Defesa & Geopolítica

Novo movimento guerrilheiro ameaça segurança paraguaia

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http://www.aler.org/produccioninformativa/multimedia/img/cs140110pa.jpgPor Larry Luxner

Quando se fala de organizações extremistas violentas na América Latina, as FARC, da Colômbia, o Sendero Luminoso, do Peru e o Los Zetas, do México não podem ficar de fora.

Mas agora, o Paraguai enfrenta um problema semelhante com o aparecimento de uma insurgência guerrilheira pequena, mas potencialmente perigosa, o Ejercito del Pueblo Paraguayo (Exército do Povo Paraguaio).

Praticamente desconhecido há alguns anos, o EPP agora é um nome famoso no país de 6,4 milhões de habitantes, após uma série de sequestros e atentados esporádicos ostensivos contra as forças de segurança do governo.

O Conselho de Assuntos Hemisféricos (COHA) diz que um dos alvos de sequestro mais famosos do EPP foi Fidel Zavala, que sobreviveu a um calvário de 94 dias até ser finalmente libertado em 17 de janeiro de 2010. O grupo terrorista é também acusado de ter raptado e posteriormente assassinado Cecilia Cubas, filha do ex-presidente paraguaio, Raul Cubas.

Inspirado por revolucionários comunistas, como Ernesto “Che” Guevara, o EPP parece ser um dos primeiros grupos extremistas violentos com uma clara ideologia marxista-leninista a surgir na América Latina desde o fim da Guerra Fria.

“Infelizmente, como a história de movimentos insurgentes em geral parece mostrar, há um amplo espaço para ‘crescimento’ quando se trata de suas possíveis operações futuras”, diz um estudo do COHA publicado no mês passado. “O EPP já é um interessante estudo de caso para os acadêmicos, mas para o governo paraguaio é uma nova ameaça à segurança que precisa ser enfrentada. Hoje, o Paraguai é, infelizmente, uma nação pobre e subdesenvolvida, em extrema necessidade de desenvolvimento em todos os aspectos. Mas, melhorar as condições de vida de sua população não é tarefa fácil. A última coisa que este país precisa é de uma brutal guerra de contra-insurgência, como a que alguns de seus vizinhos têm atravessado recentemente.”

Larry Birns, diretor executivo do COHA, acha que o EPP “é capaz de causar danos simbólicos simplesmente divulgando notas ameaçadoras” – mas não está claro quanto estrago o grupo pode causar de fato a essa altura.

“A essa altura, eles certamente não representam tamanha ameaça se comparados a outros grupos armados da América Latina, como as FARC, e seus contingentes são provavelmente muito pequenos. Nossa suposição é que este grupo seja, talvez, formado por indígenas, universitários e membros descontentes do Partido Liberal Radical (PLR)”, afirmou. “Mas seu fator ameaçador aumentou nos últimos meses.”

Nos últimos 18 meses, o EPP intensificou suas operações drasticamente. Em 21 de abril de 2010, uma troca de tiros entre seus integrantes e as forças de segurança paraguaias na província de Concepcion resultou na morte de um policial e de 3 seguranças particulares, o que levou o presidente Fernando Lugo a declarar um “estado de exceção” e a lançar uma ofensiva militar.

O ministro do Interior, Rafael Filizzola, acusou ainda o EPP de planejar uma série de atentados a bomba pelo país, como a explosão que feriu 5 pessoas em 17 de janeiro de 2011 na cidade de Horqueta. Em julho de 2011, o EPP assumiu a autoria de um ataque em uma fazenda no departamento de Concepcion, próximo à divisa do Paraguai com o Brasil, em que maquinários agrícolas foram destruídos.

Michael Shifter, presidente do Diálogo Interamericano, afirmou que há evidências de que o EPP recebeu treinamento de guerrilha das FARC e “está obviamente engajado em atividades criminosas” – mas que, “com apenas cerca de 100 integrantes, não conseguirá derrubar o governo paraguaio. Mesmo assim, há uma preocupação no país de que o grupo representa uma ameaça crescente à estabilidade.”

David Spencer, professor de estudos de segurança da Universidade de Defesa Nacional de Washington, explicou em uma análise de 2009 que os integrantes do EPP se encaixam em uma destas 4 categorias: “combatentes em tempo integral; combatentes em tempo parcial ou milícias; forças de suporte logístico e apoio político e propaganda interna e externa.”

Spencer calcula que o EPP tenha cerca de 60 combatentes em tempo integral, incluindo seu líder, Osvaldo Villalba, e os subordinados Manuel Cristaldo, Juan Arrom e Alcides Oviedo. Carmen Villalba, que se autoproclama porta-voz do EPP, afirma que o apoio a seu grupo vem do “povo paraguaio, do setor popular, de gente que foi eternamente enganada, discriminada, pisoteada.”

Fonte: Diálogo

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