Defesa & Geopolítica

Primeiro-ministro turco diz haver motivos de guerra

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O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou em entrevista à Al Jazeera que o assalto ao navio turco da “Flotilha da Liberdade”, em 31 de maio do ano passado, teria constituído motivo bastante para uma declaração de guerra da Turquia a Israel. Isso, acrescentou, só não terá sucedido graças à “grandeza” evidenciada pela Turquia. Mas também foi dizendo que doravante a marinha de guerra turca não voltará a permitir que navios turcos sejam assaltados em águas internacionais.

A Agência noticiosa turca Anatolia publicou ontem à noite uma transcrição integral da entrevista de Erdogan, incluindo partes que não foram emitidas pela televisão qatariana Al Jazeera. Segundo o diário israelita Haaretz, a transcrição divulgada pela Anatolia parece ser da responsabilidade do gabinete de Erdogan. Aí se encontra uma das declarações mais explosivas do primeiro-ministro turco: “O ataque ocorrido em águas internacionais não respeitou nenhuma lei internacional. De facto, era um motivo para a guerra. No entanto, como é próprio da grandeza da Turquia, decidimos agir com paciência”.

Quanto ao futuro, nada parece garantir que a mesma paciência continue a pautar o comportamento dos militares turcos. Segundo Erdogan, “agora mesmo, sem dúvida, o primeiro dever dos navios da marinha de guerra turca é o de se protegerem a si próprios”. Seguidamente, explicou: “Este é o primeiro passo. E temos ajuda humanitária que queremos levar para lá [Faixa de Gaza, submetida ao bloqueio israelita]. Esta ajuda humanitária não voltará a ser atacada, como aconteceu com o Mavi Marmara”.

A revelação do teor de partes não publicadas até agora da entrevista coincide com a visita de Erdogan ao Egipto, um contexto em que as relações entre Israel e a Turquia foram praticamente cortadas, e as relações entre o Cairo e Tel-Aviv se encontram no seu ponto mais baixo desde a Guerra de Yom Kippur, em 1973. Israel, por seu lado, tem vindo a afirmar que manterá o bloqueio à Faixa de Gaza, mas que pretende trabalhar pelo restabelecimento das relações com a tradicional aliada Turquia. O único factor de tensão que, por agora, parece não ter sido activado é o da visita que se admitiu vir a ser feita por Erdogan à Faixa de Gaza. Mas o gabinete do primeiro-ministro turco já deixou claro que este não passará a fronteira do Egipto para Gaza.

Fonte: TV2.RTP

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