Defesa & Geopolítica

Oposição aperta cerco contra Khadafi e se prepara para ‘batalha’ em Trípoli

Posted by

http://static.guim.co.uk/sys-images/guardian/Pix/pictures/2011/2/23/1298477677001/Libyan-tanks-on-trailers--007.jpg

Forças pró e contra o governo da Líbia dão sinais de estar se preparando para uma batalha pela capital, Trípoli, depois que a oposição passou a controlar outras das principais cidades na costa do país.

A tensão aumentou nesta quinta-feira, entre relatos de enfrentamentos em diversas cidades do oeste do país.

A capital continua sendo uma espécie de bastião do regime de Muamar Khadafi, mas a segunda e a terceira cidades do país, Benghazi e Misurata, foram tomadas pela oposição, assim como outras cidades na costa do Mar Mediterrâneo, como Sabratha e Zawiya.

Em Benghazi, sob firme controle dos manifestantes anti-regime, armas roubadas da polícia e do Exército estão sendo distribuídas para a população disposta a lutar pela derrubada do regime.

Em resposta, um porta-voz do chamado Comitê Popular para a Segurança Geral da Líbia, do lado governista, foi à TV conclamar aos opositores que devolvam armas “adquiridas ilegalmente” e promoter perdão aos que o fizerem.

O militar também prometeu recompensa aos que delatarem jovens armados atuando contra o regime e divulgou um número telefônico para denúncias.

Imagens divulgadas pela TV Al Jazeera mostraram líderes tribais e políticos discursando em uma sala de conferências na cidade de Al Bayda, no leste do país, entre cânticos de “Trípoli é nossa capital”.

O ex-ministro da Justiça Mustafa Abdel-Jalil, que abandonou o cargo em protesto à repressão aos manifestantes, disse que não haverá negociações com o regime de Khadafi e pediu que o líder líbio, no poder desde 1969, renuncie imediatamente.

Imagens divulgadas pela internet sugerem, por outro lado, que a oposição já tomou cidades a cerca de 50 quilômetros de Trípoli.

Testemunhas afirmam que a capital está sendo patrulhada por grupos fortemente armados a favor do governo, incluindo milícias que se deslocam pela cidade em veículos.

Há relatos de tanques em movimento nos subúrbios da cidade, assim como de invasão de residências por forças de segurança do governo, em busca de opositores.

Tensão

A expectativa nesta quinta-feira é de um pronunciamento do próprio Khadafi. Na terça-feira, em um discurso transmitido pela TV estatal, ele descartou a possibilidade de renúncia e disse que morrerá no país “como um mártir”.

Khadafi qualificou a oposição de “covardes e traidores” tentando mergulhar o país no caos.

Na quarta-feira, o filho dele, Saif al-Islam, apareceu na TV nacional afirmando que a situação no país era “normal”.

Mas organizações de direitos humanos divergem quanto ao número de vítimas do regime. O patamar mínimo parece ter alcançado os 300 mortos.

Enquanto os confrontos se acirram, estrangeiros tentam deixar a Líbia. Governos de vários países estão enviando balsas, aviões e navios para resgatar seus cidadãos.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que um navio de grande porte partiu da Grécia rumo à Líbia, onde um grupo de 148 brasileiros e cidadãos de outras nacionalidades aguarda para ser resgatado.

Segundo o Itamaraty, também foram obtidas as autorizações para a aterrissagem, no aeroporto de Trípoli, de cinco vôos fretados por empresas brasileiras que operam na Líbia, para o embarque de seus funcionários. Eles devem ser evacuados entre a noite desta quarta e a quinta-feira.

Na quarta-feira, duas balsas da Turquia conseguiram retirar cerca de 3 mil de seus cidadãos de Benghazi, onde vive um grande número de turcos que trabalham para empresas de construção.

Outros países, como França, Rússia, Holanda e Índia também já conseguiram evacuar parte de seus cidadãos.

A Grã-Bretanha enviou um avião para resgatar britânicos na Líbia e posicionou um navio de guerra próximo à costa do país.

O governo chinês, por sua vez, enviou aviões e navios para retirar cerca de 40 mil de seus cidadãos da Líbia. A operação conta com a colaboração da Grécia e da Itália, segundo a agência de notícias estatal grega ANA-MPA.

Analistas apontam para os efeitos econômicos, sobre o regime, da saída em massa de estrangeiros – muitos, trabalhadores de empresas de construção e infra-estrutura.

Condenação

No plano diplomático, a condenação ao regime de Khadafi continuou na quarta-feira.

A União Europeia decidiu preparar sanções contra o governo em resposta à violenta repressão dos protestos.

Segundo fontes diplomáticas, isso deverá acontecer depois que o bloco finalizar a repatriação dos cerca de 10 mil europeus que se encontram na Líbia, para evitar que esses cidadãos possam sofrer algum tipo de repressão.

Nos Estados Unidos, em seu primeiro pronunciamento sobre a crise líbia transmitido pela TV, o presidente Barack Obama disse que a violência contra manifestantes pacíficos é ultrajante e inaceitável.

“Como todos os governos, o da Líbia tem a responsabilidade de evitar a violência, de permitir assistência humanitária aos que precisam e a respeitar os direitos de seus cidadãos”, disse Obama.

Horas antes, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, também havia afirmado que o governo líbio deve ser responsabilizado pelo uso de força contra manifestantes pacíficos.

“Estamos nos unindo com o resto do mundo para enviar uma mensagem clara para o governo líbio de que a violência é inaceitável e que o governo líbio será responsabilizado pelas ações que está tomando”, disse Hillary.

Fonte: BBC Brasil

8 Comments

shared on wplocker.com