Opiniões sobre as usinas nucleares Brasileiras e a catástrofe no Japão

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Sugestão: Gérsio Mutti

Usinas do Brasil são mais seguras, diz Mercadante

André Borges e Tarso Veloso

As usinas nucleares de Angra 1 e 2, as únicas instaladas no Brasil, têm sistemas de segurança e controle de energia mais eficientes que a de Fukushima, diz o ministro da Ciência e Tecnologia (MCT), Aloizio Mercadante.

Segundo o ministro, o incidente nuclear japonês não alterou em nada os processos atuais de segurança ligados ao complexo de Angra. No médio e longo prazo, disse Mercadante, o que ocorrerá é a absorção de aprendizado decorrente do acidente de Fukushima. “A natureza está nos deixando uma série de lições importantes”, comentou.

As usinas de Angra foram estruturadas para suportar terremotos de até 6,5 pontos na escala Richter e ondas de até 7 metros de altura, uma configuração que, segundo o governo, está dentro das normas mais rígidas de segurança, dada a condição geológica do país. Apesar da condição ideal garantida pelo governo, as usinas de Angra certamente não seriam construídas hoje, dadas as regras atuais, que exigem uma densidade populacional inferior à da região do litoral carioca.

Questionado sobre o atraso nos planos nucleares do Brasil, Mercadante disse que o assunto não compete à sua pasta e que será analisado pela presidente Dilma Rousseff e demais ministérios que, de alguma forma, fazem uso de combustível nuclear.

O retardamento de projetos como a construção de quatro novas usinas, porém, já é dado como consequência inevitável pela Eletronuclear, estatal controlada pela Eletrobrás. Na Câmara já se articulam a criação de uma comissão mista para debater a viabilidade de novos projetos.

Fonte: Valor via NOTIMP

O risco nuclear no Brasil

O tsunami pode não ter chegado aqui, mas as dúvidas sobre se é vantajoso ter uma usina nuclearcomo alternativa energética, em razão do terremoto da última sexta-feira no Japão, deram a volta ao mundo e atingiram o Brasil.

É inquestionável, dizem os estudiosos: se ocorreu no precavido Japão, pode se passar em qualquer lugar. Mas aí entram outras questões: o episódio no Japão foi “circunstância única” – como define Laércio Vinhas, diretor de segurança da Comissão Nacional de Energia nuclear. E deve ser considerada a vantagem ou não de correr riscos.

O professor Takeshi Kodama, do departamento de Física nuclear da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nascido 67 anos atrás em Tóquio, diz não ser possível construir usinas nuclearesimunes a terremotos. Enfatiza que nenhum país está tão preparado quanto o Japão para enfrentar esse tipo de tragédia natural – e, ainda assim, a estrutura se mostrou falível.

– Cem por cento seguro, não é possível. É uma questão de economia e risco, e esse risco é uma questão de probabilidade. Todo mundo viaja de avião, mas tem o risco de cair – disse Kodama, condicionando a gravidade do acidente no Japão ao controle de resfriamento com o uso de água do mar e produtos químicos – pois é a liberação do hidrogênio pelo superaquecimento que provoca explosões.

Ana Maria Xavier, engenheira e representante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) na Comissão Nacional de Energia nuclear, faz uma declaração forte:

– O futuro está sub judice. Essa história vai dar muito pano pra manga.

Mas depois ameniza:

– Se o Japão controlar o acidente, e acho que isso ocorrerá, aprenderemos com os erros dos outros e em novos dispositivos de segurança. Temos de esperar a direção que o mundo vai tomar.

Congresso pode ter comissão mista sobre usinas atômicas

O presidente da Comissão Nacional de Energia nuclear, Odair Gonçalves, mesmo ressalvando que é importante levar em conta a “comoção pública”, afirmou não haver motivo para que o programa nacional seja revisto em razão dos acontecimentos no Japão, pois, segundo ele, o sistema nucleardaquele país provou ser resistente.

– Eles têm 54 reatores, e 30 deles ainda funcionam normalmente.

Tão sensível se tornou a questão, que a oposição brasileira enviará ao Congresso proposta de criação de comissão mista para analisar a situação das usinas nucleares no Brasil. O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), defende a discussão das usinas em funcionamento e dos projetos.

– O mundo todo vai fazer essa discussão. Ela é inexorável para o Brasil, que não poderá abrir mão de nenhuma fonte de energia. Que isso seja debatido no Congresso – argumentou.

E a preocupação não se restringe à oposição. O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou, em entrevista coletiva, que a presidente Dilma Rousseff está “extremamente preocupada com a crise nuclear japonesa”.

Fonte: Zero Hora via NOTIMP

9 Comentários

  1. Qualquer usina localizada no japao esta com maior risco do que qualquer outro lugar, por causa dos terremotos. Japao, partes da China, California, etc etc nao deveriam ter usinas nucleares.

  2. Isso não sequando se trata das forlas da nrve de consolo. Além do mais nada é infalível quando se trata das forças da natureza. A tecnologia das usinas é falha e ultrapassada, tanto que convivem em contante paralisação de atividades.

  3. Nós temos de parar com essa idéia que todas as usinas nucleares vão “explodir”, pois a do país mais precavido isso está prestes a ocorrer.

  4. Pelas fotos, notei uma falha grave na Usina Nuclear Brasileira.

    Quebra-mar muito baixo e a usina foi construída ao nível do mar.

    Não precisa nem de maremoto; apenas uma ressaca provocada por um ciclone, poderia gerar ondas de 6 metros.

    Será que estou errado ?

  5. É questionável a versão dos estudiosos: não é porque aconteceu com o Japão que irá acontecer com o Brasil, por exemplo. Levando em consideração que fenômenos como terremotos e tsunamis não são comuns no Brasil ja não justifica essa crítica dos estudiosos.
    O acidente não aconteceu por falha do equipamento, e sim sofreu as consequências de um abalo sísmico. E essa análise é considerável.
    No caso do submarino nuclear (ou navios bélicos de superfície que tenham essa tecnologia) o uso desse tipo de energia é estratégico.
    Lamentável a crise dos japoneses.

  6. Já tão querendo fechar angra 1 e 2 por causa disto. Possuem idéia de quanto de energia eolica.. solar.. petroleo.. biodiesel..seria necessário para gerar o que uma usina nuclear fornece de energia?… Quanto de areas verdes seriam desmatadas para uma hidroeletrica que gerasse a mesma quantidade de energia?… No caso da segurança é custo-beneficio. De fato, deveriam ter posto mais segurança la na do japão. eu concordo dandolo! 6 metros eu também acho pouco.

  7. O que aconteceu no Japão pode ter sido:

    Depois do evento tsunami, as bombas do sistema de resfriamento principal dos reatores nucleares pararam pela perda de conexão com a rede elétrica.
    Uma coisa que NUNCA vou aceitar é que eu sei que o gerador elétrico principal da central nuclear não pode ser ligado para alimentar suas próprias bombas elétricas de resfriamento principal pelo seu enorme fator de potência. Mas como o calor do urânio jamais pode ser interrompido depois de se carregar o reator nuclear, porque DIABOS os projetistas nucleares não instalam (aproveitando o próprio calor do reator) uma turbina geradora elétrica secundária de potência compatível para gerar energia para toda usina e PRINCIPALMENTE suas bombas principais de resfriamento, seja por qualquer razão que for, eu NUNCA vou entender!!!

    Neste caso, voltando, as bombas secundárias (mais fracas)e movidas à combustível tem de entrar em funcionamento IMEDIATO pois, como são menores, se a temperatura do núcleo do reator começar a se elevar demais, além de um certo valor máximo, pode ultrapassar a menor capacidade máxima de resfriamento das bombas secundárias. O que aparentemente foi exatamente o que ocorreu em Fukushima por ALGUMA RAZÃO.

    O ponto é PORQUÊ praticamente logo após a catástrofe na sexta passada as bombas secundárias falharam no reator 1, depois no reator 2, mais tarde no reator 3 e por fim no reator 4 que não estava em operação comercial mas já estava carregado de urânio (e portanto já precisava de resfriamento eterno) ???

    RESPOSTA: Se estas bombas forem movidas a DIESEL e a quantidade de combustível armazenada em seus tanques for compatível com um protocolo seguro de digamos 10 dias de funcionamento contínuo no evento de queda total da rede elétrica, a quantidade a ser armazenada por bomba secundária deve ser apreciável.

    CERTAMENTE na operação normal da central nuclear esta classe equipamentos secundários devem ser acionados periodicamente (mas por curtos períodos de tempo).

    Aí entrou meu conhecimento de operação com combustíveis pesados como o Diesel. Quando servi na Marinha (NT Marajó) tanques de diesel se não fossem totalmente consumidos por muito tempo podem ficar tão viscosos que simplesmente você não consegue aspirar o combustível que ali existe. Em navios que vão para Antártica, se usa um diesel especial menos viscoso e seus tanques são aquecidos para que não aconteça este “fenômeno”.

    Como os acidentes de Fukushima aconteceram quase na ordem da inauguração dos reatores é POSSÍVEL que o combustível nestes grandes tanques de DIESEL muito parado e pouco utilizado, SE não foi TOTALMENTE TROCADO regularmente de seis em seis meses (ou simplesmente por AZAR estava no final de um longo período de uso ou, por economia, não foi simplesmente trocado)…

    O combustível do sistema de resfriamento secundário poderia estar em grande parte muito viscoso, e pior, com o clima frio de final de inverno a situação só ficaria ainda pior.

    Em sistemas como este, em que se aciona periodicamente por curtos períodos, como no caso, se tende a formar ao redor da aspiração do tanque um “bolsão” de combustível aspirável. Quanto mais tempo o combustível não é trocado, menor o bolsão e menos combustível aspirável na realidade tem o tanque.

    Se isto ocorreu em Fukushima, não só explica a sequência dos acidentes nos reatores como indica que provavelmente o combustível do sistema do reator 4 foi provavelmente foi usado na tentativa de resfriamento dos outros reatores…

    P.S. a “informação” inicial da administradora que o Tsunami teria “molhado” os geradores desligando-os, não deve ser levada a sério pois nenhum engenheiro em são consciência projetaria geradores elétricos “molháveis” numa central nuclear situada na costa japonesa, historicamente passível deste fenômeno. Além disso as informações recentes dão conta que com a religação da rede os sistemas principais voltariam a funcionar estabilizando a situação.
    Com alto grau de certeza estes sistemas de refrigeração do reator estão em prédios preparados que podem até ficar submersos por algum tempo. Se esta central possuir sistemas resfriadores de reator instalados em pátio a céu aberto seria um erro COLOSSAL de projeto que desmistificaria a noção que se tem dos japoneses…

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