dois mil engenheiros em dois anos.

Ampliação da fábrica Outro projeto importante para a expansão da EADS no país é a ampliação da fábrica da Helibras, onde serão construídos os helicópteros EC 725 encomendados pelas forças armadas. O andamento das obras, que deverão estar concluídas no início de 2012, foi um dos motivos que trouxe Galois ao Brasil, na semana passada. Outro, foram reuniões em Brasília com os ministros Celso Amorim, da Defesa; Aloizio Mercadante, de Ciência e Tecnologia; e Fernando Pimentel, de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Galois falou aos representantes do governo sobre os resultados dos investimentos feitos na Helibras. E ouviu sobre planos do governo que podem representar oportunidades de negócios para a EADS. Entre eles, alguns relacionados à Copa, às Olimpíadas e a um programa de comunicação e internet por satélite para a formação de professores em áreas remotas.

No Brasil, podemos desenvolver todas as nossas atividades Louis Galois

Fonte: Rio-Negócios

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