Defesa & Geopolítica

Brasil reprova ataque da ONU a Laurent Gbagbo na Costa do Marfim

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Brasil, Índia e África do Sul criticaram a decisão do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de autorizar ataques à casa do presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, ao palácio presidencial e a bases de militares leais a ele, na última segunda-feira (4).

O principal temor é que a força de paz da ONU, a Unoci, se torne parte do conflito no país africano e perca condições de impulsionar uma saída negociada.

Os ataques facilitaram a ofensiva das forças do rival Alassane Ouattara, cuja vitória na eleição do ano passado é reconhecida pela ONU.

Os três países, que formam o fórum Ibas, ocupam cadeiras não permanentes no Conselho de Segurança. Eles se manifestaram em reuniões fechadas na sede da ONU, em Nova York, segundo a Folha apurou. China, Rússia e Portugal tiveram posição semelhante.

Há oito dias, o Conselho de Segurança aprovou por consenso a resolução 1975, que autoriza a Unoci a usar “todos os meios necessários” para “proteger civis sob ameaça iminente de violência física”. A justificativa de voto da delegação brasileira pediu “cautela e imparcialidade” na implementação da medida.

Questionado, o Itamaraty reconheceu que houve “desconforto” com a situação desta semana.

Ban negou que tivesse extrapolado o mandato do CS. Disse que autorizou a destruição de equipamentos de militares pró-Gbagbo porque eles estavam sendo usados para atacar ajuda humanitária e soldados da ONU. Nenhum país chegou a apresentar proposta de censura a ele.

O secretário-geral é candidato à reeleição em outubro deste ano. Apoiado pelas potências ocidentais, deve ser reeleito.

A Unoci foi criada em 2004 para supervisionar o cumprimento de acordo entre as facções rivais da Costa do Marfim, as mesmas que lutam agora. Com 9.000 soldados, a maioria africanos, ela tem o apoio dos 1.500 militares da França baseados na ex-colônia. Os franceses não estão subordinados ao comandante da missão, um general do Togo.

Segundo críticos, a dubiedade da atuação ONU agora é em parte fruto de decisão anterior do Conselho de Segurança, que em 2007 encarregou o enviado especial de Ban à Costa do Marfim de “certificar” as eleições previstas no acordo. O enviado é o chefe civil da Unoci. Ao se tornar parte da disputa eleitoral, sua capacidade de mediação teria sido reduzida.

A decisão foi atípica. No Haiti, por exemplo, a última palavra sobre eleições é oficialmente da comissão eleitoral nacional, embora haja uma força da ONU no país, comandada pelo Brasil, desde 2004.

A violência na capital financeira da Costa do Marfim, Abidjã, vem obrigando a embaixadora brasileira, Maria Auxiliadora Figueiredo, a despachar da própria casa, guardada por soldados brasileiros. Há 108 brasileiros vivendo no país, mas só dois deles pediram ajuda para sair.

Fonte: Folha



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