Defesa & Geopolítica

Brasileiros mudam tráfico no Paraguai

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Chegada de bandidos de São Paulo racha hierarquia local e introduz violência na disputa pelo poder

Flávio Freire Enviado especial

PEDRO JUAN CABALLERO, Paraguai.

Mais que fortalecer o tráfico de drogas entre Brasil e Paraguai, uma das maiores facções criminosas de São Paulo, ao se instalar no país vizinho, não só rachou a hierarquia do narcotráfico na região como mudou a conduta dos traficantes paraguaios, que adotaram a execução sumária de inimigos como moeda de troca do crime organizado. Até o início do ano passado, os criminosos criados no outro lado da fronteira evitavam matar adversários para ter menos problemas com a polícia e a sociedade.

Com a chegada em massa dos brasileiros — no último ano pelo menos cem homens ligados à organização paulista se instalaram por lá —, a disputa pela distribuição de drogas transformou a região em palco para acerto de contas.

Acredita-se que dezenas de corpos são desovados em áreas de campo no Paraguai.

— Por conta da facção brasileira, os traficantes paraguaios passaram a mudar o modus operandi. Como os brasileiros chegam aqui carregando na ficha crimes como assalto, homicídios, roubos e sequestros, os paraguaios, que lidavam só com o tráfico, foram surpreendidos com a violência deles, e passaram a executar para manter o poder sobre determinadas áreas. Isso aqui virou uma área de guerra — disse o delegado regional da Polícia Federal de Ponta Porã, Fabrizio Romano.

Brasileiro disputa controle do tráfico na região Líderes do tráfico local, o paraguaio Líder Cabral e o brasileiro Erineu Soligo, conhecido como Pingo, disputam palmo a palmo o espaço — principalmente na receptação de cocaína proveniente da Colômbia. Até meados da década, Cabral detinha o controle total do tráfico. Embora condenado a 26 anos e quatro meses de prisão, Pingo continua foragido e recebe apoio direto da facção.

Ele é hoje o traficante brasileiro mais influente na fronteira Brasil-Paraguai. Com dinheiro em caixa, cabe a ele ajudar ainda na “legalização” de criminosos que chegam, principalmente de São Paulo, a fim de trabalhar para o tráfico.

— Essa facção brasileira está atuando para controlar o tráfico de drogas em toda a região da fronteira. Se deixarmos, isso aqui pode se transformar num México ou numa nova Colômbia — alertou o delegado geral da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad), Nelson Lopez.

No Mato Grosso do Sul, 700km de fronteira livre Há fortes suspeitas de que a organização criminosa brasileira esteja por trás do atentado contra o senador Robert Acevedo, na última segunda-feira. Duas vezes governador do departamento de Amambay e atualmente no Senado, também com a bandeirada luta contra o narcotráfico, Acevedo, segundo as autoridades, “ tem pelo menos mil inimigos no Paraguai”. A polícia ainda apura se guerrilheiros do Exército do Povo Paraguaio (EPP) tiveram ou não envolvimento nos ataques. O grupo tem assumido a autoria de sequestros extorsivos e outros crimes de caráter político.

O transporte de cocaína e maconha de um lado para o outro entre os dois países tem um aliado geográfico: só no Mato Grosso do Sul há 700 quilômetros de fronteira livre, sem qualquer barreira policial. Para Romano, Brasil e Paraguai precisam reforçar a segurança na região.

— Mesmo se nós colocássemos todo o efetivo da PF de mãos dadas, lado a lado, não conseguiríamos fechar a fronteira — disse o delegado, que aguarda a chegada de um veículo aéreo não tripulado (Vant) para reforçar o trabalho da Polícia Federal naquela área.

Com isso, o trânsito da droga é praticamente livre.

Mesmo depois de o governo do presidente Fernando Lugo ter determinado estado de exceção, colocando só em Pedro Juan Caballero mais de 350 soldados do Exército, a Polícia Federal apreendeu na sexta-feira 300 quilos de maconha num carro que seguia em direção ao interior do Mato Grosso do Sul. Três paraguaios foram presos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega amanhã ao Paraguai. Por conta da situação, soldados da Força Nacional já estão nas ruas, assim como integrantes do gabinete de Segurança da Presidência. A polícia paraguaia também vai reforçar o esquema de segurança na visita do presidente.

— Vamos colocar todos os homens nas ruas de Pedro Juan Caballero para evitar que ocorra uma tragédia ainda maior no país — disse o chefe do departamento de investigação de Amambay, Gustavo Ortiz.

Fonte: O Globo via CCOMSEX

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