Defesa & Geopolítica

Para EUA, Brasil atômico é inofensivo

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WikiLeaks: os norte-americanos fazem ‘bobagem’ como todo mundo, diz presidente Lula.

Sugestão: André

Enquanto Venezuela e Bolívia enfrentam estreita vigilância dos diplomatas norte-americanos na América Latina em razão de suas supostas colaborações com o Irã na questão nuclear, o Brasil é visto de forma contrária. Documentos secretos norte-americanos vazados pelo site Wikileaks demonstram que o País não é fonte de preocupações, e que Brasília chega a pedir colaboração no desenvolvimento da segurança das instalações nucleares brasileiras.

Segundo telegrama revelado ontem pelo jornal espanhol El País, a diplomacia norte-americana encara o programa nuclear brasileiro com naturalidade. Um dos documentos diz respeito ao início da instalação de uma cadeia de centrífugas para o enriquecimento de urânio no Brasil.

O documento afirma ainda que autoridades brasileiras teriam manifestado interesse em trocar informações com os Estados Unidos sobre “como melhorar a segurança das instalações nucleares e ajudar a treinar a próxima geração de técnicos e especialistas”.

O governo brasileiro não comentou as denúncias de que os EUA monitoravam, apreensivos, a extração ilegal de minerais, entre eles, urânio, pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no norte do Brasil, perto da fronteira com a Colômbia. Especialistas da Polícia Federal, no entanto, tratam o assunto como boataria.

Olimpíadas – Outro documento norte-americano mostra que o Brasil admitiu a “possibilidade de ameaças terroristas” durante a realização dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Por tal motivo, o governo brasileiro mostrou grande abertura à colaboração em áreas como o “compartilhamento de informação e cooperação” com Washington,  segundo a encarregada de negócios dos EUA no Brasil, Lisa Kubiske.

Datado de 24 de dezembro de 2009, a carta diz que o governo do País tenta capitalizar o fato de sediar os jogos, para “solidificar a imagem do Brasil como o líder da América do Sul e como um ator global emergente”.

O documento cita uma declaração de Vera Alvarez, chefe da Coordenação Geral de Intercâmbio e Cooperação Esportiva do Itamaraty. Segundo o texto, a diplomata brasileira chegou a comparar a realização dos jogos com a chegada da família real portuguesa, em 1808, “quando o Rio foi de uma cidade costeira para a capital de um império”.

Bobagens – Dois dias depois de ter qualificado como “insignificantes” as mensagens diplomáticas norte-americanas vazadas pelo WikiLeaks, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo dos EUA faz “bobagem” como todo mundo.

“(Os telegramas) estão desnudando uma sabedoria de que os norte-americanos são melhores do que os outros. Fazem as bobagens que todo mundo faz”, declarou Lula, em entrevista a rádios comunitárias.

Périplo – Tentando apagar qualquer desconforto diplomático, o embaixador norte-americano no Brasil, Thomas Shannon, iniciou um périplo pelo primeiro escalão do governo federal. Ele conversou com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e outras autoridades de Brasília com a mesma mensagem: as relações entre os dois países são maiores do que eventuais comentários revelados pelo WikiLeaks.

Shannon não apresentou um pedido formal de desculpas. Mas, em tom diplomático, reconheceu o mal-estar do episódio e preferiu elogiar a compreensão do governo brasileiro.
A própria secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, já ligou para dez autoridades mundiais para pedir desculpas, incluindo as da Argentina,  Paquistão, Afeganistão, Libéria, China, Canadá, Alemanha, Grã-Bretanha, França e  Arábia Saudita.

Fonte: Diário do Comércio

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