Defesa & Geopolítica

Guerra de 4ª geração e Narcoterrorismo no Brasil

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Autor: Vympel

Plano Brasil

1. Particularidades brasileiras

Atualmente no Brasil, vivemos um caos social que tem suas origens desde o final da república, onde a inexistência ou ineficácia de políticas sociais e a erosão da economia nacional fizeram surgir um fenômeno encontrado em outros países, como México e Colômbia, conhecido como narcoterrorismo, o qual aproveita as falhas da administração estatal em relação á população para se desenvolver, atraindo novos integrantes para suas fileiras, os quais buscam ascensão a social que de outra maneira seria quase impossível.

Com o tráfico de drogas em plena expansão na década de 80/90, os lucros advindos do mesmo, permitiram que seus líderes financiassem exércitos para garantirem seus territórios contra outras facções ou contra as forças federais, chegando ao estágio atual em que existem determinadas áreas de locais como no Rio de Janeiro que são interditadas as forças policiais pela imposição da força dos narcotraficantes.

Características provenientes da origem e formação das facções, localização das concentrações de pobreza, origem da receita, particularidades topográficas e procedimentos das autoridades estatais para lidar com as referidas facções, fazem com que o tipo de crime em alguns estados (Ex: Rio de Janeiro e São Paulo) tenham características diferentes e únicas. No entanto, partilham de muitos princípios semelhantes, como organização e procedimentos para alcançarem seus intentos.

2. Gerações da mentalidade militar

Na história da humanidade, muitas vezes conflitos perdidos ou vencidos são analisados para colher o máximo de informações e experiências relevantes para a maior eficiência das futuras operações militares. Com base nesses estudos, chegou-se a conclusão da existência de quatro tipos de geração de formas de combate durante a história (guerras de 1ª 2ª 3ª e 4ª geração).

O mais interessante é que justamente a de 4ª geração parece ter sido a que sempre fez parte de todos os demais conflitos em todos os momentos da história. Mas foi justamente a última a ser notada, pois antes o fator população não era levado em conta da mesma maneira que a guerra irregular considera sua importância. A doutrina corrente era o que Clausewitz chamava de “guerra total contra o inimigo”, sendo a vitória alcançada com a destruição física do inimigo.

A guerra de 4ª geração não prevê um tempo certo dos combates, nem a destruição física do inimigo, mas sua completa exaustão, levando assim a perda do interesse e da vontade de lutar. Atualmente, existe uma dificuldade das forças armadas nacionais de vários países de enfrentar um inimigo que tenha características diferentes das suas próprias (Ex: Chechênia, Iraque, Afeganistão, etc).

A Primeira Geração.

A primeira geração da guerra moderna, guerra de  linha  e  coluna, onde as batalhas eram formais e o campo de batalha era ordenado, durou, aproximadamente, entre 1648 a 1860.

A relevância da primeira geração surge do fato que o campo de batalha ordenado criou uma cultura militar de ordem.

A Segunda Geração.

A guerra de segunda geração foi uma resposta à contradição entre a cultura da ordem e o ambiente militar. Também conhecida como guerra de trincheiras, devido á sua imobilidade nas fases finais do conflito.

Desenvolvido pelo Exército Francês durante e depois da I GM, a guerra de segunda geração procurou uma solução no fogo concentrado, a maior parte sendo fogo de artilharia indireto.

O objetivo era o atrito, e a doutrina foi resumida pelos franceses como sendo “a artilharia conquista  a infantaria ocupa”.

O poder de fogo era cuidadosamente sincronizado  (usando-se  planos  e  ordens  detalhados  e específicos) para a infantaria, carros de combate e artilharia em uma “batalha conduzida” onde o comandante era, com efeito, um condutor de orquestra.

A Terceira Geração.

A guerra de Terceira Geração, também um produto da I GM, foi desenvolvida pelo Exército Alemão e é conhecida como “blitzkrieg” ou a guerra de manobra.

A guerra de Terceira Geração é baseada não no poder de fogo e atrito, mas na velocidade, surpresa e no deslocamento mental e físico.

Taticamente, durante o ataque, o militar da Terceira Geração procura adentrar nas áreas de retaguarda do inimigo, causando-lhe o colapso da retaguarda para a frente.

Ao invés de “aproximar e destruir”, o lema é “passar e causar o colapso”.

Na defesa, a idéia é de atrair o inimigo para então cortar-lhe a retirada, conhecida como defesa móvel.

A guerra deixa de ser um concurso de empurrar, onde as forças tentam segurar ou avançar uma linha. A guerra de Terceira Geração é não-linear.

A iniciativa era mais importante do que a obediência.

A Quarta Geração.

Características tais  como  a descentralização e a iniciativa, são passadas adiante da Terceira Geração para a Quarta, mas em outros aspectos a Quarta Geração marca a mudança mais radical em relação aos métodos anteriores.

Na guerra de Quarta Geração, o Estado perde o monopólio sobre a guerra.

Em todo o mundo, as forças federais se encontram combatendo oponentes não estatais tais como a Al-Qaeda, o Hamas, o Hezbollah, os grupos islâmicos chechenos, as Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia (FARC) e as facções criminosas no Brasil. Quase em toda parte, o Estado está perdendo.

O Brasil atualmente vivencia o que se pode chamar de guerra de 4ª geração, pois suas forças de segurança enfrentam grupos armados ilegais (narcotraficantes), os quais tem, como características, a organização, as metas políticas e os métodos de cooptação da população semelhantes aos de organizações terroristas.

3. Objetivos das forças legais

“Mais importante que manter terreno, é conquistar o espaço entre os ouvidos da opinião pública”

Ho Chi Min

Todas as contradições sociais e o ambiente nocivo que fomentam a violência organizada, consubstanciam-se de uma forma ou de outra, em torno da legitimidade do estado, sendo o apoio da população e a legitimidade do estado o centro de gravidade de um conflito irregular.

Sendo assim, de principal importância numa guerra com estas características, é assegurar, respaldar e fortalecer a legitimidade do poder central. Para tanto, deve-se:

  • Atuar dentro dos limites legais, dispondo, para tanto, de um arcabouço jurídico adequado as operações policiais e militares;
  • Apresentar conduta ética e, tanto quanto possível, transparente;
  • Fazer uso limitado da força letal;
  • Colaborar para que sejam dadas respostas eficazes ás necessidades básicas, aos anseios e as reivindicações da população local.
  • Elaboração pelo estado de políticas sociais a médio e longo prazo.

Mas, como as pequenas frações devem proceder para atingirem esses objetivos?

De vital importância, o contato inicial com a população dá-se com as pequenas frações.

Os infantes devem entender que os grupos ilegais tem um certo controle sobre os residentes da localidade, por muitas vezes, de vida ou de morte.

São manipulados com a intenção de estressar e humilhar os “invasores”, tentando assim fazer com que a força legal tenha uma reação desproporcional e generalizada, vitimando integrantes da comunidade (inocentes ou não).

Este tipo de atitude, quando somada á exclusão social, violência policial e á ausência do estado, reforça os objetivos e interesses dos grupos ilegais.

4. Objetivos das forças ilegais

A população é a água onde nada o peixe comunista”


Mao-Tse-Tung

Estando limitados á suas áreas de controle, as forças ilegais procuram tirar o máximo proveito das oportunidades á sua disposição.

A ausência do estado é explorada por um suposto assistencialismo por parte dos traficantes (dinheiro para remédios, alimentação, gás, melhorias nas habitações, etc..).

Muitos chefes de boca-de-fumo são integrantes da comunidade, fato este que agrega mais ainda a relação comunidade/tráfico.

Além disso, existe a possibilidade de ascensão social, com a entrada no tráfico de drogas de elementos da comunidade. São objetivos do crime organizado:

  • Máxima aproximação da comunidade com o tráfico de drogas, seja pela colaboração mútua ou pela intimidação (apoio da população);
  • Cooptação de novos membros para o tráfico, de elementos da própria comunidade (soldados);
  • Descrédito do estado e de suas instituições (desmoralização);
  • Sublevação popular nas áreas referidas (insurreição);
  • Fachada para operações financeiras (logística);
  • Interdição das áreas de controle do tráfico de drogas para o estado e suas políticas sociais (santuários).

5. O papel da mídia

“A imprensa é a Melhor Arma no Arsenal do Comandante Militar Moderno”

T. E. Lawrence

Nesse contexto de grande  relevância psicológica,  a mídia ganha um destaque  ímpar  na consecução   das   políticas   das   facções   em   presença.

Um exemplo   marcante   desse   papel preponderante na  tomada de decisões,  em  todos os níveis,  estratégico,  operacional  e  tático,   é o episódio vivenciado pelo exercito brasileiro, durante a operação “cimento social”, onde foram mortos três civis.

Por um lado, o qual o exército não desejava assumir este tipo de função (segurança dos empregados na construção), para o qual não se encontrava treinado, foi mandado fazê-lo mesmo assim por ordem federal.

Devido á decisão infeliz de um militar do exército, toda a operação foi comprometida, levando ao fim da ocupação do morro da providência prematuramente.

Mais uma vez, ratificava-se a máxima de que no Conflito de 4ª  Geração: Insucessos ao nível   tático provocam resultados desastrosos  ao nível estratégico.

Pouco tempo depois, por ordem judicial, o exército deixava o morro da  providência.

Nem é preciso dizer que tais insucessos são explorados ao máximo pela mídia independente, ávida por notícias e que, dependendo do momento e de seus interesses, podem vir a ser o fator de sucesso ou de fracasso de uma operação militar/policial.

6. Narcoterrorismo


“Os irregulares insurretos aproveitam-se de todas as oportunidades para explorar as vulnerabilidades que as organizações estatais apresentam, a fim de influenciar   comportamentos   das   lideranças   nacionais e da população em geral, visando atingir seus objetivos (imagen forte e não recomendada para Menores de 18 se você deseja ver clique aqui.”

Vympel 1274

Uma das características das ações terroristas é a imprevisibilidade aliada à arbitrariedade.

As ações ocorrem repentinamente em diversos locais e sem aviso prévio, o que provoca pânico pela sensação de insegurança, fruto de uma “suposta” vulnerabilidade permanente.

Outra questão que reforça essa tese é que, no mundo, quase a totalidade dos grupos terroristas assumem a autoria dos atentados logo após praticá-los.

Fazem isso como forma de atrair a mídia e reforçar, reafirmar o poder que o grupo tem.

Essa estratégia dificulta a ação do poder público por sua imprevisibilidade de alvos, pela natureza indiscriminada dos ataques.

Ataques simultâneos a alvos diferentes elevam o nível de estresse das forças policiais, que aguardam uma próxima ação em local indeterminado.

Um exemplo é o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, os quais  possuem vários objetivos por trás de suas ações.

O primeiro é a desestabilização política do governo estadual.

Segundo, uma demonstração de força, com um alerta: “Caso não nos atendam, temos força suficiente para transformar o Estado num palco de violência”.

Isso leva a um descrédito com relação aos governos.

Exemplo disso é o seqüestro de um cinegrafista e um jornalista da rede globo por integrantes do PCC em são Paulo, com o intuito de forçar a leitura de um manifesto em cadeia nacional contra o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) nas cadeias paulistas.

Parece com algo como extremismo islâmico, não? Se não falassem português, eu acreditaria que seriam terroristas islâmicos…

7.  Vontade de Lutar

“Se o  inimigo  tiver   sua vontade de  lutar  afetada,  então  sua capacidade militar, sem   importar   quão   poderosa   seja,   passa   a   ser   irrelevante.”

Mao-Tse-Tung

A  subversão, a guerrilha e o terrorismo tornam-se instrumentos preponderantes nesse contexto.

As conexões entre esses instrumentos e o ambiente urbano das cidades tornaram-se muito fortes e tornou-se impositivo entendê-las muito bem.

A possibilidade de se misturarem com a população civil não-combatente lhes assegura  uma  vantagem marcante, além do fato de “esconder” seu armamento em qualquer lugar da comunidade (enterrando, em cisternas, rede de esgoto).

Cresce, cada vez mais,  a  dificuldade  de   se   identificar combatentes no seio da população, o que leva, muitas vezes, as forças regulares a tomar medidas coercitivas descabidas e exageradas, causando assim, uma identificação da população local com os objetivos das forças irregulares.

8. Inteligência Humana (HUMINT)

“Hay que endurecer pero sin  perder la ternura jamás.”

Ernesto “Che” Guevara

A dimensão humana passou a se constituir num  relevante e sempre presente fator  de decisão. Aprender a lidar com as complexidades humanas e culturais, características dos conflitos irregulares atuais, transformou-se num  aspecto   fundamental.

Inclui, acima   de   tudo   uma   infinita   paciência,   atributo   não  muito desenvolvido pelas  lideranças militares,  mas  impositivamente necessário,   até para que se possa conviver emocionalmente com altos níveis de frustração,  cólera e ressentimento,  tão comuns em situações dessa natureza. Tais sentimentos afloram quando da não compreensão da situação geral e da rotina constante, comuns em operações de longa duração, agravadas pela hostilidade da população local, muitas vezes insuflada pelos traficantes.

O conhecimento   cultural tornou-se   impositivo   porque   é,   atualmente,   um   poderoso multiplicador de forças.

Consubstancia-se no conhecimento   histórico,   costumes   sociais   e   religiosos,   valores   e   tradições. Não raro,   esse conhecimento se  torna mais  importante que o conhecimento  topográfico do  terreno.  A empatia transformou-se numa poderosa arma.

Nossos militares devem, na atualidade,   serem adestrados na obtenção do apoio da população o que,  conseqüentemente,  resultará na obtenção de  inteligência humana, imprescindível para a campanha, sendo esta inteligência humana obtida na forma de informações a respeito do paradeiro das forças irregulares, localização de cachês, lideres, ou meios logísticos que sua posse ou destruição iriam comprometer ou afetar seriamente o desenrolar de suas operações (Ex: disque-denúncia).

O conhecimento cultural e a habilidade para construir laços de confiança proporcionarão uma proteção da força mais efetiva do que qualquer colete blindado.

Devemos nos lembrar que tão ou maios importante que isso, é a continuidade das políticas de reconstrução e desenvolvimento social por parte do estado, não simplesmente inserindo uma representação deste, mas resolvendo de forma verdadeira os problemas da comunidade.

Ernesto “Che” Guevara  enfatizava, com muita propriedade, que “Hay que endurecer pero sin  perder la ternura jamás.”

Declaração que   se   transformou   num  princípio   básico,   globalmente   reconhecido,   para   “ganhar   corações   e mentes”.

O que demonstra a perenidade deste argumento é justamente que ele sempre existiu, sendo prova disso um conjunto de normas e procedimentos criados por Ho Chi Min no começo do século passado (durante a guerra de libertação do Vietnã, publicado por uma revista francesa em 1922) e que, adaptado para os dias de hoje, continua atualíssimo:

AS DOZE RECOMENDAÇÕES DE HO CHI MIN

As raízes da nação estão nas pessoas. Na guerra de Resistência e na reconstrução nacional, a principal força está no povo. Assim, todas as pessoas no exército, na administração e nas organizações de massa que estão em contato ou que convivem com o povo devem lembrar e levarem consigo as seguintes doze recomendações.

Seis proibições:

1 – Não danificar da maneira de nenhuma maneira a terra e as plantações ou as casas e bens das pessoas.

2 – Não insistir em comprar ou tomar emprestado o que as pessoas não desejam vender ou emprestar.

3 – Não levar galinhas vivas para as casas das pessoas nas montanhas.

4 – Nunca faltar com a palavra.

5 – Não ofender a fé e os costumes das pessoas (como mentir perante o altar, levantar os pés mais alto que o coração, tocar música em casa, etc.)

6 – Não fazer ou falar coisas que façam as pessoas pensarem que as desprezamos.

Seis permissões:

1 – Ajudar as pessoas em suas tarefas diárias (colher, juntar lenha, carregar água, costurar, etc.).

2 – Sempre que possível comprar mercadorias para aqueles que vivem longe dos mercados (facas, sal, agulhas, fios, canetas, papel, etc.).

3 – Nas horas livres, contar pequenas estórias divertidas e simples úteis à Resistência, mas não revelar segredos.

4 – Ensinar à população a escrita nacional e a higiene básica.

5 – Estudar os costumes de cada região para se familiarizar com eles, de forma a criar uma atmosfera de simpatia no início e então explicar às pessoas gradualmente que diminuam suas superstições.

6 – Mostrar às pessoas que você é correto(a), diligente e disciplinado(a).

Nossos militares e policiais atualmente em operação no Complexo do Alemão devem ser orientados para angariar o apoio da população para dar continuidade as operações militares/policiais através de informes da população (HUMINT), ao mesmo tempo consolidando a imagem pública da instituição, pois este é uma maneira de legitimar  o poder do Estado, sendo este é um dos “centros de gravidade” da guerra irregular.

9. “Discurso Ideológico”


O Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV)

Ambas as organizações criminosas foram fundadas (CV em 1969/1975 e o PCC em 1993) pelas condições precárias nas penitenciárias do Rio de Janeiro e São Paulo, onde presos viviam com medo uns dos outros, dormindo em celas superlotadas, sem camas, cobertores, sabão e escovas de dente, sofrendo assédio sexual e acharcamento dos presos mais poderosos.

Ao oferecer proteção e suprir a necessidade básica dos presos, as organização conquistaram a lealdade da maioria presos. Ambas conseguiram melhoras sistemáticas nas condições dos presídios e nas relações humanas entre os presos.

Isso garantiu para a organização não somente a gratidão dos presos, mas também de membros das famílias que traziam os produtos básicos que ambas as organizações distribuíam dentro das prisões.

Assim, além de contar com os presos do sistema carcerário, o PCC e o CV passaram a contar com os muitos familiares destes, para operar centrais telefônicas clandestinas ou outras funções, como transmissão de mensagens orais entre os presos e inserção de telefones celulares nos presídios.

Pelos levantes em São Paulo (2001 e 2006) e no Rio de Janeiro (2010), as facções emergem quase que como um modelo de organização de Quarta Geração, operando numa estrutura paralela que funciona com mais eficácia do que as instituições estatais.

A transferência dos líderes do PCC e do CV para cadeias de outros estados só piorou o problema, pois o discurso ideológico do PCC foi exposto á massa carcerária desses estados, conquistando-os e assim multiplicando a força destas facções criminosas.

Enquanto o Estado retrai-se numa ainda maior incapacidade e corrupção, as facções avançam preenchendo os espaços que se abrem, legitimando sua suposta “guerra contra o sistema”, até chegar ao ponto em que a organização pode confrontar o Estado diretamente.

Ao depor nesta quarta-feira (27) na CPI do Narcotráfico, o traficante Márcio Amaro de Oliveira, 30, o Marcinho VP, surpreendeu os deputados por ter criticado os políticos e o FMI (Fundo Monetário Internacional) e ter defendido os movimentos guerrilheiros na América Latina.

O traficante recorreu ao discurso ideológico: “Entrei no tráfico porque não tinha consciência do que estava fazendo. Um jovem do morro entra nisso porque a sociedade não lhe oferece outra oportunidade para viver”.

Jornal O Globo

10. Conclusão

Ao contrário que muitos acreditam, a verdadeira guerra ainda não começou. Esta se iniciou com o fim da operação que expulsou os traficantes do complexo do alemão e da vila cruzeiro, e ainda perdura, sendo que a vitória das forças federais se dará na continuidade dos programas sociais iniciados logo após do término das operações militares/policiais.

Existem simpatizantes do tráfico de drogas ainda na comunidade e em condições de iniciar uma sublevação contra as forças federais, em contraste com a imensa maioria dos cidadãos de bem que lá residem, sendo estes os que mais sofrem com as operações militares/policiais (como em qualquer guerra da história).

A vitória contra esse movimento dependerá das políticas sociais (visando o apoio da população, legitimando a autoridade do estado) e da capacidade de administração da situação (estresse, investidas com efeito de propaganda por parte dos traficantes, forçando uma ação desproporcional pelas forças federais e problemas advindos da rotina das operações) pelas forças federais.

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