Defesa & Geopolítica

Rússia legitima utilização de suas Forças Armadas no estrangeiro

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O presidente russo assinou ontem as alterações à Lei da Defesa que autoriza a utilização das Forças Armadas nacionais no estrangeiro em casos de ataques contra forças de paz, bases militares, delegações diplomáticas ou cidadãos da Rússia, assim como contra piratas ou países que agridam os aliados de Moscovo. Alguns analistas consultados pelo RBC Daily afirmam que, na prática, esta lei não será aplicada fora do país.

“A nova lei pode ser perfeitamente utilizada como elemento de pressão política mas a sua implementação prática noutros países, por exemplo, no território da península ucraniana da Crimeia, não é provável”, considera Vladímir Yevséyev, analista militar do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais da Academia das Ciências da Rússia. “É uma lei técnica (…) Não tem nenhuma função autónoma e serve apenas como um complemento aos acordos internacionais com países específicos. Um hipotético ataque contra os marinheiros russos em Sevastopol, por exemplo, não significa que a Rússia tenha o direito de introduzir as tropas na Crimeia, pois a permanência de sua base naval na península está regulamentada e há um tratado russo-ucraniano “, disse Yevseyev.

Um ex-funcionário do Ministério da Defesa russo, Leonid Ivachov, pensa que a Rússia não tem tropas ou recursos suficientes para implementar a nova lei, mas reconhece que esta “é necessária” e “poderá ser aplicada nalgumas situações”. “Temos consultores em outros países que precisam de protecção, temos forças de paz e compromissos com os aliados e poderá surgir a necessidade de proteger estas pessoas”, disse ele.

Tanto Yevseyev como Ivachov concordam que o novo documento visa legalizar uma prática existente, porque, de facto, a Rússia já usou seu exército em várias ocasiões fora do território nacional, por exemplo, durante a guerra civil no Tajiquistão, na década de 90, ou na Ossétia do Sul em Agosto de 2008, ou para libertar o navio Artic Sea, com tripulação russa a bordo.

Fonte: Voz da Russia

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