Defesa & Geopolítica

A difícil figura de Ministro da Defesa

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Autor: Carcará do Cerrado
Eis que posso dizer: “Eu vivi para ver isso”!

Não… Pode ser um exagero, mas em parte é verdade, vivemos para ver isso, ver o ministério da Defesa se tornar um prédio importante na esplanada dos ministérios, com holofotes voltados para ele e um orçamento que ao menos em teoria o torna chamativo e atraente na disputa entre a base do governo na partilha de ministérios.

Para o bem ou para o mal, aí está um legado, talvez o maior legago, de todo o trabalho executado desde a criação deste ministério e as duas gestões federais que passaram pelo país juntamente das diversas gestões ministeriais deixaram para o atual ministro e atual presidência da república.

Porém esta situação está longe de ser uma situação boa para o ministério.

A mídia passou a interferir demais nos assuntos de defesa e de fato na mídia nacional temos uma carência, ou melhor, uma quase inexistência de pessoal qualificado para tratar do assunto, criou um mar de informação e contra informação e a própria internet ajuda e atrapalha ao mesmo tempo neste sentido. O ministério então sofre pelo seu “crescimento” devido ao fato de que notícias sobre defesa começaram finalmente a “vender”.

Além deste cenário que requer habilidades maiores ao ministro da defesa temos a situação interna complicada do ministério, programas em andamento, organização de forças, egos de militares, questões federais alfinetando o ambiente militar e a necessidade de conquistar o respeito dos comandos militares que afinal possuem um tanto de dificuldade em aceitar mais um civil na cadeia de comando além da figura do Presidente da República.

Juntando tudo isso chegamos a conclusão dramática: como deve ser a figura para ocupar o posto de ministro da defesa?

Bem, comecei a tratar desse assunto devido a pequena nota tratando da possibilidade de Celso Amorim ser indicado para o comando da OIT, um cargo importante, de prestígio, politicamente é muito bom ao país possuir a maior presença possível neste tipo de instituição dadas as nossas ambições para o cenário internacional, porém precisamos de pensar em nossas questões internas antes.

Eu mesmo acredito que estamos fazendo de forma um tanto infeliz o caminho para ter vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. Temos muitas questões internas para resolver e mesmo que possamos fazer coisas em paralelo, a atenção as questões internas deve ser maior, muito maior.

Liberar Amorim em caso do mesmo ser convidado ou chamado é interessante? Ou se no caso for possível ao governo federal fazer a indicação de Celso Amorim a esta organização, seria realmente interessante indicá-lo a este posto e perder o Ministro da defesa forçando uma nova troca de ministro da pasta em menos de 6 meses?
Se for realmente interessante ao governo, necessário ou de acordo com nossas estrategias e políticas internacionais, então após a saída de Celso Amorim quem teríamos para substituí-lo?

Em uma nova confissão à todos os leitores eu realmente vi com muito receio a saída de Nelson Jobim da pasta pois não consegui conceber nenhuma figura do universo político do governo que pudesse assummir a pasta e lembrando que um militar da reserva causaria desconforto nas demais forças. Neste quadro Celso Amorim foi uma boa cartada, por mais que eu ainda me reserve o direito de manter uma certa desconfiança quanto a ele, de fato ele possuí conhecimento sobre o assunto em nível muito maior do que 99% dos parlamentares brasileiros.

A verdade é que Celso Amorim ainda não teve tempo e nem sequer condições de mostrar serviço, outro grande ponto é o fato de que após tantos anos à frente do MRE o ministro passou a ser figura muito importante no meio político nacional e internacional, é um nome com grande peso e sem escandâlos ou questionamentos sobre sua moral. No momento os comandos militares parecem conformados com a escolha do ministro e as notícias que circularam sobre a “oposição dos militares” quanto a sua indicação parecem ser realmente coisas do passado e de opinião de uma parte que me arriscaria até mesmo a dizer que seria uma minoria.

Mesmo que Celso Amorim não seja um nome que agrade a todos (situação que nome nenhum irá conseguir) acredito que não seja o momento de liberá-lo para assumir uma posição internacional, por mais até que o próprio Amorim anseie por um posto deste gênero eu novamente coloco a situação de que devemos pensar primeiro no país.

Claro que imagino que os leitores vão ter diversos possíveis nomes em mente para substituir o Celso Amorim e suponho que muitos querem mesmo que ele vá embora, mas trocas ministeriais dessa forma, duas em tão pouco tempo? Esse é o tipo de situação que não beneficia o ministério, ao contrário atrapalha, trabalhos que dependem do ministro acabam sofrendo com prazos devido a mudança de figura e o tempo necessário para a adaptação de um novo ministro, isso é normal e natural.

O grande e principal ponto é que o ministério da Defesa não pode virar moeda de troca do governo com a base aliada e não pode ser tomado por interesses de politicagem com um ministro que tenha interesse somente nos cargos de confiança e nos ganhos que terá para si e para seu partido. Não vamos tratar aqui de corrupção ou partidarismo pois esse assunto simplesmente não tem fim e muito menos solução ou acordo, mantendo o foco a questão é simples: A FIGURA DO MINISTRO DA DEFESA NÃO É MAIS UMA FIGURA POLÍTICA QUALQUER. É necessário muito cuidado, perícia e cautela para se escolher um novo nome em caso de saída de Celso Amorim.

Por mim e deixando claro ser uma opinião pessoal, espero que Celso Amorim faça em breve um “dia do fico”, na expectativa de que ele possa ter tempo de mostrar seu trabalho e demonstrar que a competência que teve de ficar tantos anos à frente do MRE pode se converter em bons frutos e um período próspero ao MD assim como foi no MRE.

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