Defesa & Geopolítica

Militares custearam isolamento de Brizola

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Ditadura pagou aluguel e alimentação de líder gaúcho por quase quatro anos

Inimigo número 1 da ditadura, Leonel Brizola teve as contas de aluguel e alimentação pagas pelo regime militar durante quase quatro dos 15 anos em que foi forçado a viver no exílio. O ex-governador recebeu US$ 30,1 mil da embaixada brasileira no Uruguai entre 1967 e 1971, época em que tinha de se manter a pelo menos 300 quilômetros de distância da fronteira.

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Documentos obtidos pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos descortinam detalhes da intimidade do líder trabalhista entre os anos de 1965 e 1971 no Uruguai. O ex-governador obteve asilo político em junho de 1964, um mês depois da fuga para o país vizinho. Radicado na capital, ele potencializou a ira dos generais brasileiros ao atrair uma romaria de simpatizantes para Montevidéu, enquanto acalentava o sonho de derrubar os militares do poder por meio de uma luta armada.

As atividades conspiratórias levaram a cúpula do regime a retaliar o exilado ilustre. Invocando a Convenção de Caracas, que arbitrava sobre as regras de asilo político em países sul-americanos, o governo brasileiro solicitou às autoridades do Uruguai, em 4 de fevereiro de 1965, que o gaúcho fosse enquadrado no regime de internamento. Brizola deveria ficar a pelo menos 300 quilômetros do território brasileiro, sob estreita vigilância.

Banido da capital, o então expoente do PTB transferiu-se para o balneário de Atlântida, a 45 quilômetros de Montevidéu, e reivindicou que suas despesas de moradia e alimentação passassem a ser pagas pelo Ministério do Interior do Uruguai. Como ele desfrutava do status de asilado, o Palácio Estevez concordou.

Em 1966, contudo, o esvaziamento das verbas para patrocinar o crescente número de perseguidos políticos de países vizinhos fez com que as autoridades uruguaias intimassem o Brasil a arcar com os gastos de Brizola. Em correspondência ao governo brasileiro, comunicaram que, se o Planalto pretendesse manter Brizola confinado, deveria arcar com os gastos. Interessados em manter o gaúcho distante, os militares aceitaram pagar a conta, estipulando uma diária de US$ 22 para o caudilho. A ajuda foi paga entre 10 de agosto de 1967 e 11 de maio de 1971.

– Brizola passou por dificuldades financeiras, mas reivindicou esse benefício por vingança. Ele afirmava: “Vocês querem me confinar, então, terão de me sustentar” – diz Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos.

Fonte: ZeroHora via Notimp

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