Defesa & Geopolítica

Rasgem seus panfletos ideologicos e pensem a longo prazo

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A transferência de tecnologia militar

Por Cesar A

Comentário do post “Negociação de caças franceses fica para 2012”

Explicando um pouco essa história toda.

Na década de 70 os EUA investiram em uma tecnologia que desse uma vantagem dificil de superar sobre os soviéticos, criaram o “avião invisivel”, como estamos falando de aviação tática vou ficar no F-117, que é um interditor, um avião que ataca com precisão alvos dificeis e muito bem defendidos. Como avião em si o F-117 não é nada demais, ele é inferior aos caças convencionais contemporâneos dele, não tem armamento de autodefesa e tem pouca capacidade de manobra, uma presa facil, se localizada é claro.

Nos conflitos dos anos 90 o papel do F-117 foi de um coadjuvante importante, não foi decisivo em nenhum, por conta dos custos e dificuldades operacionais, foi mais umaviso para os adversários do poder potencial americano, mas de uma forma geral os conflitos continuaram sendo resolvidos pelos aviões de combate de terceira e quarta gerações.  A oposição que se colocava para o poder americano se materializava em grandes frotas de caças de origem soviética, aviões limitados quando comparados aos equivalentes ocidentais, mas muito mais baratos e numerosos. A experiencia israelense no uso dos F-15 e F-16 no combate as frotas árabes demostrou que uma frota relativamente pequena de aviões de elevado desempenho podia dizimar as frotas adversárias.

Os EUA então resolveram aprimorar o conceito de avião de supremacia aérea usado com os F-15 e F-14 e criar o de “dominator”, um avião com uma vantagem tão grande sobre os adverários, que mesmo em numeros nem tão grandes ele poderia acabar em pouco tempo com o poderio adversário, esse avião é o F-22, um caça que alia um desempenho ainda melhor com a tecnologia furtiva e novos sensores, combater ele com um avião coonvencional é como enfrentar de olhos vendados um adversário armado com um fuzil de longo alcance.

Na pratica o F-22 demorou mais do que o esperado para ficar disponivel e a custos muito alem do esperados, mesmo os EUA tiveram de reduzir as compras, e tentanto preservar a vantagem que a tecnologia envolvida nele oferece a NENHUM aliado foi oferecido esse avião, ele é a bala de prata do arsenal americano. O resultado disso é que, na prática, não aconteceu nenhum conflito onde as capacidades do F-22 foram exigidas, ele nunca combateu de verdade.

Diante disso novas abordagens foram criadas para exercer o poder aéreo, uma se baseia no uso de veiculos semiautonomos não tripulados de reconhecimento e combate, são bem mais baratos que aviões, sem perdas humanas portanto, algo relevante para o ocidente, ainda não tem papel muito importante, mas são uma tendencia a ser observada.

Diante dos altissimos custos e resultados muito limitados que a tecnologia furtiva proporcionou os EUA resolveram fazer algo de mais impacto, um programa muito amplo de renovação da frota da OTAN e principais aliados com um avião multifuncional de combate com tecnologia furtiva, um caça capaz e combate aéreo e ataque, surgiu o F-35, que com a expectativa de produção de milhares teve um preço unitario projetado inicial de US $ 70 milhoes, mas os custos estão subindo e o programa atrasando, hoje se estima que vai custar mais de 100 milhões a unidade e ainda existem problemas de desenvolvimento a serem resolvidos.

Diante desse cenário os principais antagonistas, em termos de tecnologia, ao poder americano, Russia e China, tiveram de buscar uma nova resposta, melhor que a simples vantagem de custo e numérica, se o F-117 era um incomodo e o F-22 uma ameaça séria o F-35 aparece como um desafio que não tem como ser ignorado e novas armas tiveram de ser criadas.

Os russos investiram pesado na criação de novos sistemas de defesa aérea e tambem em tecnologia furtiva, criando o T-50, um caça de alto desempenho, algo similar ao F-22, numa tentativa de anular a supremacia que os F-35 pudessem dar ao ocidente, o T-50 aposta em sensores sofisticados e desempenho elevado para anular o F-35. O problema do desenvolvimento do T-50 é que os russos não tem dinheiro para levar o projeto sozinhos, tem na India (que é inimiga do Paquistão, aliado da China) uma fonte de recursos. Existe uma tradição indiana de programas de desenvolvimento de armas com parceiros, programas famosos pelo superfaturamento, atrasos e produtos inferiores aos originais.

Um financiador perfeito para os russos, os indianos entram com a grana e ficam na espera da segunda versão do T-50, que, adequadamente, tem exigencias de projeto diferentes o suficiente para levar o programa deles a levar alguns anos a mais gerar um avião operacional que a versão russa.

Os chineses tem uma industria aeronautica de segunda categoria, basicamente copiam tecnologia, estão sempre um ou dois passos atrás dos russos. Eles tambem viram a necessidade de um caça furtivo, novamente procuraram a equipe MiG russa que forneceu o projeto do MiG 1.42 que foi “furtivizado”, o J-20, esse avião ainda é uma incognita, alguns dizem que tem o mesmo perfil operacional do T-50 e outros falam de um avião de interdição, de qualquer forma, mesmo com o rapido desenvolvimento, não deve estar disponivel antes de 2020.

Hoje usamos tecnologia ocidental, nossos produtos aeronauticos usam tecnologia americana, nossos principais mercados estão no ocidente, algumas ameaças a isso estão surgindo, Sukhoi criou um jato comercial equivalente aos nossos, os chineses estão criando uma parceria com a Bombardier… rasgem seus panfletos ideologicos e pensem a longo prazo.

Fonte: Luis Nassif Online

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