Defesa & Geopolítica

Os 80 anos do homem que mudou o mundo

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Mikhail Gorbachev

Passou quase despercebido pela grande mídia  o aniversário do homem que mudou a história recente do mundo.  Mikhail Gorbachev,  o homem da Perestroika e da Glasnost,  que foi secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética de março de 1985 a agosto de 1991, completou 80 anos no último dia 2 de março.

Gorbachev foi o último líder da extinta URSS e talvez não imaginasse que suas propostas tivessem um alcance tão grande que levariam ao fim do socialismo e à destruição do Estado soviético.

Em 1985,  foi dele a iniciativa de convencer o Comitê Central do PC de que alguma precisava ser feita para restaurar a economia soviética, estagnada durante os anos do governo de Leonid Brejnev.  Nascia assim a “Perestroika”, que quer dizer reconstrução.

Mas logo logo Gorbachev descobriu que a reconstrução da economia não seria possível sem a implementação de profundas reformas políticas e sociais que colocariam em risco o próprio regime comunista, àquela altura dominado por velhos dirigentes de conceitos superados e que resistiam a qualquer mudança.

Gorbachev superou esse pessoal da velha guarda do PC e, à medida que suas reformas iam sendo implantadas, a cara da União Soviética ia mudando diante do mundo. Surgia assim a “Glasnost”, que significa abertura, no sentido de transparência da livre discussão dos problemas sociais.

Faltava, entretanto, à União Soviética mostrar-se ao mundo através de uma nova diplomacia,  aberta ao diálogo com todos os países, mesmo com os que praticavam um tipo de capitalismo selvagem e contrário aos ideais solicalistas.

Mas essa era uma missão impossível para o velho ministro das relações exteriores, Andrei Gromiko,  um dos líderes do pensamento conservador, que estava no cargo há 28 anos..  Gorbachev defenestrou-o e colocou em seu lugar Eduard Shevardnadze, com menos experiência mas com pensamentos mais modernos. Os dois dividiram então a responsabiidade de reconstruir o país interna e externamente, mesmo contra a vontade do poderoso complexo militar-industrial do Estado.

Nem todas as reformas de Gorbachev foram bem sucedidas, mas é certo que a conquista de novos direitos pelos cidadãos e o relaxamento da censura na Rússia levaram à dissolução da União Soviética, com as repúblicas declarando-se indepedentes do controle de Moscou, algumas de forma pacífica, outras nem tanto.

Apesar de sua importância na história recente da humanidade, Mikhail Gorbachev não é visto com bons olhos dentro da Rússia. Uma pesquisa realizada em dezembro último revelou que apenas 14% dos russos têm uma visão positiva dele. O resto o vêem de forma negativa ou simplesmente não têm opinião formada sobre ele.  Para muita gente, ele entregou de graça o império que era um dos mais poderosos do mundo.  Tudo ainda é muito recente, em termos de história,  para se fazer um julgamento preciso do papel que Gorbachev representou na geopolítica do mundo.

O ex-dirigente soviético faz parte hoje do exclusivo círculo de bem remunerados palestrantes. Numa entrevista em 2009, deixou escapar uma declaração que pode ser interpretada como saudosismo ou ressentimento… ou ambos:

“Sabe como é, eu ainda poderia estar lá, no Kremlim, se eu estivesse motivado apenas pelo poder pessoal, ainda poderia possuí-lo… Se eu simplesmente não tivesse feito nada, se não tivesse mudado nada naquilo que à época era a União Soviética, se apenas me sentasse na minha cadeira e desempenhasse o meu trabalho como os meus antecessores, quem sabe…”

Mikhail Gorbachev comemorou seus 80 anos em Moscou, cercado de  poucos amigos e esquecido pela maioria do povo russo. Sua mulher Raísa morreu de Leucemia, em 1999.

Autor deste artigo: Eliakim Araujo

Fonte:  Direto da Redação

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