Defesa & Geopolítica

O Kremlin se distancia da OTAN

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Andrêi Tsigankov, para Gazeta Russa

Em razão de divergências e desentendimentos em relação a suas políticas, a possibilidade de uma cooperação estreita entre Estados Unidos e Rússia no setor de segurança é cada vez menor.

Desde que as relações entre os EUA e a Rússia foram reestabelecidas, o país aprendeu a colaborar com o Ocidente em diversos assuntos, que vão desde os problemas do Irã e do Afeganistão até o controle de armas nucleares. Entretanto, os esforços para melhorar este vínculo parecem ter parado no tempo. Atualmente, a impressão que dá é que existe um crescente descontentamento de ambas as partes em relação às suas respectivas políticas de segurança.

Recentemente, o secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, criticou a dura reação da Rússia aos planos de instalação de um sistema de defesa antimísseis na Europa. O governo do país, por sua vez, ameaçou desenvolver novos mísseis balísticos de alcance intercontinental, desencadeando uma nova corrida armamentista. Com evidente desgosto, Rasmussen reprovou a postura arcaica de Moscou. “Não somos uma ameaça Rússia, não atacaremos e não comprometeremos a segurança da Rússia”, disse.

O Kremlin argumenta que os planos de defesa antimísseis da Otan podem enfraquecer a segurança do país até 2020, ano em que será implantada a quarta fase do sistema, e que as suas demandas têm sido recebidas pela organização com respostas vagas e descompromissadas. Ainda assim, está empenhado em melhorar as relações de segurança com o Ocidente. Com iniciativas que vão da fusão de sistemas de defesa antimísseis à negociação de um novo tratado de segurança pan-europeu, o governo russo evidencia o desejo de desenvolver uma confiança mútua, própria de verdadeiros aliados, com a outra parte. No entanto, Rússia e EUA nunca foram capazes de superar o caráter de parceiros ocasionais ao longo de sua história.

A Rússia condena o Ocidente por sua relutância em estabelecer um novo nível de relações, mas os Estados Unidos nunca esconderam o que esperam deste relacionamento: mais favores de Moscou, que incluem a autorização para se traçar rotas para o Afeganistão e pressões contra o Irã para que os acordos sobre redução de armas nucleares sejam cumpridos. O Kremlin deseja algo em troca e, enquanto suas demandas forem recebidas com indiferença, as relações dificilmente serão totalmente restauradas.

Existem outros assuntos que dividem as duas partes. No fim de 2010, Moscou abandonou a iniciativa de negociar um novo tratado de segurança com as nações europeias por não ter contado com o apoio das autoridades da Otan nem dos EUA durante a tarefa. Mais tarde, o Kremlin criticou a forma como o Ocidente lidou com o crise no Oriente Médio.

Na verdade, o motivo pelo qual a política americana pretende reconfigurar a sua relação com a Rússia está mais associado à crise econômica local e ao temor dos competidores estratégicos como China e Irã, além dos problemas gerados pelo radicalismo islâmico. Ciente disso, o Kremlin procura mais do que ser um simples canal para os objetivos dos Estados Unidos.

Os EUA devem passar do medo à confiança, mas isso requer uma nova visão para que a natureza dos laços de segurança com a Rússia seja transformada. Na ausência desta perspectiva, é provável que uma surja nova rodada de hostilidades caracterizada pelas percepções conflitantes entre as intenções dos dois países.

Para que essa situação fosse evitada, Rússia e EUA deveriam determinar quais são as suas metas em longo prazo. Isto poderia ser avaliado por um conselho consultivo russo-ocidental, composto por especialistas em política externa, a ser criado justamente para esta finalidade. A medida poderia ajudar a reduzir os receios, estereótipos e mal-entendidos que existem nos dois lados.

Numa perspectiva ideal, este processo levaria a um acordo sobre as ameaças comuns enfrentadas pelos dois países, incluindo a propagação do extremismo islâmico na Ásia Central – e, talvez, na Rússia – quando as forças americanas deixarem o Afeganistão. Assim, um caminho poderia ser aberto para estabelecer uma nova cooperação de segurança coletiva para a Eurásia e a Europa.

Tsigankov é professor de Ciências Políticas na Universidade de São Francisco.

Fonte: Gazeta Russa

13 Comments

  1. 1maluquinho says:

    É mesmo e alguma vez ja estiveram proximos rsrs rsrs Essa frasezinha vou guardar para a posteridade “A RUSSIA JAMAIS SERA CÃO DE GUARDA DA OTAN” Valeu Rasputin

  2. Aliás, o Ursso está palitando os dentes esperando a próxima refeição , a última foi de alemães, quem será o proximo? sds.

  3. Lucas says:

    Eu ja havia falado. Fiquemos de olho que esta guerra fria ainda volta, mas tenho uma frase a ela: ” Paz impossivel, Guerra improvavel” . Mas nao sei se os EUA venceriam esta nao…

  4. Dandolo says:

    A Rússia foi traida pelos americanos e europeus após a sua abertura política e econômica. O que fazer agora ? Eles querer ver os russos de joelhos.
    Putim está certíssimo em não abrir a sua guarda, mas os russos gostam de apoiar reis e ditadores, o que não é bom para a melhora da humanidade.

  5. ViniciusSH says:

    Nossa vcs me fazem rir hhhahahahha
    Se o mundo todo se juntar em uma guerra contra os Eua o mundo pode com sorte até vencer mas não “vai valer a pena”.
    Militarmente o Eua é imbatível .A Russia nem chega a 10% do que é os eua.

  6. Falken says:

    Tá mal informado você vinicios o arsenal nuclear da Russia ainda é maior que o do tio sam só para o senhor saber só os topol russos da conta de pulverizar a America do norte.

  7. Leandro Mendes says:

    Falken, na verdade ninguém sabe quanto há de armas nucleares de cada lado, eu acho que nesse quesito Rússia e EUA são equivalentes.

    Porém em se tratando de armamento convencional, o grosso do equipamento russo está uns 20 anos defasado, afinal o SU-35 está saindo de fábrica agora, e serão só 48 inicialmente… S-500 é projeto ainda idem Pak-Fa, Bulava não é operacional etc…

  8. lucena says:

    QUEM DISSE QUE O CRIME NÃO COMPENSA?
    .
    .
    Nunca existiu por ambas as partes;(OTAN,EUA) x Russia resolver as sua divergências na área militar,existe muito dinheiro nisso,a paz não dá lucro só a guerra e o medo é que dá.
    .
    No momento de crise o Ocidente(Europa e EUA),é nas crises e nas guerras onde eles se locupletam com os recursos dos outros,está ai a Líbia pagando uma festa para esses papudos.

  9. NobruRJ says:

    “mas os Estados Unidos nunca esconderam o que esperam deste relacionamento: mais favores de Moscou, que incluem a autorização para se traçar rotas para o Afeganistão(CONTROLE DOS GASODUTOS) e pressões contra o Irã para que os acordos sobre redução de armas nucleares sejam cumpridos(PROTEÇÃO PARA ISRAEL). O Kremlin deseja algo em troca e, enquanto suas demandas forem recebidas com indiferença, as relações dificilmente serão totalmente restauradas.”
    —————-
    Viu Brasil, como é que as coisas funcionam no mundo real? Se você quer alguma coisa, primeiro me dê algo em troca que valha a pena. Caso contrário passar bem.. O dia que o Brasil passar a pensar e agir assim. Será rapidamente alçado ao status de “potência”, “exemplo”, “líder regional”, e outras bajulações mais..
    ( ainda tem muita gente sonhando com a tal transferência total de tecnologia dos caças..Ah!)

  10. R22 says:

    Com o fim do comunismo e o desmantelamento da URSS, os russos vem se aproximando como nunca do Ocidente compartilhando inclusive tecnologias militares como o caso da compra do Mistral francês e oferecimento inclusive ao Brasil de total TT no caso do SU-35 que em ambos os casos sao armas super modernas. Já a OTAN todos já viram que Nao se pode confiar neles, o que com os russos Nao e diferente. A OTAN perdeu totalmente seu significado com o fim da guerra fria, assim como o pacto de Varsóvia que já Nao existe mais, inclusive já Nao sendo visto com tal importância nem por muitos de seus próprios membros que cada vez mais diminuem seu orçamento para mante-lo. O perigo para o mundo agora e essa “procura” da OTAN pelos “vilões”, ainda que fictícios, para justificar essa necessidade de sua existencia e manter seus gastos militares que movem a gigante industria militar desses países. Ou seja, Nao só a Russia como tbm outros países, incluindo o Brasil, devem mesmo se preocupar com a postura da OTAN e “aliados” pois agora o possível inimigo já Nao sao mais os comunistas, sao aqueles que pensávamos ser os mocinhos antigamente.

  11. pe de cao says:

    fazem bem os russos de nao acreditarem nesses gringos sionistas pois nos acredditamos neles e recebemos so migalhas

  12. Blue Eyes, Na Resistência says:

    “recebemos so migalhas” porque agimos como gentalha… trabalho e afinco na construção do pais e menos planos mirabolantes ajudariam… peleguismos com russos também não ajuda… alias, com nenhum outro… postura altiva, mas com resguardo militar é tambem um modo de ser respeitado… já disse… essa postura diplomatica em cima do muro que estamos usando a algum tempo vais nos custar muito futuramente…

  13. Darth Sidious says:

    So os BRICS poderão resolver esse conflito das massas, atravez do jeito brasileiro de resolver as coisas paz é amor, ou força é razão salvarão nossa pele precisamos de um Presidente que esteja a altura desse pais não um que serve as elites, mandam é desmanda no nosso país, prova alguém se perguntou porque a mulher da estatua da liberdade esta estampada no nosso dinheiro, é mudou o nome para Real, séra que foi homenagem de FHC, a familia britanica, ou para agrada os investitores de Wall Street, tem masons que são do bem mais é os do maul que praticam o Rito Escoces, pesquisem é estudem ou sejam ludibriado é enganados pelos os politicos, a verdades eles nuncam mostram empurram a bagunça para debaixo do tapete.

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