Lula fez pressão por supertelescópio no Chile, diz 'El Mercurio'

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Sugestão: Gérsio Mutti

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria investido seu cacife político de “forma definitiva” para influenciar as negociações que acabaram decidindo pela instalação no Chile de um supertelescópio – o maior do mundo, cujo espelho principal terá 42 metros de diâmetro -, de acordo com o jornal chileno El Mercurio.

O Telescópio Extremamente Grande (E-ELT, na sigla em inglês) é um projeto da Organização Europeia para a Investigação Astronômica no Hemisfério Sul (ESO, na sigla em inglês) – que reúne 14 países – e era disputado com a Espanha, que queria levá-lo para a Ilha de Palma, uma das Ilhas Canárias.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria investido seu cacife político de “forma definitiva” para influenciar as negociações que acabaram decidindo pela instalação no Chile de um supertelescópio – o maior do mundo, cujo espelho principal terá 42 metros de diâmetro -, de acordo com o jornal chileno El Mercurio.

O Telescópio Extremamente Grande (E-ELT, na sigla em inglês) é um projeto da Organização Europeia para a Investigação Astronômica no Hemisfério Sul (ESO, na sigla em inglês) – que reúne 14 países – e era disputado com a Espanha, que queria levá-lo para a Ilha de Palma, uma das Ilhas Canárias. Lula teria desempenhado um “papel-chave”, segundo a reportagem publicada no último fim de semana.

LSST Large Synoptic Survey TelescopeImagens suopertelescópio LSST

O jornal afirma que a dobradinha entre os vizinhos sul-americanos começou em meados de fevereiro, quando a ESO teria convidado o ministro da Ciência e Tecnologia brasileiro a conhecer, durante uma semana, os observatórios que a organização europeia já mantém no Chile. Ao ficar sabendo da visita, a Chancelaria chilena teria, ainda segundo o Mercurio, se integrado à comitiva para conhecer o objetivo da viagem do brasileiro.

“Foi como ficaram sabendo que a ESO estava interessada em oferecer ao Brasil ser sócio da organização”, afirma a reportagem assinada por Sergio Acevedo Valencia. Mais que a qualidade do céu, que favorece a astronomia, pesaria a favor da Espanha o fato de o país estar disposto a investir 300 milhões de euros (cerca de R$ 680 milhões) no projeto. Aliança Por isso, em março, o presidente chileno, Sebastián Piñera, teria iniciado conversas com Lula sobre formas de compensar os 300 milhões de euros que faltavam ao projeto.

O Mercurio afirma que a importância do assunto era tamanha que Piñera planejava discuti-lo com Lula no dia de sua posse, mas a ausência do presidente brasileiro impediu que a ideia fosse adiante.

O periódico chileno afirma que Piñera teria então decidido ir, ele próprio, a Brasília para tocar o projeto. Em 9 de abril, ele se reuniu com Lula por mais de uma hora. Um dos assuntos tratados teria sido o telescópio. “Lula se comprometeu informalmente a enviar um comunicado relevante à junta diretiva da ESO na Alemanha.

E o fez: uma semana depois da visita de Piñera e uma antes da eleição do monte Armazones (no Chile) como local do telescópio.”Na nota, segundo o jornal chileno, Lula manifestava o interesse brasileiro em integrar a ESO sob uma condição: que o E-ELT fosse instalado em um país sul-americano, sem citar o Chile, embora não houvesse outro país do continente na disputa. “Na Chancelaria chilena, considera-se que a determinação do Brasil foi definitiva.

O governo acreditava que a decisão seria em junho, mas ao que parece, as palavras do Brasil tiveram o seu peso”, conclui o Mercurio. O Chile temia perder a disputa pela sede do supertelescópio para a Espanha depois do violento terremoto que sacudiu o país em 27 de fevereiro. A ESO temia investir milhões em instalações que pudessem vir a ser destruídas por futuros tremores, segundo o jornal chileno.

No entanto, o governo chileno teria pedido à ESO que divulgasse a informação de que o observatório de Paranal, próximo ao local escolhido para o novo telescópio, não sofreu qualquer dano por causa do sismo de fevereiro, nem tampouco do registrado em 4 de março.

Fonte: BBC via Último Segundo

6 Comentários

  1. Isso é muito simples. Os europeus precisam investir num país sem influencia mas com alguma economia estável. Não seria o caso do Brasil, pois na nossa atual situação, seríamos um concorrente a eles, e eles não poderiam nos dar esse privilégio todo.
    É isso aí pessoal. O Brasil, de agora em diante, precisará ser cada vez mais autônomo em algumas áreas.
    Digo e repito. Não precisam se preocupar. Vai ser assim com nossos vizinhos, com a Rússia e China investindo em países fracos politicamente, pois é mais fácil de controlá-los.
    Isso significa que o Brasil está se tornando grande, mas está difícil a nossa indústria acompanhar a tecnologia comercial atual. É hora de correr atrás do tempo perdido.

  2. Na verdade, a investida ocorreu, para que o supertelescópio ficasse na América do sul (Chile, mais especificamente) e a Agência européia perdesse a preferência pela Espanha (construção mantida na europa).

    Creio q foi mais uma das diversas jogadas que se vislumbram no cenário regional, aonde o Brasil canaliza e prioriza investimentos que sejam favoráveis a parceiros comerciais do bloco em detrimento daqueles que criariam empregos e renda fora do nosso continente.

  3. Levou porque a Espanha integra o P.I.G.S … países deficitários…
    E o Brasil tem uma projeção futura mais estável ($$$)… simples como 1+1.

  4. xtreme :
    Levou porque a Espanha integra o P.I.G.S … países deficitários…
    E o Brasil tem uma projeção futura mais estável ($$$)… simples como 1+1.

    É pode até ser…um bom sinal de forte influência.

  5. Temos um futuro mais estável, mas a persuasão política também é importante no processo.

    Veja que a tendência é e deve ser a briga pela atração de investimentos, para a geração de renda agregada, criação de empregos qualificados e aumento da capacidade científica-tecnológica no continente, ao invés de perdar a oportunidade aberta para o exterior.

    Na verdade, uma janela de oportunidade bem explorada pelo governo.

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