Defesa & Geopolítica

As três esferas dos BRICS

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Vladislav Kuzmitchov, Gazeta Russa

“Os BRICS se tornará realmente um instrumento de influência sobre a política mundial nas mãos dos países em desenvolvimento”, afirma Serguei Vassiliev, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Rússia.

Tudo indica que Jim O’Neill, do grupo Goldman Sachs, repetirá o caminho dos grandes visionários do passado, cujas ideias acabavam virando realidade. Os BRIC (BRICS após a adesão da África do Sul), uma sigla artificial criada por ele para facilitar a leitura de seus textos analíticos, vem se tornando um mecanismo genuíno e funcional de influência do mundo em desenvolvimento no sistema econômico mundial.

“A crise de 2008 e 2009 se tornou um divisor de águas tanto dentro do grupo como nas suas relações com o mundo exterior”, afirma o presidente da Câmara de Comércio Brasil-Rússia Serguei Vassiliev, um dos participantes da reunião de cúpula dos BRICS realizada no ano passado na China. “Durante a crise, verificou-se que esses países se mantiveram muito estáveis ao longo da crise. Os países do G7 deixaram de ser o motor da economia mundial. Os membros dos BRICS, em particular, e o mundo em desenvolvimento, no âmbito geral, tomaram para si essa função”, completa.

A recente adesão da África do Sul tornou o grupo realmente global: agora, nele estão representados todos os continentes do planeta. “Por se tratar de uma união mundial, a diferença de interesses não é fundamental. Pelo contrário, pois talvez a vantagem seja exatamente o fato de que cada um dos países enxerga o mundo por seu próprio ponto de vista. E essa troca de opiniões pode ser bastante útil”, avalia Vassiliev.

No período da crise, o membro dos BRICS mais prejudicado foi a Rússia, que sofreu uma das quedas mais sensíveis da última década em seu PIB. O especialista, porém, considera que, desde o início do século, o país obtém um ritmo bastante estável de crescimento econômico. Além disso, está à frente das demais nações nesse quesito. “A Rússia representa 3% do PIB mundial. Mesmo em seus melhores dias, a União Soviética possuía 8%, sendo que a maior parte dos países em desenvolvimento era simplesmente miserável na época”, declarou o entrevistado.

Vassiliev considera que os BRICS se tornou autossuficiente e, de suas políticas, dependerá a situação mundial em pelo menos três esferas: finanças mundiais, consumo de energia e mercado de alimentos. “Ele surgiu em um cenário de tendências extremamente negativas no sistema financeiro mundial e de enfraquecimento das posições de todos os centros monetários mundiais: EUA, a Europa e o Japão. Na realidade, o grupo está diante de um dilema: insistir na reforma do sistema financeiro mundial – e na tentativa de aumentar a participação de suas moedas na balança do FMI – ou criar seu próprio mecanismo, alternativo ao do Fundo Monetário Internacional”, garante.

Na opinião dele, Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul possuem os recursos financeiros necessários para escolher a segunda alternativa. “A dúvida não tem a ver com dinheiro, mas sim com praticidade: um fundo próprio significaria a criação de um órgão supranacional de controle, o que seria um enorme desafio”, ressalta.

Vassiliev afirma ainda que, independentemente da escolha dos BRICS, o sistema financeiro internacional deverá passar por uma transformação, com o aumento da importância do ouro. “O dólar não será substituído num futuro próximo, embora as perspectivas da moeda americana sejam incertas. Assim, é muito provável que o ouro novamente terá o seu espaço. A China ainda não é um país forte o suficiente para que o yuan se torne a moeda internacional e dificilmente isso acontecerá nos próximos dez anos. Isso não significa que o mundo voltará ao antigo padrão ouro, que existia até 1973. Mas é inevitável que seu papel se torne mais importante”, explica.

Quanto à influência dos BRICS sobre o consumo de energia, o presidente da Câmara de Comércio Brasil-Rússia admite que a disposição da China e da Índia de utilizar mais ativamente tecnologias e fontes alternativas vai depender da balança energética do planeta.

Segundo ele, o perigo reside atualmente no fato de que os dois países se encontram em uma etapa primária de industrialização, na qual não apenas a economia cresce, mas também o uso de eletricidade. E a balança energética planetária anda bastante tensa. O crescimento econômico da China, de 10% ao ano na última década, resultará em um inevitável aumento nos preços desses recursos. É ainda necessário lembrar que a Índia, a Rússia, a China e o Brasil são as maiores potências continentais, de cujos recursos ambientais todo o mundo depende.

No que se refere à agricultura, Vassiliev destaca que 42% da população mundial vive nos países dos BRICS, que ocupam 26% da superfície do planeta. A forma pela qual se dará a dinâmica de produção e utilização de produtos agrícolas nos países do grupo dependerá fundamentalmente do mercado internacional de alimentos. Para o analista, os principais fatores de tensão são a rápida urbanização de China e Índia e o aumento abrupto dos padrões de consumo, que deverá provocar um crescimento acelerado da demanda por artigos do gênero nos próximos cinco a dez anos.

Fonte: Gazeta Russa

13 Comments

  1. Lucas says:

    O brasil devia estar em um patamar a cima, mas se nao estamos, so podemos culpar um gruo de pessoas que esta a ganhar pelo zelar do povo e do pais e como na cidade la: Usa o $$ publico da rede de saude por exemplo para fazer Churrasco com Picanha????

  2. Vai melhorar no dia em q cobrar-mos esses senhores ..E ñ vai demorar mt, estamos ficando cansados.Sds.

  3. Rafael-JF says:

    Brasil tem tudo nas mãos para ter um futuro glorioso.
    O problema é a falta de nacionalismo e essa politicagem que só atrapalha.

  4. Nilo says:

    Um ponto interessante e que nos toca é a possibilidade de criar um sistema financeiro alternativo.
    Quando o autor diz ” insistir na reforma do sistema financeiro mundial ” acredito que essa opção já não existe o Brasil vem aperfeiçoando com a China – Argentina e outros um sistema de trocas comercias sem que envolva o dolar e sim moedas nacionais dos envolvidos.
    O que favorece a segunda opção ” criar seu próprio (os BRICS) mecanismo, alternativo ao do Fundo Monetário Internacional “.
    O que pode não se efetuar, mais a sua proposição criara pressão em cima do velho sistema existente ” o dolar como referencia de moeda mundial “.
    De qualquer forma o papel do Brasil é fundamental dentre os paises do BRICS já que ele tem sido o grande incentivador dessas novas propostas e um pais que possui um sistema financeiro experiente, seguro.
    A Bolsa de Valores, o Banco Central, o Sitesma Financeiro Nacional e sua automatização é referencia mundial para qualquer pais do mundo.
    SDS a todos.

  5. Calheiros says:

    Meu caro Carlo, isso jamais acontecerá pois sempre fomos e sempreseremos um país de covardes e medrosos,haja visto a situação que vemos por air.Onde nossos hospitais estão a bancarota, nosso transporte publico é um caos e nimguem tem a coragem de ir as ruas fazer passeatas parar o transito, fechar a entrado dos orgãos publicos e por diante.Jamais seremos como alguns povos de coragen e sangue nos olhos.

  6. Darth Sidious says:

    Um país não é forte por causa da política, mais sim quando o governo tem compromisso com o povo, é humbridade com a nação, com um Exército Forte, até mesmo os Grandes os Respeitam ao os fragos querem respeito isso é muito falta de vergonha na cara, no dia que investirem 10% do nosso PIB, em Educação,Saúde,Exército,Industrias, é principalmente, nos nossos jovem todos deviam se alistar obrigatóriamente, servido o país é acabar com essa lei de ecesso de contigentes, não temos nem 1% da população nas forças armadas para se ter uma idéia paises como China,EUA,Russia,França,Inglaterra estamos anos luz, de cermos uma nação equitativa é qualitativa perante esses paises, so vejo alguns querendo trabalhar por esse pais mais a maioria so pensa em roubar o dinheiro público, quando esses paradigmas forem quebrados daremos os primeiros passos para sermos uma potência.

  7. StadeuR says:

    Concreto e abstrato.
    O poder econômico está nas mãos de quem tiver riquezas concretas :
    Arroz, feijão, soja, milho , petróleo, biocombustível, minérios simples e nobres, capacidade de consumo, etc, etc. Brics tem isso, é concreto.
    Os outros possuem riquezas não suficientes ou virtuais ou muita propaganda ou muita ameaça ou muita inveja.Tudo abstrato.
    Só há uma esperança para eles , uma grande guerra pra destruir tudo e começar de novo, é como reiniciar o computador.

  8. Dandolo says:

    Muito bom o BRICS.

  9. 1maluquinho says:

    A muito tempo bato nesta tecla que o seculo 21 marcara uma nova ordem mundial fundamentada no entendimento e na capacidade de construir parcerias ou amizades para suprir necessidades.Titulos e papeis tem valores perenes e a ostentação e o consumismo derrota os glutões compulsivos.China e India são os maiores produtores de frutas e depois vem o Brasil,os 3 e a Russia tem produções de grãos expressivas mas os grãos produzidos no mercado Chines não supre suas necessidades.O que movimenta a economia é o comercio e não mais bancos e financeiras.Hoje os maiores credores são justamente a Europa-Ocidental e os EUA.No caso dos EUA ainda se tem um pouco de esperança pois alem de forte industria pesada possuem uma forte agroindustria.A Europa agoniza e não produz nem o essencial basico para suprir seu povo e necessita mas como ter dinheiro se o mercado economico endividado sucumbe.Temos que priorizarmos capacidade de beneficiamento para decolarmos de vez e não mais permanecermos numa posição medieval extratora de materias.Enquanto o Brasil não se tornar capaz de beneficiar seus produtos e materias continuaremos crescendo com aquecimento interno de consumo e alta carga tributaria onde basta que o consumo baixe para despencar tudo.Independencia de decisão do proprio destino e associação com os BRICS é o caminho.Insistir na teimosia com Lobos é a certesa da dependencia.E voces acreditam que os moribundos investiram sobre os que florescem na esperança de manterem hegemonia,tirem seus cavalinhos da chuva pois alem de não estarem em condições seria para eles um suicidio pois quem dá tambem leva e levar ja cambaleando é lona certa.A Inglaterra e outros paises Europeus ja encontram dificuldades de manterem suas infraestruturas de guerra imaginem com um conflito de grandes proporções.

  10. antonio says:

    E ái Serguei Vassiliev, que tal dar toda a tecnolóia do SU 35 BR para o Brasil. Do parafuso ao motor, radar, misseis, etc.. Dessa forma o Brasil podera dar toda a assistêcia de manutenção e venda de caças sovieticos para toda a america latina. Tirando toda a influência USA do continente, e deixando os EUA puto da vida.

  11. NobruRJ says:

    Fazer o dever de casa(educação, FORÇAS ARMADAS, infraestrutura, limpeza da corrupção, etc)internamente para resolver nossos problemas. E união de interesses com os BRIC nas questões externas…Fazendo assim, o século XXI será nosso tranquilamente.
    —————-
    > EUA: Ao que tudo indica afundarão em dívida e possível separatismo..
    > Europa: Passará “fome” tendo a sua cultura indígena nativa exterminada pelos imigrantes islâmicos da África e Oriente Médio. Fim da União Europeia. Tensão e lutas raciais.
    > África, e Oceania: Serão mercados consumidores e zonas de influência dos BRIC

  12. pe de cao says:

    como o russo falo temos 26% do territorio do globo ficou pequeno para o g6 agora é tudo nosso e queremos mais vamos começar comprando os caças russos para nossa politica ser mais independente dos interesses escusos dos gringolinos

  13. 1maluquinho says:

    A maior necessidade nesse dever de casa BLUE EYES é ter capacidade de beneficiamento que isto empurra tudo o mais.Não adianta so educação,infraestrutura e saude pois continuaremos a passos de Jabuti do Serrado.O Brasil precisa ter capacidade de beneficiar produtos.

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