Defesa & Geopolítica

Na Líbia, as companhias de petróleo "entram na guerra"

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A batalha não terminou ainda em Trípoli, mas a disputa pelas reservas de petróleo líbio já começou.

Cliford Krauss, The New York Times

Antes do estouro da rebelião em Fevereiro, a Líbia exportava 1,3 milhões de barris por dia. Embora isso seja menos de 2% do estoque mundial,  poucos países podem suprir esta oferta da qual muitas refinarias ao redor do mundo dependem. O retorno da produção irá jogar pra baixo o preço do petróleo na Europa, e indiretamente, baixar a gasolina na Costa Leste dos Estados Unidos.

As nações ocidentais – em especial aquelas pertencentes à OTAN, que está dando o crucial suporte aéreo aos rebeldes – querem assegurar o primeiro lugar na repartição do petróleo líbio.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse na televisão estatal, que a companhia de petróleo italiana Eni será “a No 1 no futuro” do país africano. Frattini assegurou que os técnicos da Eni já estão a caminho da região leste da Líbia para reestabelecer a produção. (A Eni por sua vez, rapidamente, negou o envio de qualquer pessoal para uma área de conflito deflagrado, que representa a maior parte do petróleo que é importado à Itália).
A Eni, assim como a BP inglesa, a Total da França, a Repsol YPF espanhola e a OMV da Áustria ,eram as grandes produtoras na Líbia antes do estouro dos combates, e continuarão no topo após o fim do conflito. Empresas americanas como a Hess, a ConocoPhilips e a Marathon também fizeram acordos com o regime de Kaddafi, apesar da importação líbia representar menos do que 1% da quantidade que os americanos necessitam.
Por enquanto não está claro se o governo rebelde irá honrar os contratos assinados por Kaddafi  ou acabará negociando novos acordos com as companhias interessadas em explorar os atuais campos de petróleo e aqueles  que virão a ser explorados.
Antes mesmo de tomarem o poder os rebeldes sugeriram que se lembrariam de seus amigos na hora de negociar os contratos.
“Nós não temos problemas com as empresas das nações ocidentais como italianos, franceses e britânicos”, afirmou Abdeljalil Mayouf, porta-voz da companhia de petróleo rebelde, a Agoco. Entretanto, em entrevista a agência de notícias Reuters, o mesmo afirmou: “Mas talvez tenhamos divergências políticas com a Rússia, a China e o Brasil”.
Rússia, China e Brasil não participaram das sanções ao regime de Kaddafi e na maior parte das vezes defenderam um fim negociável para o conflito. Todos os três países possuem grandes empresas que estão em busca de acordos e novas oportunidades na África.
O Coronel Kaddafi provou ser um parceiro problemático para as nações ocidentais. Frequentemente ele aumentava a taxação sobre as empresas e fazia exigências. Um novo governo com laços fortes com a OTAN seria o parceiro ideal para as nações ocidentais negociarem. Alguns especialistas dizem que com a mão amiga, as companhias e petróleo poderão encontrar muito mais reservas na Líbia do que era possível sob as restrições e exigências do governo de Kaddafi.
Alguns analistas do setor petrolífero dizem que as companhias estrangeiras, em especial a Total e a Eni, competirão para firmar contratos nas melhores reservas, com o lobby dos respectivos governos a seu favor. Mas primeiro os rebeldes têm de consolidar o seu poder sobre o país.
“Se você não possui um ambiente seguro, quem terá coragem de colocar os seus trabalhadores de volta na Líbia?”, disse Helima Croft, analista geopolítica da Agência de Capitais Barclays.
A guerra civil forçou a maioria das companhias de petróleo a retirarem o seu pessoal, diminuindo a produção diária nos últimos meses a ínfimos 60mil barris por dia, de acordo com a Agência Internacional de Energia. Isso representa 20% das necessidades domésticas do país. Inicialmente, os rebeldes seriam capazes de exportar uma pequena parte da produção que está ancorada nos portos e vendê-la para o mercado internacional através do Catar.
Estudiosos afirmam que levará mais de um ano para a Líbia se reconstruir e colocar sua produção petrolífera a todo vapor, apesar de uma corrente afirmar que isto seria possível em poucos meses.

Tradução: Pedro Henrique Silva

Fonte: APN

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