Defesa & Geopolítica

Cúpula militar turca demite-se em bloco

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Sem apresentarem justificações, vários chefes militares turcos demitiram-se em bloco. Entre eles, o general Isik Kosaner, chefe do Estado-maior, e os comandantes do Exército, Marinha e Força Aérea.

Não estão claros os motivos desta demissão, mas tudo aponta para divergências com o Governo sobre a promoção de generais detidos e suspeitos de conspiração.

Atualmente, 42 generais estão presos por alegadas conspirações para derrubar o governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2002.

O Exército quer que os militares beneficiem de uma promoção mesmo que estejam na cadeia à espera do fim do julgamento. Já o Governo quer que eles sejam reformados.

As demissões surgem na sequência de vários encontros recentes entre o chefe de estado-maior e o primeiro-ministro turco com o intuito de preparar o encontro do Conselho militar supremo (YAS), marcado para o início de agosto, e que decide as promoções na hierarquia militar.

A saída das chefias militares poderá ter um impacto mais alargado na Turquia, país com o segundo maior Exército da NATO.

Fonte: EURONEWS

15 Comments

  1. Eles tem princípios e estão defendendos os mesmosJá no sul maravilha….lamentável.

  2. Dandolo says:

    A coisa está feia por lá. O povo turco está apoiando quem ?

  3. Wi says:

    Há uma divisão na Turquia entre forças políticas secularistas pró-ocidente/EUA/Israel e forças pró-Islam, que favorecem uma aproximação maior com o Iran.
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    Abdullah Gül (Presidente da Turquia) e Recep Tayyip Erdoğan, primeiro-ministro, ambos do Partido da Justiça e Desenvolvimento, normalmente referido como AK Parti,um partido de identidade islâmica que tem a maioria dos assentos na Grande Assembleia Nacional da Turquia, constituem as forças pró islam (moderadas).
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    Os militares turcos estão mais ligados as forças secularistas e pró ocidente (EUA/OTAN/Israel)…Uma mistura de militarismo nacionalista com liberalismo político de inspiração ocidental.
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    Não acredito que esta auto demissão da cúpula militar turca tenha relação com pressões externas, más neste momento há tensões em torno da atitude que a Turquia deve tomar em relação a Siria e Libia (e Iran…).
    Certamente deve haver pressões do EUA no setor em que mais possuem capacidade de influencia na Turquia, quer dizer, em cima dos militares turcos…

  4. Joel says:

    Promoção para quem esta na cadeia só para quem é do PCC não das forças armadas…rsrs
    Partido no poder ha 10 anos não tem nada de errado, Ninguem é obrigado a votar na oposição após o fim de um mandato.
    Militares podem e devem participar da vida politica do pais enquanto cidadãos, mas NUNCA fazer uso do aparelho para conspirar.
    “Mutatis mutandi” quando vemos um Nelson Jobim falando que votou em um e esta sendo ministro de outro, notamos como a democracia avançou em nosso país.

  5. Rogerio Schneider says:

    Tem que ter saco para aguentar um primeiro-ministro islamita retórico e hipócrita, como o Erdogan.
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    Por outro lado, os turcos se merecem. Cometeram o genocídio dos armênios, oprimem os turcos, invadiram Chipre. Agora fazem a demagogia de apoiarem os palestinos.

  6. HMS TIRELESS says:

    Pela constituição local cabe às forças armadas o papel de guardiãs do Estado Laico e, de fato, as forças armadas representam a maior força política. Ocorre que o atual partido no poder na Turquia tenta de todo modo roper com isso e islamizar o Estado.

  7. HMS TIRELESS says:

    Entretanto,após os arroubos de 2010(co-participação na conferência de Munique ops, no acordo nuclear de Teerã e esfriamento nas relações com Israel após o incidente da autodenominada “flotilha da liberdade), a Turquia vem voltando ao prumo. O PM Erdogan atacou veementemente a repressão de Bachar Al Assad e também atuou para impedir o Mavi Marmara, nau capitânea da autodenominada “flotilha da liberdade”, de participar de uma nova aventura.

  8. Alexandre says:

    A Turquia tem um excelente exército e uma força aérea de respeito, se essa balança pesar para os palestinos a coisa vai ficar preta para os Israelenses, aliás já estão torando aço com síria e Irã, imaginem essa agora da turquia.

  9. Nilo says:

    Golpistas é o que são.
    Qual estado laico que não tenha influencia religiosa Cuba, China, Russia?
    Alguem pode sustentar que o Estado Americano não tem influencia judaica-cristã?.
    Ou esquecemos por exemplo do governo Bush.
    Abs

  10. HMS TIRELESS says:

    Nilo:
    Golpistas por que? O papel de guardião da laicidade do estado turco foi garantido constitucionalmente às forças armadas de lá. Não é um papel que foi auto-conferido.Quanto à religião uma coisa é ter influência da religião no Estado, o que é natural pois a máquina estatal também é composta por pessoas. Outra coisa bem distinta, e é o que o AKP tenta fazer, é a religião tomar o estado para si coisa que, conforme vemos no trágico exemplo iraniano, não é boa.

  11. Wi says:

    28/7/2011, M K Bhadrakumar, Asia Times Online
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    Por algum tempo, recentemente, Israel acalentou esperanças de reaquecer os laços hoje moribundos que a ligaram à Turquia, no campo da segurança; e de construir um movimento de pinça ascendente, contra a Síria, pelo norte e pelo sul. As coisas até pareceram estar andando bem nas últimas semanas, rumo a uma normalização das relações Israel-Turquia, com diplomatas dos dois lados trabalhando para neutralizar a amarga lembrança do ataque israelense contra o comboio humanitário que tentava chegar a Gaza vindo de Istambul, ano passado; naquele ataque, morreram nove cidadãos turcos.
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    Mas a coisa novamente desandou,
    no sábado, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ao falar numa conferências de enviados palestinos em Istambul, disse, na presença de Mahmoud Abbas, da Autoridade Palestina: “A menos que recebamos pedido formal de desculpas pela morte de nove cidadãos turcos, até que suas famílias sejam indenizadas e até que o bloqueio de Gaza seja completamente levantado, as relações entre Turquia e Israel não serão normalizadas”. E ameaçou visitar Gaza.
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    Ancara sabe que são exigências humilhantes que, ainda que o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu desejasse atender, num espírito de realpolitik ou pragmatismo, não seriam aceitas pela opinião pública em Israel. Pode-se concluir que os turcos estão trabalhando exclusivamente para dificultar o mais possível, para Israel, o trabalho de recompor as relações entre os dois países. Repentinamente, os turcos parecem ter perdido o ímpeto na direção de “normalizar” as coisas com Israel (como os norte-americanos desejam), na atual conjuntura.

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    A secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton visitou a Turquia há dez dias e fez inúmeras declarações elogiosas ao grande destino da Turquia como líder no Oriente Médio. O novo diretor da CIA-EUA, David Petraeus, também passou pela Turquia, na viagem de volta aos EUA, ao deixar o comando no Afeganistão. Tudo levava a crer que a Turquia morderia o fruto-tentação de aceitar alguma proposta para agir como cabeça de ponte, numa intervenção concertada, contra a Síria.
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    Mas Ancara avaliou cuidadosamente as vantagens de pôr-se como agente instigador de uma mudança de regime em Damasco. E parece ter chegado à conclusão de que os perigos que se criariam para sua própria integridade territorial ultrapassam em muito qualquer vantagem geopolítica que Washington possa prometer. Em palavras mais simples: não interessa à Turquia ser vista como ‘aliada’ de Israel nesse momento. E assim, desmoronam quaisquer esperanças que Israel acalentasse de começar a romper seu isolamento regional, reinventando um eixo Israel-Turquia, contra a Síria.
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    O que preocupa Ancara é que os desenvolvimentos na Síria parecem estar tomando rumo perigoso na direção de guerras religiosas, sem qualquer tipo de contenção possível, como as guerras religiosas que devastaram o Líbano nos anos 1980s – o que seria terrível, em país tão próximo da Turquia.
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    Se irromper na Síria uma guerra civil semelhante a que houve no Líbano, será apenas questão de tempo, e a Turquia também se incendiará. Os xiitas e alawitas na Turquia (cerca de 20% da população turca) envolver-se-ão instintivamente na guerra síria.
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    Mas o risco contra o qual a Turquia tem realmente de precaver-se é a quase inevitável reação dos curdos, cujos primeiros sinais começam a aparecer. O apoio da Turquia à oposição síria já expôs alguns sinais da proximidade entre os curdos e Damasco.
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    Em resumo, Ancara sabe que patina sobre gelo muito fino, se contribuir para empurrar o regime sírio na direção de uma posição sem volta.
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    A questão da interferência da Turquia na Síria já levou os destacados líderes curdos Jalal Talabani (que é presidente do Iraque) e Massoud Barzani (que é presidente da Região Curda) a manifestarem apoio a Damasco. (O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, também manifestou solidariedade ao regime sírio, ao assinar acordo para fornecer 150 mil barris de petróleo à Síria.).
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    Noutro momento, foi vitória histórica da “diplomacia coercitiva” da Turquia que, em 1998, Ancara tenha reunido tropas na fronteira síria, ameaçando invadir o país e, com isso, conseguiu literalmente obrigar Damasco a aceitar a “desmilitarização” das regiões de fronteira com a Turquia – e a expulsar Ocalan.
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    Agora, no contexto de uma possível interferência turca na atual situação, Damasco já enviou forças especiais para a região da fronteira com a Turquia, depois de 13 anos de “desmilitarização” daquela área.
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    Além disso, Damasco optou por mandar para a fronteira a 15ª Divisão de seu exército, formada predominantemente de sunitas e comandada por oficiais sírios sunitas – esvaziando o fácil pressuposto dos turcos, de que os oficiais sunitas do exército sírio estariam a ponto de desertar e abandonar o regime de Assad.
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    Em termos gerais, Israel acertou ao avaliar que os turcos começam a entender a mensagem de Assad, e preparam-se para alinhar-se ao lado do regime sírio.
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    Ancara já começa a baixar o tom da retórica anti-Síria e gradualmente está retomando sua velha plataforma de “zero problemas” com os vizinhos difíceis.
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    Ironia, nesse processo, é que Ancara também está sendo compelida a retomar termos mais amigáveis com o Irã e lançou ofensiva militar concertada contra guerrilheiros curdos no norte do Iraque, depois que 13 soldados turcos foram mortos, dia 14 de julho, na província de Diyarbakir, no leste da Turquia.
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    Em movimento brilhante, de timing impecável, o exército do Irã iniciou operações dia 16 de julho contra os rebeldes curdos nas montanhas Kandil no norte do Iraque. Paralelamente, os militares turcos também iniciaram operação no território iraquiano próximo da fronteira, na província de Hakkari, no leste da Turquia.
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    Ancara está fazendo o que pode, declarando que as operações iranianas e turcas não foram coordenadas. Talvez não, no plano oficial. Teerã não desmentiu. Mas os israelenses são suficientemente espertos e sabem perfeitamente bem o que está acontecendo – que alguém está trabalhando para refrescar a memória dos turcos, obrigando-os a considerar que ainda há um problema curdo não resolvido; que Ancara tem de prestar atenção aos curdos; e que, quanto a isso, Turquia, Síria, Iraque e Irã têm interesses comuns.
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    Evidentemente, Israel concluiu que o eixo Síria-Irã permanece intacto em larga medida, apesar da descomunal pressão que faz a Arábia Saudita, para que Assad rompa com Teerã; que o regime sírio absolutamente não está à beira do colapso, apesar da pressão organizada que sofre da Turquia, da Arábia Saudita, da França e dos EUA;
    Israel constata que a Turquia já começou a retroceder, na trilha que poderia levá-la a intervir na Síria.
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    Em resumo, o espectro que ronda Israel é que, se os tumultos na Síria começarem a arrefecer, a atenção da comunidade internacional inevitavelmente voltará a concentrar-se na questão palestina. Abbas ainda não desistiu de obter da ONU que reconheça o Estado da Palestina, na próxima sessão da Assembleia Geral, emNew York, em setembro.
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    A surpreendente declaração do presidente Peres é esperta tentativa para (re) incendiar a questão síria. Interessa muitíssimo a Israel que, no caso de que irrompa na Síria outra guerra civil nos moldes da guerra do Líbano, árabes, curdos e turcos ponham-se a matar-se uns os outros.
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  12. Nilo says:

    Caro HMS TIRELESS um interessante artigo do ” Deutsche Welle ” publicado no Correio do Brasil em 30/7/2011 8:41.

    Estes senhores tomaram tão ação em apoio a militares golpistas presos. Se o processo esta viciado cabe ao juridico decidir
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    Operação “Marreta”

    A Turquia possui o segundo maior contingente militar entre os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Suas poderosas Forças Armadas se consideram defensoras do legado secular do fundador da nação Mustafa Kemal Atatürk, e nos últimos 50 anos derrubaram vários governos.

    Por meio de uma série de reformas, o premiê Erdogan pôs fim a essa dominância. Uma de suas metas é, assim, melhorar as chances de o país ser admitido na União Europeia. As relações entre os militares e o AKP, partido islâmico-conservador do chefe de governo, são tensas, desde a primeira vitória eleitoral deste, em 2002. Nas eleições parlamentares de junho último, o AKP voltou a ganhar pela terceira vez, angariando 50% dos votos.

    A desvantagem dos generais tornou-se inegável quando, no ano passado, a polícia começou a prender oficiais em massa. Eles são acusados de, em 2003, haver discutido um golpe militar contra o regime de Erdogan, durante um seminário militar, sob o codinome “Marreta”.
    ========
    Como disse em outro momento tudo depende da leitura que se quer fazer.
    Mais esses senhores não demonstram ter reipeito pelo voto.
    Para encurtar ” jogaram o fundamento da democracia – o voto – no lixo “.
    Abs

  13. hms_tireless says:

    Nilo:

    O voto é o principal fundamento da democracia mas não é o único. No modelo de democracia ocidental ao qual estamos acostumados, também integram o cerne da democracia a alternância de poder e clássica tripartição de poderes consagrada por montesquieu. Se o voto for considerado como o único e absoluta fundamento da democracia, sem que hajam outros instrumentos que protejam a sociedade de seus próprios arroubos ou de emoções casuísticas, líderes mal intencionados e falsos messias podem utilizá-lo com o fim de consolidar um estado ditatorial. É o que se verifica na Venezuela, onde Chávez fez uso do voto para “legitimar”a concetração de poderes no executivo e por consequencia a ditadura..
    .
    No caso turco, e de uma maneira peculiar ante à fragilidade de mecanismos de freios e contrapesos, cabe ao exército o papel de guardião da laicidade do Estado visando proteger a sociedade turca de eventuais arroubos que possam conduzir o país à uma teocracia de estilo iraniano.

  14. hms_tireless says:

    Wi:

    Em que pese eu desconfiar das intenções do Asia Times (antiocidental demais), a análise da conjuntura regional foi perfeita. De toda sorte resta saber se a Turquia, membro da OTAN e desejosa por ingressar na(Des)União Européia, estará preparada para assumir o ônus de suas atitudes contra Israel.

  15. Nilo says:

    hms_tireless a nos a democracia é boa quando nos convem.
    uma única coisa eu concordo o voto é um dos pilares da democracia.
    Por isso mesmo cabe a outras instituições que se lembramos bem chama-sed legislativo e judiciario.
    mas neste caso os meios justificam o fim, é isso ai.
    Que desestabilize o atual governo o derrube e coloque um que sejam a gosto dos militares.

    Abs

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