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Acelerador do Cern recria situação pós-Big Bang

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GENEBRA – Pela primeira vez, cientistas  conseguiram nesta terça-feira fazer o maior colisor de partículas do mundo – o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) – funcionar e recriar uma situação similar aos instantes posteriores ao Big Bang, a grande explosão que deu origem ao universo.

A colisão de feixes de prótons, feita a uma energia de 7 TeV teraeletrovolts, foi alcançada após duas tentativas fracassadas. O LHC conseguiu colidir dois feixes de prótons a uma velocidade três vezes maior que o recorde anterior. Segundo os cientistas responsáveis pelo LHC, a energia de 7 TeV teraeletrovolts é recorde.

O sucesso do experimento abre as portas para uma nova fase na física moderna, já que agora será possível dar respostas a inúmeras incógnitas sobre o universo e a matéria, segundo os cientistas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern).

“Isto é física em ação, o início de uma nova era, com colisões de 7 TeV (tera elétron volts)”, explicou Paola Catapano, cientista e porta-voz do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern), de Genebra, ao anunciar o experimento.

“É um momento fantástico para a ciência”, destacou o diretor-geral do Cern, Rolf Heuer, em uma videoconferência a partir do Japão, visivelmente emocionado.

Os pesquisadores na sala de controle do Cern aplaudiram quando as primeiras coalizões bem-sucedidas ocorreram. Vários cientistas pelo mundo acompanham os trabalhos. A nova etapa, chamada “Primeira Física”, representa o começo de uma série de milhões de choques similares durante um período de 18 a 24 meses.

“Com certeza repetiremos a façanha várias vezes na próxima semana e durante o ano”, acrescentou o cientista, que comparou o experimento ao lançamento de duas agulhas de lados diferentes do Atlântico, esperando pelo choque.

Projeto de US$ 10 bilhões, o LHC realiza as colisões de feixes de prótons como parte de uma ambiciosa experiência que busca revelar detalhes sobre micropartículas e microforças teóricas.


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A ideia é que esses testes ajudem a lançar luz sobre as origens do universo, além de responder a importantes questões da física. As colisões representam uma nova era na ciência para os pesquisadores que trabalham no LHC, que fica na fronteira entre Suíça e França e faz parte do Cern.

O experimento foi lançado com pompas em 10 de setembro de 2008, mas apresentou problemas nove dias depois. Os reparos e as melhorias custaram US$ 40 milhões, até que o aparelho voltou a operar no fim de novembro.

As colisões, porém, causaram receio em algumas pessoas, que temiam riscos para o planeta por causa da criação de pequenos buracos negros – versões subatômicas de estrelas que entram em colapso gravitacional -, cuja gravidade é tão forte que eles podem sugar planetas e outras estrelas. O Cern e muitos cientistas rejeitam qualquer ameaça à Terra ou às pessoas, afirmando que esses buracos negros seriam tão fracos que se desfariam quase logo após serem criados, sem causar problemas.

A energia extra obtida no LHC europeu deve revelar dados sobre algumas questões ainda não respondidas na física de partículas, como a existência da antimatéria e a busca pelos bósons de Higgs, uma partícula hipotética que, segundo cientistas, daria massa a outras partículas e, com isso, para outros objetos e criaturas no universo.

O LHC funciona atualmente sem utilizar todo seu potencial, já que foi concebido para produzir choques a uma velocidade de 14 TeV, ou 99,99% da velocidade da luz, que pode alcançar em 2012.

Os cientistas também esperam analisar, em escala mínima, o que ocorreu nos segundos após o Big Bang, que segundo eles foi o momento de criação do universo, cerca de 14 bilhões de anos atrás.

Fonte: Último segundo

30 brasileiros participam do maior experimento da física

Jamil Chade escreve para “O Estado de SP”:

Cem metros abaixo da superfície da Terra, o engenheiro brasileiro Denis Oliveira Damazio expõe sua íris a um detector para ter acesso ao local das obras do maior acelerador de partículas do mundo. A cena, que poderia ser de um filme de ficção científica, é exigência de segurança para todos os que trabalham no projeto de mais de US$ 8 bilhões do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern).

Damazio é apenas um dos 30 brasileiros trabalhando diretamente no projeto, considerado o mais importante do século para a física, aguardado por cientistas de todo o mundo como o evento que pode revolucionar os conhecimentos sobre a origem do universo.

Na fronteira entre a Suíça e a França, o Cern vai realizar nos próximos três meses uma experiência em que partículas atômicas vão se chocar em alta velocidade, permitindo, assim, o estudo de como teriam sido os momentos após o Big Bang.

A reportagem do Estado teve acesso ao túnel de 27 quilômetros construído pelos engenheiros para abrigar o acelerador gigante de partículas. O teste está marcado para meados do ano, após muitos atrasos e mais de 14 anos de estudos. O túnel fica ao redor de Genebra e passa por território francês.

Na sala de comandos é um brasileiro, Damazio, que terá a responsabilidade de monitorar os algaritmos que avaliam os impactos dos testes. Entre os equipamentos no subsolo e na sala de comando estão mais de 3 mil km de cabos e 2,5 mil computadores.

“Não há como a física dar um passo adiante hoje sem esse experimento”, afirma Damazio, de 32 anos de idade, há três trabalhando no projeto do Cern.

Sobre os cientistas brasileiros, Damazio é enfático: “Não perdemos para ninguém em termos de capacidade.” Carioca, ele estudou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e depois passou a trabalhar para o Laboratório Nacional Brookhaven, uma das parceiras americanas do Cern. “Para todos os brasileiros aqui, tenho certeza de que é um grande orgulho participar de um projeto dessa magnitude.”

Cerca de 100 mil cientistas espalhados pelo mundo vão usar os dados produzidos pelo experimento a partir dos testes na próxima década. “Não sabemos o que descobriremos. Mas as esperanças são grandes”, conta Damazio. Um dos objetivos será conseguir diferenciar, pela primeira vez na física, matéria de antimatéria. As conseqüências práticas desse projeto podem ser inúmeras, entre elas o controle da gravidade.

Menina dos olhos

Outro brasileiro atuando no projeto é o engenheiro André Rabello dos Anjos, de 34 anos, funcionário da Universidade de Wisconsin (EUA) cedido ao Cern. “É uma experiência única poder trabalhar no local que é a menina dos olhos da física no momento”, afirma. “O mundo inteiro estará olhando para o Cern nos próximos anos.”

O engenheiro atua no desenvolvimento de um software que filtra os dados gerados pelo choque de prótons. Em sua avaliação, o Brasil ganha com a participação de seus engenheiros no projeto, já que muitos vão retornar “em algum momento” para as universidades nacionais e repassar suas experiências. Além dos brasileiros vivendo na Suíça e na França, há ainda os que viajam freqüentemente para colaborar. São os professores José Manuel de Seixas, Fernando Marroquim e Carmen Maidantchik, da UFRJ.

Mesmo não sendo um país membro do Cern, o Brasil está colaborando com equipamentos. Além dos técnicos brasileiros, o Cern ainda conta com peças fabricadas pela indústria nacional.

A principal delas é a placa eletrônica que faz a soma dos sinais das células do detector gigante, usado para registrar o choque entre os prótons. O equipamento foi financiado pelo CNPq e custou cerca de US$ 140 mil. O investimento é mínimo perto de US$ 8 bilhões, o custo do acelerador de partículas. Mesmo assim, os cientistas brasileiros apontam que a participação é importante para o País.

Risco zero

Os brasileiros trabalhando no Cern são unânimes em apontar que as ameaças da experiência para a sobrevivência da Terra são “ridículas”. Em ação protocolada na corte federal do Havaí, dois supostos especialistas, Walter Wagner e Luis Sancho, alertam que o choque de prótons no Cern pode produzir um buraco negro que “engoliria a Terra”.

A esperança dos autores da ação é de que a Justiça dos EUA dê ordem para que os testes sejam suspensos. Damazio, que trabalha para um laboratório que já conseguiu criar micro buracos negros, garante que não há risco. “São pessoas que estão tentando se aproveitar da pesquisa para ganhar notoriedade.”
(O Estado de SP, 5/4)

Fonte: Jornal da Ciência

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