Defesa & Geopolítica

China alerta contra interferência externa em disputa com Vietnã

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Base da China nas Ilhas Spratly

Por  John Ruwitch em Hanói

A China se opõe à interferência de outras potências em disputas territoriais mo Mar do Sul da China, afirmou sua chancelaria esta terça-feira, depois de o Vietnã ter pedido ajuda internacional para dirimir as tensões sobre uma região potencialmente rica em recursos naturais.

Por sua vez, o Vietnã anunciou as normas para uma possível convocação de tropas, uma medida que, segundo especialistas, é um sinal das autoridades vietnamitas de que o país está preparado para defender seus interesses. As duas nações são governadas por regimes comunistas.

“Nós esperamos que os países que não fazem parte da disputa sobre o Mar do Sul da China respeitem verdadeiramente os esforços das partes interessadas para resolver sua contenda por meio de consultas”, disse a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hong Lei.

“A China está protegendo seus direitos legítimos, e não violando os dos outros países”, afirmou Hong a repórteres, defendendo uma solução pacífica da disputa por meio de consultas.

Os comunicados coincidem com exercícios militares realizados pelo Vietnã ao longo de sua costa central, e um comunicado divulgado no fim de semana pelo governo vietnamita, agradecendo os esforços da comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, para ajudar a resolver a disputa.

Há semanas China e Vietnã vêm trocando acusações mútuas sobre o que os dois lados consideram invasão de suas águas territoriais pelo outro em uma faixa de mar que é uma importante rota de tráfego marítimo, e na qual se acredita haver grandes depósitos de petróleo e gás.

“Os desdobramentos recentes no Mar do Sul da China são o resultado de ações unilaterais de alguns países, as quais afetaram a soberania da China e seus direitos marítimos, por meio de comunicados que não foram nem factuais nem responsáveis”, disse Hong.

Esse tipo de acusação não é algo incomum entre China, Vietnã, Filipinas, Malásia, Brunei e Taiwan, mas esta onda de tensão persiste há mais tempo de que é costume na região.

O primeiro-ministro vietnamita, Nguyen Tan Dung, assinou na segunda-feira um decreto listando os casos que seriam isentos de uma convocação do Exército num período de guerra. O decreto entra em vigor em 1o de agosto.

“O Vietnã está falando para duas platéias”, disse à Reuters o perito em Vietnã Carlyle Thayer, da Academia Australiana de Força Defensiva. “Está falando para o público interno, onde está sob pressão para tomar medidas em relação à China, E está falando para a China.”

A tensão entre a China e os EUA aumentou no ano passado, depois que o governo do presidente norte-americano Barack Obama se envolveu na questão do Mar do Sul da China, ao expressar seu apoio a uma solução coletiva.

Este ano as relações entre os dois países estão mais firmes e o governo norte-americano não se pronunciou sobre o assunto.

O governo chinês insiste em resolver a questão em negociações bilaterais, e não multilaterais, uma estratégia que alguns críticos descrevem como “dividir para reinar”.

Fonte: O Globo

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