Defesa & Geopolítica

Irã: Lula diz que não aceita lições sobre armas

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Presidente minimiza declaração de Kouchner e volta a defender diálogo com Ahmadinejad

Eliane Oliveira e Marília Martins* *

Correspondente

BRASÍLIA, NOVA YORK e RECIFE.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou ontem as declarações feitas pelo chanceler francês, Bernard Kouchner, de que seria “embromado” pelo líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Em visita a Recife, Lula — cuja visita a Teerã está marcada para o próximo dia 15 — defendeu a necessidade de dialogar para que um acordo capaz de frear o controverso programa nuclear iraniano. Mostrando-se surpreso pelas declarações de Kouchner, o presidente aproveitou para dizer que “não acredita em política de recados”.

— O Brasil está consciente do que está fazendo, maduro e preparado. Se você conversar com o presidente Barack Obama ou qualquer grande líder europeu, vai ver que ninguém chamou o Ahmadinejad para conversar — afirmou Lula.

Lula deve se encontrar com aiatolá Khamenei Irritado, o presidente disse ainda que o Brasil tem conhecimento suficiente e que não vai admitir “lições”: — As pessoas não devem ficar mandando recado. Como não acredito nessa política de recado, terceirizada, como político vou até o presidente do Irã dizer o que penso. Eu quero paz e o desarmamento nuclear.

Votei para que o Brasil não tenha armas. Então, ninguém venha me dar lições sobre armas nucleares, pois nós temos know how.

As declarações francesas também causaram irritação em Brasília. O embaixador iraniano no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, contra-atacou, afirm a n d o t r a t a r s e d e “ u m a afronta ao governo e ao honesto povo brasileiro”. O diplomata recomendou ainda que o governo de Paris se preocupe com seus assuntos internos.

— O presidente Lula é um líder inteligente e digno de respeito.

Nós respeitamos o presidente Lula como uma grande personalidade mundial. Os países ocidentais, como a França, têm que se preocupar com seus assuntos internos. Estão perdendo o respeito internacional — disse Shaterzadeh.

O embaixador classificou como “ridículas” as acusações de que seu país esteja tentando produzir armamento nuclear.

Questionado sobre a possibilidade de apresentar garantias de que seu programa nuclear é pacífico, o diplomata reagiu com um ataque a Israel que, segundo ele, tem pelo menos 200 ogivas.

— O Irã já passou por várias inspeções. Por que ninguém dessa agência (Internacional de Energia Atômica) vai a Israel? O desarmamento tem que acontecer para todos — protestou.

Segundo a embaixada iraniana, em Teerã, além do encontro com Ahmadinejad, Lula deve se reunir com várias autoridades — inclusive o líder espiritual do Irã, aiatolá Ali Khamenei. Os iranianos garantem ainda que Lula participará da reunião do G-15, grupo dos chamados “países não-alinhados”, no dia 17. O Palácio do Planalto, contudo, não confirma a informação.

Em outra frente diplomática, na noite de quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manoucher Mottaki, recebeu diplomatas dos 15 países-membros do Conselho de Segurança da ONU para um jantar em Nova York. A reunião aconteceu na residência oficial do embaixador iraniano nas Nações Unidas. O Brasil foi representado pela embaixadora Maria Luiza Viotti, mas Estados Unidos, França e Reino Unido optaram por enviar representantes do segundo escalão diplomático.

Iranianos servem restos no jantar, diz porta-voz O chanceler iraniano reiterou que seu país examina a possibilidade de acordo para a troca de urânio enriquecido.

Mottaki, no entanto, também garantiu que o Irã não pretende voltar atrás nos projetos de operar novas centrífugas para enriquecimento de urânio.

A Casa Branca interpretou o convite iraniano como um sinal de que Teerã “muito preocupado” com a perspectiva de isolamento internacional caso novas sanções econômicas sejam aplicadas. Segundo o portavoz do Departamento de Estado, Philip Crowley, os diplomatas não conseguiram superar o impasse.

— O chanceler iraniano convidou os membros do Conselho de Segurança para jantar, mas serviu restos. Infelizmente, ele não disse nada de novo.

Vamos continuar a trabalhar numa resolução que mostre ao Irã as consequências de descumprimento (de obrigações) — afirmou Crowley, através de seu Twitter.

Apesar dos insistentes esforços diplomáticos de Brasil e Turquia para evitar uma quarta rodada de sanções, fontes europeias com acesso às conversas do chamado grupo dos 5 + 1 — EUA, Rússia, França, Reino Unido, China e Alemanha — dizem que a resolução deve estar pronta para ser votada na segunda semana de junho.

COLABOROU: Everson Teixeira, de Recife

Fonte: O Globo via CCOMSEX

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