Defesa & Geopolítica

Madri cede e manterá Honduras longe de cúpula

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Após ameaça dos países latino-americanos de boicotar reunião com UE, Espanha restringe visita de hondurenho à assinatura de acordo comercial

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA – O Estado de S.Paulo

O Itamaraty disse ontem que foi informado pelo governo espanhol de que a participação do presidente de Honduras, Porfirio Lobo, na Cúpula União Europeia-América Latina e Caribe será limitada. A decisão abre espaço para a presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Cristina Kirchner e outros chefes de Estado da região que haviam ameaçado boicotar o evento caso o líder hondurenho estivesse presente.

Ontem, fontes da UE afirmaram ao Estado que um acordo sobre a participação de Lula na cúpula já havia sido alcançado. O Palácio do Planalto confirmou, em conversas privadas com o bloco, a viagem do presidente a Madri, no dia 17. Em Brasília, assessores do Planalto afirmaram que a solução foi considerada satisfatória.

Em troca da confirmação da viagem de Lula, o governo espanhol aceitou limitar a participação de Lobo apenas ao evento entre a UE e a América Central, também em Madri, para a assinatura de um acordo comercial.

A participação de Lobo ocorreria um dia depois da cúpula, na qual participariam Lula, Hugo Chávez e outros líderes que se opõem ao governo do hondurenho. Para o encontro principal, Lobo teria sua participação suspensa. Assim, a UE não precisaria passar pelo embaraço de desconvidar Lobo. No entanto, ao mesmo tempo, não criaria um mal-estar completo com a maior parte da região.

“Convidamos todos os presidentes e estamos trabalhando para que a cúpula tenha êxito”, limitou-se a dizer o porta-voz do governo da Espanha, Juan Cierco. Ele admitiu, porém, que existem problemas em relação à participação de Honduras na reunião.

Na chancelaria espanhola, a porta-voz Arancha Banon rejeitou confirmar se Lobo terá sua participação limitada. “Não falaremos mais nada sobre o assunto”, disse.

No Itamaraty, altos funcionários dão o tema como resolvido diante das garantias que receberam de que Lobo e Lula não se cruzariam em Madri. “Sofremos muita pressão”, admitiu a assessoria do Ministério das Relações Exteriores de Honduras.

Diplomatas europeus trabalham para tentar salvar o evento, que corre o risco de ser esvaziado politicamente. A reunião deveria ser um dos principais marcos da presidência espanhola da UE, mas está se transformando em um pesadelo.

A decisão de Madri de convidar Lobo para o evento foi duramente atacada por Brasília, Buenos Aires e Caracas. Há vários dias, o Itamaraty vem mantendo reuniões em Bruxelas com os espanhóis para alertar sobre a situação constrangedora de ter na mesa a presença de Lobo, que tomou posse em janeiro após uma conturbada crise política em seu país.

Relações. Desde o golpe que derrubou o presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho, o Brasil ainda não normalizou as relações com Honduras. Quase três meses depois, em 21 de setembro, Zelaya abrigou-se na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Eleições foram realizadas em novembro, mas o Itamaraty fez uma série de exigências antes de voltar a ter uma relação normal com o governo hondurenho.

De olho em um acordo comercial que poderia ser assinado entre a UE e a América Central durante a cúpula, o governo espanhol insistiu em convidar Lobo, tentando dar um tom de mediador regional.

COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

Fonte: O Estado de São Paulo via CCOMSEX

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