Defesa & Geopolítica

Brasil e China afinam discurso para reunião do G-20

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Mantega e ministro chinês se encontram e defendem substituição do dólar por sistema de reservas multidivisas

Any Bourrier*

PEQUIM. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, discutiu ontem com o ministro de Finanças da China, Xie Xuren, a posição conjunta que os países que formam o grupo conhecido como Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) adotarão sobre a reforma do sistema financeiro internacional na próxima reunião de cúpula do G-20, no Canadá, este mês.

Considerando que existe forte complementariedade entre as economias chinesa e brasileira, o Brasil concorda em assumir uma posição comum com a China quanto à evolução do sistema financeiro globalizado. Há pontos de convergência entre os dois países, que pregam a transformação do sistema atual, dominado pelo dólar, num sistema de reservas multidivisas, assim como o uso extensivo dos direitos especiais de saque do Fundo Monetário Internacional (FMI) como divisa supranacional.

A China já começou a preparar sua proposta, que será apresentada conjuntamente com a França, segundo declarou o presidente francês Nicolas Sarkozy em Pequim, durante a visita oficial em abril passado. Mas a China quer também maior coordenação entre os países emergentes, principalmente os que já deixaram para trás a crise financeira de 2009.

Mantega quer diversificar exportações para China

– Brasil e China se recuperaram e obtiveram taxas de crescimento de 10% no primeiro trimestre deste ano – lembrou o ministro da Fazenda, que encerrou ontem sua visita à World Expo, em Xangai, participando do “Dia do Brasil” e inaugurando o pavilhão brasileiro.

Desde a cúpula dos Brics, de Ecaterimburgo, em junho de 2009, as autoridades chinesas e brasileiras da área econômica defendem uma reforma gradual do sistema monetário internacional e a criação de uma nova moeda de reserva mundial.

– Tanto para o Brasil quanto para a China, é indispensável que o futuro sistema seja estável, racional e eficiente, a fim de evitar que as flutuações do câmbio provoquem desvalorizações substanciais no comércio entre países emergentes e países de economia madura – frisou Xie Xuren.

Os chineses estão numa posição pouco confortável no que diz respeito a esta questão porque se atacarem o dólar podem enfraquecê-lo. A China tem US$2 trilhões de reservas em moeda estrangeira e gigantescas aplicações em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Preocupado com o rendimento e a segurança destes capitais, o governo chinês hesita entre a ofensiva e o perfil baixo. Mas não tem alternativa: o yuan não pode se transformar em moeda de reserva internacional pois não é conversível e não tem condições de circular fora da China.

Antes de se despedir, Mantega pleiteou mais uma vez a diversificação da pauta das exportações brasileiras para a China e assegurou que “há muito que fazer ainda para aumentar a complementaridade das duas economias”. O ministro seguiu para a reunião com seus colegas do G-20 na cidade de Busan, na Coreia do Sul.

(*) Especial para O GLOBO

Fonte: O Globo via CCOMSEX

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