Defesa & Geopolítica

Novo Bombardier em dificuldades .

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A Bombardier Inc. está sob pressão crescente para conseguir pedidos para seu novo jato CSeries antes da Salão da Aeronáutica de Paris, na semana que vem.

Depois de 15 meses sem anunciar pedidos, a empresa, sediada em Montreal, anunciou este mês duas pequenas encomendas, que somam um total de 13 pedidos firmes de jatos e opções para outros 13. O CSeries só tem 5 clientes até agora, com pedidos firmes para 103 jatos e opção para outros 103.

É pouco para um dos projetos mais importantes da empresa. A Bombardier ainda não anunciou um cliente que aceite a primeira entrega da aeronave.

Todos esperavam que a Bombardier anunciasse uma série de pedidos do avião de um só corredor — normalmente para viagens curtas e de média distância — na Feira Internacional de Aviação de Farnborough, na Inglaterra, em julho. Mas nenhum se materializou. Um pedido da companhia aérea Qatar Airways Ltd., do Oriente Médio, foi cancelado depois de uma disputa entre a companhia aérea e a fabricante de turbinas Pratt & Whitney sobre os custos de manutenção.

A Bombardier não quis comentar se serão anunciados pedidos no Salão de Paris. Pessoas a par dos planos da fabricante de aviões dizem que provavelmente ela anunciará um punhado de pedidos, mas todos pequenos.

“Não administramos nossos pedidos de acordo com as feiras de aviação, mas teremos mais pedidos este ano”, disse Gary Scott, presidente de aviões comerciais da Bombardier, numa entrevista ao Wall Street Journal no mês passado. “O CSeries vai bem e estamos a caminho de entregá-lo no fim de 2013. Não é que não tenha seus desafios, mas não há nenhum grande obstáculo para nós neste momento.”

A Bombardier — terceira maior fabricante de aviões do mundo em vendas, atrás da Boeing Co. e da Airbus, esta controlada pela European Aeronautic Defence & Space Co. — é mais conhecida por seus jatos regionais e aviões turboélice. A empresa aposta o futuro de seu programa de aviões comerciais no CSeries, que recebeu de 50% a 60% das despesas de capital da Bombardier. A empresa calcula o desenvolvimento da aeronave em US$ 2,5 bilhões, a ser compartilhado por fornecedores e governos como o do Canadá e do Reino Unido, onde a Bombardier tem fábricas importantes.

O principal concorrente da Bombardier, a Empresa Brasileira de Aeronáutica SA, mais conhecida como Embraer, de São José dos Campos, SP, já ultrapassou a Bombardier no mercado de jatos regionais, com sua linha de aviões maiores E-Jets.

A Bombardier afirma que os aviões CSeries — que usam um novo projeto feito principalmente de fibras compósitas — prometem manutenção mais barata e consumo menor de combustível que outros aviões no mercado. O CSeries pode acomodar de 110 a 130 passageiros e tem autonomia de no máximo 5.463 quilômetros, suficiente para a maioria das rotas domésticas da Europa, da América do Norte, da China e da Ásia. O jato custa de US$ 55 milhões a US$ 63 milhões cada, a depender do modelo, embora as companhias aéreas costumem negociar descontos no preço de tabela.

Além de buscar o mercado de aviões com menos de 150 passageiros, a Bombardier acredita que o CSeries vai roubar mercado do Boeing 737 e do Airbus A320, os menores jatos de um corredor oferecidos por essas empresas.

Mas as companhias aéreas têm relutado em fazer pedidos do CSeries, enquanto esperam para ver se a Boeing ou a Airbus vão redesenhar seus aviões de um corredor. A alta do combustível também vem adiando os pedidos das companhias aéreas, bem como as lições aprendidas com os repetidos atrasos no desenvolvimento do jato de dois corredores Dreamliner 787, da Boeing. No fundo, as companhias aéreas querem ver o CSeries sair da prancheta e voar antes de se comprometerem a comprá-lo.

John Leahy, diretor operacional para vendas da Airbus, tem atacado de frente o projeto CSeries. Depois de a Airbus ter anunciado ano passado que iria oferecer uma versão atualizada do A320, Leahy disse que o novo design “acaba com o modelo de negócios” para o CSeries.

A Boeing tem sido mais discreta. Num evento com investidores mês passado, executivos da Boeing disseram que a empresa ainda não perdeu nenhum cliente do 737 para a Bombardier. Mas eles reconheceram que o duopólio da Airbus e da Boeing no mercado de jatos de um corredor provavelmente já chegou ao fim.

O CSeries também enfrenta concorrência de fabricantes japoneses, russos e chineses, embora o número de passageiros de seus modelos varie. A Embraer, que ainda não anunciou planos para o sucessor da linha E-Jets, também pode ser um rival difícil.

Com tanta concorrência, “entendo por que as companhias estão em cima do muro”, disse Rick Erickson, consultor do setor aéreo de Calgary, no Canadá. “Isso complicou um pouco mais as coisas para a Bombardier.”

Fonte: The Wall Street Journal

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