Defesa & Geopolítica

Encruzilhada no Oriente

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É impressionante como a história da civilização tem ciclos que se repetem sem que se perceba. O escândalo alimentado por duas informações importantes a respeito da guerra ao terror no Afeganistão e no Iraque impõe uma reflexão sobre os destinos de ambos os cenários. No primeiro caso, passados quase nove anos da intervenção americana no país, uma grande conferência destinada a marcar uma mudança de rumo na gestão internacional do conflito foi ofuscada por outros dados. O site Wikileaks talvez uma das melhores contribuições à liberdade de expressão e informação da atualidade divulgou documentos secretos que expõem falhas e fraquezas na estratégia dos EUA para lidar com a Al Qaeda e a insurgência extremista islâmica. Embora ali não houvesse muita novidade, é o retrato cru de um impasse que mais incomodou diante da exposição pública. Apesar dos bilhões empregados, de toda a tecnologia, a ameaça terrorista continua latente. Osama bin Laden ainda está vivo e ativo mesmo confinado a um território relativamente pequeno é muito perigoso. O Paquistão continua sendo pouco confiável, dadas as íntimas relações entre o serviço secreto, o ISI, com os radicais muçulmanos aliados importantes na rivalidade com a Índia e o regime de Hamid Karzai. E ainda não dispõe da unidade nem do reconhecimento interno para continuar liderando um país unificado sem os soldados da Otan.

O britânico Robert Fisk, um dos mais conceituados jornalistas e especialistas na região, deixou claro em seu livro que há uma maldição em terras afegãs em relação ao Ocidente. Desde tempos imemoriais todos os exércitos que tentaram se impor pela ocupação fosse com manu militari ou não terminaram invariavelmente derrotados. Fisk fala de cadeira, já que é filho e neto de soldados britânicos que combateram no país em diferentes épocas. O impasse deixa claro que a maldição continuará a impor-se e a sua solução, a partir da retirada unilateral das tropas estrangeiras em 2014, deu aos talibãs a certeza de que vencerão mais essa. O ciclo se repetirá expondo, ainda, o fracasso das potências e da ONU em aplicar as regras de reconstrução que criaram. Da mesma forma que ocorreu no Vietnã, sem a presença econômica da máquina militar as tribos afegãs voltarão a lutar entre si.

O outro dado crucial foi a revelação de que dos US$ 9 bilhões angariados com a venda do petróleo e do gás iraquianos no mercado internacional e destinados à reconstrução cerca de US$ 8,7 bilhões estão sendo dados como perdidos pelos Estados Unidos, desviados que foram. No blood for oil, diziam os manifestantes que tentaram demover Bush, Cheney et caterva da aventura bélica contra Saddam Hussein. Foi em vão, e agora fica mais claro que a motivação messiânica da Pax Americana no Iraque não era o véu da virtude, como se apresentava.

Mas o prenúncio de um excelente negócio: os EUA tiraram franceses e russos, então parceiros de Saddam na exploração, e no lugar promoveram uma bilionária ação entre amigos.

O impasse no Afeganistão é a reprise de um conflito sem solução aparente.

Fonte: JB via CCOMSEX

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