Defesa & Geopolítica

Tensão na Alcântara Cyclone Space

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O posicionamento do atual ministro de Ciência e Tecnologia (MCT), Aloizio Mercadante, de analisar profundamente o acordo espacial com a Ucrânia para o lançamento de foguetes a partir de Alcântara (MA) está causando tensões na Alcântara Cyclone Space (ACS), particularmente no lado ucraniano. A preocupação teria, inclusive, motivado o telefonema do presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, para Dilma Rousseff no último dia 10.

De acordo com informações apuradas pelo blog Panorama Espacial, duas semanas após a posse do novo governo, o diretor-geral da ACS, Roberto Amaral, e Aloizio Mercadante, não se reuniram e nem conversaram sobre o projeto da binacional.

A direção da ACS encaminhou um ofício ao MCT comunicando a necessidade de integralização do restante do capital subscrito na empresa pelo governo brasileiro para a continuidade das atividades, como a construção da infraestrutura terrestre no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Embora o contrato com as empreiteiras já tenha sido assinado, as obras não foram iniciadas justamente pela falta dos recursos necessários no caixa da binacional.

A dificuldade (ou desinteresse) do lado ucraniano em integralizar a sua parte do capital social na ACS também tem gerado certo desconforto e até mesmo desconfianças. Cerca de 60 milhões de dólares já deveriam ter sido aportados pela Ucrânia, e desde a sua constituição, em agosto de 2006, as atividades da binacional têm sido tocadas principalmente com recursos oriundos do governo brasileiro.

Flórida Cyclone Space?

Esta semana, uma informação surpreendente chegou ao conhecimento do blog Panorama Espacial. Os sócios ucranianos estariam negociando com uma empresa norte-americana a possível instalação de um sítio de lançamento do Cyclone 4 na costa leste dos EUA, no estado da Flórida [onde está situado o centro espacial de Cabo Canaveral]. Um protocolo já teria, inclusive, sido assinado com a empresa, a ATK, que atua nos setores aeroespacial e de defesa.

Embora não tenhamos conseguido maiores detalhes até o fechamento desta nota, um comentário feito por pessoa familiarizada com o assunto chamou muito a atenção. Considerando-se a instalação de dois sítios do Cyclone 4 – em Alcântara e na Flórida, caberia aos técnicos ucranianos a definição sobre de onde o foguete seria lançado em cada missão, o que conflitaria com o espírito do tratado firmado entre o Brasil e a Ucrânia em outubro de 2003, isto é, a operação do lançador a partir de solo brasileiro, no CLA.

Em outubro de 2010, revelamos alguns dos contatos comerciais feitos pela ACS, tendo por referência uma apresentação de Roberto Amaral realizada na Câmara dos Deputados em outubro de 2009. Uma das empresas mencionadas foi justamente a ATK – Space Systems Tyokol, com o escopo “lançamento do Cyclone-4 no mercado norte-americano”.

O blog acredita que a estratégia ucraniana de procurar um parceiro nos EUA tem um racional mercadológico, pois ao executar os lançamentos a partir de território americano, os ucranianos e ATK teriam mais facilidades para obter financiamentos e também disputar contratos governamentais, possivelmente de órbita baixa. Além do mais, neste cenário, o estado-lançador seria os EUA, o que dispensaria a necessidade de um acordo de salvaguardas tecnológicas do Brasil com os Estados Unidos, um dos grandes problemas do binômio Cyclone 4 / Alcântara.

Fonte:  Panorama Espacial

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