Defesa & Geopolítica

ONU vai propor envio de missão de paz à Líbia

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Ban Ki-moon solicitará ao Conselho de Segurança que tropas garantam estabilidade na transição

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pedirá que o Conselho de Segurança das Nações Unidas considere o envio de uma missão de paz à Líbia para evitar que o país mergulhe ainda mais em uma onda de vinganças mútuas. A meta é garantir que as condições de segurança permitam a transição política. Os rebeldes pediram oficialmente a Ban que a ONU “lidere” a reconstrução.

O envio da missão teria uma função política também: superar a divisão internacional sobre o futuro do país e dar um sinal aos países dos Brics e da África de que não haverá uma ocupação da Líbia pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A missão não necessariamente teria tropas, podendo assemelhar-se à enviada ao Timor Leste.

Ban decidiu propor a missão depois de uma reunião com a União Africana, com a Liga Árabe e com a União Europeia. “Estamos em uma fase distinta e decisiva”, disse Ban. Para ele, seria “desejável” ter na Líbia ao menos um grupo das tropas da ONU.

França e Grã-Bretanha têm liderado uma aliança que defende o reconhecimento imediato do novo governo rebelde e a convocação de uma reunião de cúpula para o dia 1.º de setembro em Paris para estabelecer um plano de ação para a reconstrução. China, Rússia, Brasil e a União Africana dizem que só decisões tomadas na ONU por todos poderão ser aceitas no que se refere à Líbia.

O Itamaraty ainda não definiu sua presença na reunião. A resistência ao projeto francês para a Líbia tem pelo menos dois motivos: evitar a repetição da invasão do Iraque e garantir que todos os contratos da Líbia estejam abertos para a comunidade internacional – não apenas aos países que pagaram pela guerra.

Em meio a combates, o Conselho Nacional de Transição (CNT) iniciou ontem a transferência de suas atividades de Benghazi para a capital. O Ministério da Segurança Nacional, órgão que centralizava as operações de polícia e dos serviços secretos e a repressão aos dissidentes, será a sede do governo provisório de Trípoli.

Nesta sexta pela manhã, o Estado entrou no prédio. As salas – entre os quais a de Moutassim Kadafi, filho de Muamar Kadafi e chefe da segurança interior do país, indicavam a passagem dos rebeldes. Móveis e aparelhos eletrônicos estavam depredados, e documentos sigilosos, revirados. Os rebeldes encontraram passagens secretas e um servidor informático que, suspeitam, reúne as informações de milhares de presos políticos.

Jamal Al Hariri, um dos futuros responsáveis pelo conselho de Trípoli, não acreditava no que via no interior do prédio. “Nem nos meus sonhos pensei que conheceria este lugar por dentro”, disse. “Quando passava do lado de fora, eu o odiava, porque era o centro nervoso de todo o sistema de segurança e repressão do país.”

Fonte: Estadão

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