Defesa & Geopolítica

Krugman: para os EUA e Europa, ou crise ou crise

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Em seu artigo publicado no The New York Times e republicado aqui pela Folha, o Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman diz hoje que EUA e Europa não estão diante “de uma crise iminente, mas de duas, com riscos de desastre global”.

Uma seria  se a direita mais radical no Congresso dos EUA conseguir  bloquear a elevação  do teto da dívidapública do país. Ou se o plano que recém-adotado pelos chefes de Estado europeus não acalmar os mercados mundiais. Diz que qualquer das duas situações  ” semeariam o caos”.
Mas Krugman adverte que “é praticamente garantido”  que as “soluções” econômica que estão sendo encontradas nos EUA e na Europa  vão ” perpetuar (…)o período prolongado de desemprego alto que começou com a Grande Recessão de 2007-2009 e continua até hoje.”

Embora tenha aberto as arcas dos tesouros nacionais para socorrer as instituições financeiras tecnicamente quebradas pela crise, os Estados nacionais, inclusive os EUA, não tiveram poder ou vontade de se lançarem em um política anticíclica – estimulando renda, consumo e produção, como fizemos aqui – optaram por políticas de contração econômica.

Europa e EUA terão, agora,  que apertar estas medidas de arrocho. Na Europa, com a queda da grécia e os desastres potenciais na Irlanda, Portugal e, sobretudo, Itália e Espanha; nos EUA, com o inevitável corte dos gastos socais – certamente muitíssimo mais amplo que as elevações de impostos sobre os mais ricos, por razões político-eleitorais  – ou agravarão ou prolongarão por muito mais tempo a estagnação de suas economias.

Krugman fala no “grande erro de 1937: a opção prematura por contração fiscal que fez a recuperação descarrilar e garantiu que a Depressão continuasse até que a Segunda Guerra”.

Os países emergentes, como é o Brasil, não podem se ver prisioneiros deste “ou perde ou perde” dos centros econômicos mundiais.

Temos de ter a coragem de romper internamente  o ciclo de contração econômica externo, como fizemos nos tempos da “marolinha”, estabelecendo controles cambiais mais rígidos, fixando regras de endividamento empresarial no exterior e criando mecanismos que, sem interromper o momento virtuoso que nossos produtos minerais e agrícolas encontram com a alta das commodities, financiem o setor industrial – para exportação e para o mercado doméstico – sem tamanho desequilíbrio do câmbio.

Seja para importar capital ou para exportar commodities, o Brasil está numa situação tão privilegiada  que seria um desperdício de oportunidades não tirar daí os fundos que nos permitam desenvolver nossa economia.

Fonte: Tijolaço

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