Defesa & Geopolítica

Receita da AEL deve crescer 50% este ano

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Por Virgínia Silveira

Os novos negócios no mercado brasileiro de defesa e segurança dobraram o faturamento da AEL Sistemas a cada ano desde 2009. Subsidiária da Elbit Systems, empresa privada do setor de defesa de Israel, a AEL prevê crescimento de 50% na receita de 2011, comparado a 2010, quando obteve faturamento de US$ 40 milhões. Considerada um centro de excelência na área de sistemas aviônicos, a fábrica da AEL Sistemas em Porto Alegre (RS) está sendo ampliada para abrigar os projetos contratados nos últimos meses. “Estamos investindo US$ 10 milhões em um novo prédio, mas teremos novas expansões, por conta de outros negócios que estarão sendo incorporados pela empresa”, diz o vicepresidente de Operações, Vitor Neves.

Em parceria com a Embraer, a empresa iniciou a modernização de um lote adicional de onze caças F-5, da Força Aérea Brasileira (FAB). O negócio todo está avaliado em US$ 158 milhões e a AEL foi subcontratada pela Embraer para uma parte do projeto: o fornecimento dos sistemas aviônicos (eletrônica de bordo) dos caças. Outra parceria com a Embraer envolve o programa de modernização de 43 jatos de combate AMX da FAB. No começo do mês o Senado aprovou R$ 195 milhões para o AMX.

A AEL assinou dois importantes contratos com a Helibras para modernização dos aviônicos dos helicópteros Esquilo, do Exército, e o fornecimento desses sistemas para os 50 EC-725, que estão sendo produzidos para as Forças Armadas Brasileiras. “O contrato com o Exército inclui 36 helicópteros, mas existe uma frota de mais de 300 Esquilo em operação no Brasil, com potencial para receber esse sistema mais avançado de aviônica.” A modernização do painel de instrumentos do helicóptero Esquilo está sendo feita pela AEL em parceria com a francesa Sagem.

Com a Embraer, segundo Neves, a AEL negocia ainda a criação de uma empresa, que terá capital majoritário da fabricante de aviões e será dedicada ao desenvolvimento e produção de VANTs (veículos aéreos não-tripulados). Em abril, as empresas fecharam acordo para avaliar a exploração conjunta do mercado de vants, simuladores de voo e programas de modernização de aeronaves. “A nossa expectativa é que até o fim de julho já tenhamos a estrutura da nova empresa definida.”

A criação da empresa, na opinião de Neves, resultará em uma parceria vantajosa para as duas partes. “Do nosso lado estaremos nos adequando às diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, pois a nova
empresa terá capital majoritário brasileiro e para a Embraer será uma oportunidade de compartilhar o know how numa área estratégica que ela ainda não atua.” O executivo acredita que, com a Embraer, a AEL também terá mais força no processo de aquisição futura de vants das Forças Armadas. No ano passado, a AEL venceu uma licitação aberta pela FAB para a compra de dois vants, do modelo Hermes 450, fabricado pela Elbit. Com os dois veículos, a FAB pretende criar uma doutrina de utilização de vants, uma vez que não tem experiência com esse tipo de equipamento.

O plano do Ministério da Defesa é a criação de um projeto de vant nacional, que atenda às necessidades do sistema de defesa brasileiro. A AEL está montando um centro de excelência de vants no Brasil e enviou para Israel um grupo de técnicos brasileiros para participar de um programa de desenvolvimento de tecnologias associadas a vants nas instalações da Elbit. A negociação com a Embraer, de acordo com o executivo, inclui ainda uma possível participação minoritária da fabricante de aviões no capital da AEL. Atualmente, segundo Neves, a AEL conta com 200 funcionários na fábrica de Porto Alegre, mas este número saltará para 500 num prazo de três anos, por conta dos projetos desenvolvidos pela empresa. A AEL é responsável ainda pela modernização da frota de 54 Bandeirante da FAB. Na área de sistemas aviônicos, a AEL é a única que possui uma linha de fabricação desses sistemas no Brasil.

Fonte: Econômico Valor

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