Defesa & Geopolítica

Forças Armadas brasileiras planejam lançar satélite geoestacionário em 2014

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O Brasil planeja lançar um satélite geoestacionário — GOES — que irá conectar todas as organizações de defesa e segurança do país, além de permitir comunicações mais seguras entre as mesmas.

No final de junho, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou que o satélite, a ser lançado em 2014, fornecerá ligações diretas entre Brasília, os pelotões de fronteira e os submarinos no Oceano Atlântico.

O equipamento também vai acelerar a transmissão de imagens de áreas remotas. Em audiência recente perante a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Jobim disse que o satélite geoestacionário é de vital importância para a segurança nacional e tornaria o Brasil autossuficiente nestas questões.

A audiência foi essencialmente importante devido à presença de 10 senadores que também são membros da Subcomissão da Amazônia e da Faixa de Fronteira — duas áreas que se beneficiariam significativamente com esse novo satélite, se tudo sair como planejado.

Imagens emprestadas

Atualmente, o governo brasileiro aluga canais de satélite de um grupo de telefonia móvel mexicano que manda imagens por solicitação e sem exclusividade. Esse serviço custa por volta de US$ 28,3 milhões (R$ 43,8 milhões) por ano.

“Hoje, quando queremos uma imagem, os mexicanos nos mandam em 36 horas”, disse Jobim. Construir, lançar e manter o novo satélite brasileiro custará US$ 443 milhões (R$ 686 milhões), mas também irá ligar 1.800 comunidades isoladas à internet pela primeira vez.

O Ministério da Defesa prevê que o GOES envie áudio e imagens de locais remotos para autoridades federais, ao mesmo tempo em que permite a comunicação em tempo real com e entre todas as agências das Forças Armadas e todas as unidades em missão, incluindo aquelas em solo estrangeiro.

“Apesar de o Brasil ter outros satélites, nenhum deles é de controle e uso exclusivo do governo”, disse a porta-voz do Ministério da Defesa, Roberta Belyse. “Este satélite terá radares militares na Band X e radares para uso do governo na Band Ka.”

O que é um GOES

Um satélite geoestacionário, ou GOES, não tem nada de estacionário. Na verdade, circula a Terra na mesma direção e velocidade da rotação planetária. Assim, a localização do satélite é sempre acima de um ponto específico do globo. Já que todos os satélites geoestacionários estão posicionados diretamente sobre o Equador, apenas um número limitado de tais satélites pode ser colocado em órbita. Eles estão localizados no plano geossíncrono, a cerca de 35.888 km acima da Terra, o que oferece uma vista desobstruída do planeta.

O monitoramento contínuo do GOES é essencial para uma análise de dados intensiva. Estando fixo sobre um único ponto permite que os satélites mapeiem as mudanças atmosféricas que provocam tornados, inundações, furacões e outras condições climáticas severas.

O programa espacial brasileiro começou há 50 anos, tornando o país o quarto a entrar na corrida espacial depois dos Estados Unidos, a antiga União Soviética e a França. Ainda hoje, o Brasil é um dos poucos países com um programa espacial amplo que inclui o desenvolvimento de foguetes, satélites e plataformas de lançamento.

Os brasileiros, certamente, têm muito orgulho de sua história espacial. “O Brasil tem pessoal mais do que qualificado para manter o satélite”, disse Duda Falcão, um aficionado pelo espaço que escreve o influente blog Brazilian Space. “Temos várias estações de satélites, todas controladas por brasileiros. Deve-se lembrar que o Brasil foi o terceiro país a desenvolver uma estação de controle de satélite nos anos 60.” Contudo, um estudo recente, o Caderno de Altos Estudos da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática do Senado, persuadiu o Brasil a investir mais para manter o ritmo com as necessidades atuais, assim como com os parceiros internacionais.

Entre 2012 e 2016, o Brasil planeja lançar três satélites, os Cbers 3 e 4, para observação da Terra, e o Amazônia 1. O custo total dos três lançamentos: US$ 200 milhões (R$ 310 milhões).

Bons vizinhos compartilham recursos

Jobim enfatizou como o GOES irá ajudar o Brasil a colaborar com os países vizinhos, particularmente a respeito da segurança na fronteira. “Algumas das capacidades do satélite serão compartilhadas com outras nações”, disse Jobim, que anunciou os planos para o GOES no contexto de uma apresentação mais abrangente para a Comissão do Plano Estratégico de Fronteira do governo.

Ele também falou novamente sobre sua recente visita à Colômbia, que resultou nos primeiros passos para o plano binacional de segurança de fronteira entre os dois países, com foco na proteção da Amazônia.

Os militares brasileiros dedicam esforços significativos à proteção de sua floresta tropical, e imagens de satélite são um recurso inestimável.

No início de julho, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgou imagens de satélite mostrando que 268 km² da Floresta Amazônica tinham sido desmatados em maio de 2011 — o dobro do desmatamento de maio de 2010. Isso se segue a reportagens que davam conta que o desmatamento aumentou para 593 km² em março e abril de 2011, de 103 km² no mesmo período no ano anterior.

“O satélite GOES permitirá o compartilhamento dos planos de segurança e informações das fronteiras aéreas, terrestres e marinhas em tempo real”, explicou Roberta. Além disso, irá conectar áreas remotas habitadas com serviços de emergência e permitirá que recebam comunicações importantes do governo, disse ela.

Outrossim, esses satélites geoestacionários servirão para outras funções tais como monitoramento meteorológico, alimentação de sistemas de GPS e fornecimento de sinais de TV e telefones celulares.

Fonte: Diálogo

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