Defesa & Geopolítica

Tropas russas participarão de atos para lembrar guerra na Ossétia

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EFE  —  Soldados russos desdobrados na Ossétia do Sul participarão nesta segunda-feira de atos públicos para lembrar o terceiro aniversário da guerra que levou Rússia e Geórgia ao conflito no território separatista, reconhecido como independente pelo Kremlin.

“O comando da quarta base militar formou e começou o treinamento do grupo de boas-vindas formado por um pelotão e uma companhia da guarda de honra”, declarou o coronel Igor Gorbul, chefe de imprensa do comando russo Distrito Militar do Sul, citado pela agência de notícias “Interfax”.

Durante vários dias de homenagem aos mortos em combate, serão montados na base militar russa de Tskhinvali dois cinemas de campo, que exibirão imagens dos eventos de agosto de 2008.

Após a formação das tropas, haverá um comício solene e haverá um minuto de silêncio em homenagem às vítimas. Em seguida, os soldados deixarão flores nos muros do quartel militar destruído há três anos no decorrer dos combates.

O conflito armado pelo controle do território separatista da Ossétia do Sul, que eclodiu oficialmente no dia 8 de agosto, custou a vida de 67 soldados russos, enquanto, do lado da Ossétia do Sul, morreram 162 militares e civis.

A Geórgia perdeu 170 militares, 11 policiais e 219 civis nacionais em consequência dos ataques e bombardeios russos de três anos atrás.

Geórgia lembra 3º aniversário da guerra contra a Rússia

A Geórgia lembra neste domingo o terceiro aniversário da guerra contra a Rússia com papoulas vermelhas de homenagem, flor escolhida como símbolo para a memória dos mortos em combate no agosto de 2008. Papoulas vermelhas de papel se repartem por toda a capital, Tbilisi, às vésperas do aniversário: em lojas e postos de gasolina, e também nas grandes empresas e organizações.

O conflito armado pelo controle da região separatista Ossétia do Sul, que, para a Geórgia, eclodiu no dia 7 de agosto de 2008 (8 de agosto, oficialmente) e custou a vida de 170 militares, 11 policiais e 219 civis georgianos em consequência dos ataques e bombardeios russos. Entre as fileiras pró-Moscou, que acusou Tbilisi de tentar reconquistar o território separatista e apresentou a entrada de suas tropas na Geórgia como uma operação de “imposição da paz”, perdeu 67 uniformizados durante aquele conflito bélico, enquanto por parte da Ossétia do Sul morreram 162 militares e civis.

Depois da guerra, Rússia reconheceu a independência das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia – a cujos habitantes já tinha concedido sua nacionalidade -, estabeleceu com elas relações diplomáticas, assinou acordos de assistência em caso de agressão externa e desdobrou bases militares nas duas repúblicas. Como resultado de tudo isso, as relações diplomáticas entre Rússia e Geórgia seguem rompidas, enquanto a Suíça faz a mediação entre os dois países.

“O restabelecimento das relações diplomáticas está longe e só poderia resultar de árduas negociações. A Geórgia nunca fechará os olhos ao fato de que a Rússia possui embaixadas em Tskhinvali e Sukhumi (capitais da Ossétia e da Abkházia, respectivamente)”, disse à Efe o ex-embaixador da Geórgia em Moscou Zurab Abashidze. Atualmente, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, oferece às autoridades russas um diálogo incondicional prévio, mas o líder russo, Dmitri Medvedev, declarou que não falará com o dirigente georgiano, a quem chamou de “criminoso”. “Para mim, Saakashvili é uma pessoa de quem nunca vou apertar a mão”, declarou Medvedev.

“É péssimo que Moscou não abandone posturas radicais. A União Europeia estudou as circunstâncias da guerra. Suas conclusões, (…) dadas como válidas e objetivas por Moscou, (…) dividem a responsabilidade. Quando se lê atentamente o documento, mais responsabilidade (da guerra) recai sobre a Rússia”, destacou Abashidze, por sua vez. A Geórgia também não faz nada para resolver as questões pendentes com a Abkházia e Ossétia do Sul, segundo o analista Georgui Jutsishvili, diretor do Centro Internacional de Estudo de Conflitos e Negociações. “Hoje, a situação nas relações com a Abkházia e Ossétia do Sul é muito pior que há três anos”, indica.

Ele lembra que a guerra fez novos refugiados na Geórgia e não há diálogo entre georgianos, abkhazes e ossétios, aos quais o Governo de Tbilisi chama de “marionetes” da Rússia. “Esperávamos que a sociedade internacional estabelecesse outra política (para a Rússia) que ajudasse à libertação (da Ossétia do Sul). Mas o que vemos é a redistribuição das forças na Europa em favor de construir relações paritárias com a Rússia, sobretudo por parte da França e Alemanha”, lamentou Jutsishvili.

Paradoxalmente, as empresas russas controlam alguns dos setores estratégicos da economia georgiana. Exemplo disso é que 75% da Companhia de Distribuição de Energia de Tbilisi pertence a uma empresa russa, o que não impediu que a energia elétrica fosse mantida na capital georgiana inclusive durante os cinco dias que durou a guerra de 2008. “Não abrimos nossas portas aos tanques russos, mas nossas portas e nossos corações estão abertos para os investidores e os turistas russos”, disse Saakashvili há dois anos.

Mais de 131 mil turistas russos visitaram a Geórgia neste ano, 50% a mais que no mesmo período de 2010, informou à Efe a Agência Nacional de Turismo georgiana.

Geórgia lembra 3º aniversário da guerra contra a Rússia Fonte: Terra

Tropas russas participarão de atos para lembrar guerra na Ossétia —  Fonte: Terra

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