Defesa & Geopolítica

China compete com EUA por influência na África

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Por Peter Wonacott

A China está expandindo os laços políticos e econômicos nos países da África, o que aumenta cada vez mais sua influência e começa a preocupar o governo dos Estados Unidos.

Os investimentos e a ajuda de Pequim aos países africanos visam ampliar o acesso aos recursos naturais e à crescente classe média. Enquanto a China mergulha nas economias da região, líderes, da África do Sul à Etiópia, vem defendendo o modelo chinês de desenvolvimento — um modelo que se baseia em expansão liderada pelo governo, valida a mão forte no controle político e oferece um contraponto ao mantra de democracia e mercado livre promovido pelos EUA.

A forma como a China é recebida nas capitais contrasta com reclamações por todo o continente sobre como as empresas chinesas tratam os trabalhadores e lidam com o meio ambiente.

No Zimbábue, até mesmo a oposição ao presidente Robert Mugabe vê com bons olhos a estratégia comercial dos chineses de não ligar os negócios à política.

“O modelo chinês mostra que é possível ter sucesso sem seguir o exemplo do ocidente” disse o vice-primeiro ministro Arthur Mutambara, membro do partido de oposição que faz parte do estranho governo de coalizão de Mugabe, que por sua vez tem ligações profundas com a China.

Operário chinês com trabalhadores etíopes na capital Adis-Abeba, onde a China está financiando e ajudando a construir a nova sede da União Africana.

O maior doador estrangeiro para o Zimbábue são os EUA, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A maior parte da assistência chega através de organizações não governamentais, muitas delas críticas ao governo. Isso não é bem recebido por muitas autoridades. “A China é o meu país favorito” disse Mutambara, um político de 45 anos que estudou em universidades americanas.

Washington está de olho. Algumas autoridades americanas dizem que o número de governos africanos atraídos pelo modelo chinês de desenvolvimento é uma vantagem para as empresas da China em relação aos concorrentes americanos e reflete a ambição estratégica de Pequim para o continente.

“Está claro que o modelo de capitalismo estatal está sendo usado pela China como um instrumento do poder de influência”, ou “soft power”, disse Robert D. Hormats, subsecretário para Assuntos Econômicos do Departamento de Estado dos EUA.

A China diz que está simplesmente fazendo negócios, em grande parte para apoiar a própria economia doméstica, e desenvolvendo relações com governos africanos. Pequim não está fazendo propaganda de um modelo de desenvolvimento em detrimento da alternativa ocidental, disse Liu Gujin, representante especial da China para negócios com a África. “A China não quer exportar nossa ideologia, nosso governo, nosso modelo. Não o vemos como um modelo maduro.”

Muitos líderes africanos pensam diferente. A Etiópia, que recebeu mais de US$ 4 bilhões em assistência do governo americano desde 2007, elogiou o crescimento chinês e criticou a forma “band-aid” como o ocidente encara o desenvolvimento, com soluções temporárias mas que não eliminam a raiz dos problemas.

A África do Sul tem enviado membros do governo para a Escola do Partido Comunista em Pequim para aprender como administrar estatais visando lucros. A China está ajudando a Argélia, Nigéria, Zâmbia e outros países a criar zonas econômicas especiais — parecidas com os laboratórios industriais que impulsionaram a abertura chinesa para o resto do mundo.

Fabricantes de tecidos, empreiteiras e donos de restaurantes chineses seguiram os passos das estatais em direção ao continente. A combinação de capitalismo estatal com zelo empreendedor é um exemplo atraente para muitos líderes africanos que procuram impulsionar investimentos.

A China agora é o maior parceiro comercial do continente, passando os EUA. Mthuli Ncube, economista-chefe do Banco de Desenvolvimento da África, estima que 40% dos contratos de negócios assinados no ano passado envolveram empresas chinesas, contra 2% de empresas americanas.

Em Adis-Abeba, Etiópia, centenas de chineses e etíopes constroem a sede que vai receber os 53 membros da União Africana. A China está pagando a conta de US$ 200 milhões da construção da torre e centro de convenções.

As autoridades chinesas não estão competindo com os EUA por influência, dizem elas. “Não é China contra EUA. É o que quer que ajude os etíopes” disse Zeng Huacheng, que administra o projeto como conselheiro da embaixada chinesa na Etiópia.

Fonte: The Wall Street Journal

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