Defesa & Geopolítica

Colômbia quer aliança com Brasil contra crise

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Por Sergio Leo

Uma semana depois de defender uma coordenação dos países da América Latina para enfrentar a crise financeira, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, defendeu ontem aliança com o Brasil para coordenar a ação contra as consequências negativas da crise, com a retração de mercados nos países desenvolvidos e a valorização das moedas da região.O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acompanhava Santos em um seminário sobre os dois países, sugeriu ao auditório repleto de empresários a criação de um fundo para investimento em infraestrutura com as reservas internacionais dos países sul-americanos.

“Quando me perguntam o que quero ser quando crescer, respondo que quero ser como Lula”, brincou o presidente colombiano, explicando que gostaria de também sair do governo com 80% de popularidade e forte redução da pobreza. “Apenas pretendo fazer isso em quatro anos”, acrescentou, fazendo rir os quase 500 empresários que participaram ontem do 1º Fórum de Investimentos Colômbia-Brasil, promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

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“A resposta é crédito, crédito crédito”, discursou Lula, ao sugerir que o governo colombiano dê atenção especial ao financiamento do consumo à população de mais baixa renda. O exemplo do Brasil no combate à pobreza e na pesquisa agropecuária foi citado por autoridades e empresários colombianos como modelo a ser aproveitado na economia do país, que, segundo prevê o presidente do BID, deve se tornar, em cinco anos, a segunda maior economia da região, ultrapassando a Argentina.

O possível uso das reservas internacionais para investimentos na região é algo a ser visto com cautela, segundo disse ao Valor o ministro da Fazenda da Colômbia, Juan Carlos Echeverry. “Não se pode interferir na independência dos bancos centrais, que são independentes”, comentou. Ele contou que tem conversado sobre as propostas para a coordenação contra a crise com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, com quem participará da reunião de ministros da Fazenda da Unasul, em Buenos Aires, segundo proposta levantada por Santos.

Uma das ideias dos colombianos é o reforço do capital de entidades financeiras regionais, como a Corporação Andina de Fomento e o Fundo Latino Americano de Reservas, fundo já existente com recursos da região, mas de pequeno alcance.

O seminário do BID concentrou-se, porém, na discussão sobre investimentos e interesses comerciais nos dois países, que recebeu apoio veemente dos dois governos.

Quatro governadores brasileiros participaram do encontro, Geraldo Alckmin (PSDB), de São Paulo, Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, e Cid Gomes (PSB), do Ceará. Em conversa com o presidente Santos, Alckmin ouviu do presidente que ele pretende ir a São Paulo, em sua próxima visita ao Brasil. O governador paulista acertou com o Ministério do Comércio a ida de uma missão de empresários ao país.

O presidente do BID, Luis Alberto Moreno, alertou para a crescente chegada à região de investidores da Ásia. O investimento direto estrangeiro chegou a US$ 49 bilhões na Colômbia em 2010, dos quais US$ 17 bilhões vieram da China, lembrou. “O crescimento de investimentos ilustra o que está em jogo nessa década”, comentou Moreno, ao defender que o principal motor do desenvolvimento nos próximos anos serão as “relações Sul-Sul”.

Santos e autoridades dos dois governos, como o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, defenderam investimentos conjuntos para ampliar a rede de banda larga no continente. “Quando fazemos conexão com a Colômbia precisamos passar pelos Estados Unidos”, criticou o ministro das Comunicações. Os investimentos em infraestrutura nos dois países chegam a dezenas de bilhões de dólares nos próximos dois anos, disse o diretor-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht.

A Colômbia já recebe investimentos em “níveis asiáticos”, de cerca de 28% do Produto Interno Bruto, comentou o presidente da Associação Nacional de Empresários da Colômbia (Andi), Luis Carlos Villegas. Otimistas em relação ao aumento nas relações de investimento e comércio entre Brasil e Colômbia, os empresários dos dois países se queixam, porém, da existência de obstáculos ainda fortes. Villegas comenta que há excesso de burocracia no Brasil e muitas barreiras não-tarifárias a mercadorias colombianas, como as regras fitossanitárias.

Ressalvando estar “muito otimista” com as perspectivas da Colômbia, Marcelo Odebrecht alertou que há dificuldades de financiamento de longo prazo para projetos de infraestrutura, apontados em todo o seminário como fundamentais para garantir a ampliação dos investimentos e do comércio.

“Tanto Brasil quanto Colômbia vão bater de frente nisso”, avisou o executivo. Quem financia esse tipo de investimento no Brasil é quase exclusivamente o BNDES, e não há mecanismos de proteção para que as empresas contratem financiamento em moeda estrangeira, comentou. “Nem o BNDES nem os bancos locais colombianos serão suficientes para o desafio.”

Fonte: ValorOnLine

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