Defesa & Geopolítica

Rússia e China pedem que Irã altere postura nuclear

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Por Louis Charbonneau

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) – A Rússia e a China discretamente deixaram claro ao Irã que esperam uma mudança de atitude desse país em relação à questão nuclear, inclusive aceitando a oferta da Organização das Nações Unidas (ONU) para intercâmbio de urânio, disseram diplomatas nesta terça-feira.

A abordagem coordenada de Rússia e China ocorreu em Teerã por volta do começo do mês, segundo vários diplomatas ocidentais no Conselho de Segurança da organização.

Eles consideraram significativo que as duas potências –em geral relutantes a sanções contra o Irã– tenham usado sua influência nos bastidores.

“Rússia e China tiveram uma ‘démarche’ (atitude diplomática) em Teerã para tentar convencê-los a alterar sua posição sobre a questão nuclear, particularmente com relação ao Reator de Pesquisas de Teerã”, disse uma fonte diplomática à Reuters, sob anonimato.

“Os russos e chineses estavam dizendo que sua posição (com relação a novas sanções) dependeria da resposta do Irã às ‘démarches'”, disse a fonte.

Outro diplomata confirmou que Rússia e China fizeram uma “démarche” –uma abordagem diplomática formal, que pode ser desde uma delicada manifestação de insatisfação até um inflamado protesto.

“Os russos disseram que não conseguiram nada do Irã”, disse um segundo diplomata. “Os chineses disseram ter recebido como resposta dos iranianos para esperar um pouco mais, que eles iriam aparecer com algo. Mas (a China) não conseguiu nada afinal.”

Em geral, Moscou e Pequim usam ou ameaçam usar seu poder de veto para barrar sanções do Conselho de Segurança ao Irã, país no qual ambas as potências têm grandes interesses comerciais.

Mas a Rússia tem se mostrado cada vez mais irritada com o fato de o Irã ter ignorado uma proposta da agência nuclear da ONU para entregar seu urânio baixamente enriquecido, em troca de receber combustível nuclear para um reator de pesquisas médicas em Teerã.

Isso dispensaria o Irã de enriquecer seu próprio urânio, reduzindo temores ocidentais de que o país possa vir a desenvolver armas atômicas. Teerã insiste no caráter pacífico das suas atividades.

Na semana passada, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que Teerã estava deixando escapar uma oportunidade de cooperação normal.

De acordo com a agência estatal de notícias RIA, o primeiro-ministro Vladimir Putin confirmou à secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, que Moscou pode vir a apoiar novas sanções ao Irã.

Em 4 de março, diplomatas russos e chineses usaram uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para pressionar publicamente o Irã a aceitar a proposta da agência nuclear.

Sugestão:Gérsio Mutti

Fonte: Bol

10 Comments

  1. Marcelo says:

    Olha o Brasil começando a dar bom dia pra cavalo!!!!

  2. Luiz says:

    Entre Teerã e o mundo, há mais segredos que o pensamento do nosso Iamaraty possa imaginar.

  3. jomado says:

    …eles não querem outra potência nuclear,ainda mais fundamentalisma…, mais ainda semtada em cima de tanto petróleo…

  4. Luiz says:

    jomado

    Eles sabem que se os EUA e aliados invadirem os Irã, Rússia e Chinaterão que pagar “pedágio” apra o Tio Sam. E isso eles não querem.

    Estão até o osso para negociar com Irã.

  5. jomado says:

    Luiz :
    jomado
    Eles sabem que se os EUA e aliados invadirem os Irã, Rússia e Chinaterão que pagar “pedágio” apra o Tio Sam. E isso eles não querem.
    Estão até o osso para negociar com Irã.

    …o problema é que a china e a russia, não querem mais uma potência nuclear oque é bom para o mundo e eles,quanto ao petróleo é só eles negociarem a participação(digo europa ,E.U.A e a china)…os chineses não são flor de cheiro, e a energia é um ponto chave para o desenvolvimento chines…

  6. Eduardo Carvalho says:

    A posição brasileira de se negociar antes de se adotar sanções está plenamente comprovada.
    Mesmo que o Irã aceite as pressões e retroceda, isso não é ‘derrota’ para a diplomacia brasileira, cuja posição é somente de defesa do programa nuclear brasileiro, não do iraniano.
    Ao apoiar um programa nuclear de um outro país, está clara a postura de não aceitar as imposições, o que reforça a defesa de nosso programa.

    O que se exige do Irã vai ser exigido do Brasil:

    a)Aderir ao Protocolo Adicional, o que o Brasil já anunciou que não vai fazer. Esse Protocolo permite vistorias ‘surpresa, a qualquer momento e sem aviso prévio’, em qualquer instalação que a AIEA determine ( ou ‘suspeite’) inclusive nas residencias de funcionários dessas instalações. Isso poderia incluir universidades e instituições de pesquisa em geral, não podendo se ocultar nada dos vistoriadores. Isso mesmo SEM a autorização do país em questão. Para as grandes potências, como sempre, tais regras não se aplicam.
    b) O Brasil não aceita um ‘consórcio’ internacional em questões de combustível nuclear (por exemplo, controle internacional sobre reservas e extração) e enriquecimento, uma proposta pela qual algumas poucas nações forneceriam o combustível às demais. Não é preciso dizer que as nações que fariam essa ‘bondade’ com as demais são as grandes potências. Isso é mais uma forma de exploração. O Brasil, que detêm todo o ciclo nuclear, vai continuar a fazer o que tem feito, por isso é contra.
    c) O programa nuclear brasileiro prevê o enriquecimento de urânio a índices mais altos (20%, como o Irã) para fins de um reator nuclear que se pretende para equipar o submarino nuclear brasileiro. A AIEA é contra.

    Nessa perspectiva é que deve analisar a posição brasileira com relação ao Irã, nada além disso.
    Nada tem a ver com ‘apoio’ a regimes, formas de governo, pessoas, nem ideologias.
    Infelizmente a mídia nacional, que tem em alguns órgãos de imprensa a eterna defesa dos interesses das potências hegemônicas, analisou de forma errada.

  7. Em breve, mt em breve eles vão detonar suas bombas…tenho dito , quem viver verá.

  8. Jose Vanildes Luiz says:

    O Ira quer ganhar tempo para tempo para apresentar um fato consumado, que é a bomba. Devem ser impedidos a qualquer custo ou sob quaisquer meios.

  9. Wi says:

    Eduardo Carvalho – 24/03/2010 às 19:16

    Muito boa sua análise Eduardo.

  10. Nascimento says:

    Eduardo Carvalho :

    Nessa perspectiva é que deve analisar a posição brasileira com relação ao Irã, nada além disso.
    Nada tem a ver com ‘apoio’ a regimes, formas de governo, pessoas, nem ideologias.
    Infelizmente a mídia nacional, que tem em alguns órgãos de imprensa a eterna defesa dos interesses das potências hegemônicas, analisou de forma errada.

    A mídia nacional é regiamente bem “patrocinada” para isso, não tenha dúvidas. Quanto aos iranianos espero que consigam seu intento. Isto embolaria o tabuleiro geoestratégico na região. Quanto ao fato de eles terem um ou dois artefatos nucleares no futuro… vai funcionar só, como dissuação. O principal é eles abrirem as portas para nòs (rasgar a TNP). E abrirem as portas para um mundo multipolar.

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